Gravidez causa alterações a longo prazo no cérebro das mulheres
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Foto: Istock/Getty Images
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Gravidez causa alterações a longo prazo no cérebro das mulheres

Camila Luz em 20 de dezembro de 2016

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A gravidez causa alterações no corpo da mulher que vão além de ganho de peso e variações de humor. Um novo estudo publicado na revista Nature Neuroscience sugere que estar grávida desencadeia mudanças de longo prazo na estrutura cerebral, aumentado a capacidade da mãe de cuidar de seu bebê recém-nascido. Sabe aquela história de que a maternidade transforma? Pois bem, é isso.

Para realizar o estudo, pesquisadores da Leiden University (Holanda) usaram imagens de ressonância magnética do cérebro de mães antes e depois da gravidez e de mulheres que não ficaram grávidas. Eles descobriram que o volume de matéria cinzenta em certas regiões do órgão diminuiu em mulheres que estavam grávidas – e essa alteração durou até pelo menos dois anos após o parto.

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“Essas mudanças foram notavelmente consistentes”, disse Elseline Hoekzema, co-autora da pesquisa, ao jornal The Guardian. “Tão consistentes que um algoritmo de computador pôde identificar automaticamente quais das mulheres ficaram grávidas durante a pesquisa e quais não ficaram”, completa.

Os resultados sugerem que a gravidez causa mudanças que poderiam ajudar mães a entenderem as necessidade de seus recém-nascidos, além de influenciar a criação de vínculos entre elas e seus filhos. “Mudanças no cérebro podem soar intimidantes, mas nossas descobertas sugerem que pode haver um propósito evolutivo que beneficia as mulheres quando ficam grávidas”, explicou Hoekzema.

Gravidez causa empatia

Participaram do estudo 25 mães de recém-nascidos, 20 mulheres que não engravidaram, 19 pais de primeira viagem e 17 homens sem filhos. As pacientes que ficaram grávidas apresentaram redução de massa cinzenta na região do cérebro responsável por processos sociais.

Além disso, as regiões do cérebro que apresentaram queda no volume de matéria cinzenta se sobrepuseram com áreas ligadas à “teoria da rede mental”. Elas  administram nossa capacidade de sentir empatia por outras pessoas e de imaginar como pensam ou estão se sentindo.

“Faz sentido que mães de primeira viagem tenham de trabalhar muito para entender a necessidade de seus recém-nascidos”, diz Kirstie Whitaker, especialista em imagem da University of Cambridge (Reino Unido), também ao The Guardian. “Elas têm a ‘teoria da rede mental’ e são mulheres adultas capazes de ter empatia, mas [a gravidez] é uma nova fase, é como dar mais um passo em termos de compreender como outro ser está vendo o mundo”, explica.

O mito da perda de memória

O novo estudo também desmistifica a ideia de que a gravidez afeta a memória. Os resultados não mostram diferenças entre mulheres que ficaram grávidas e outros participantes quando submetidos a testes. “É importante ressaltar que nossos achados não sugerem qualquer ligação com mudanças nas habilidades cognitivas gerais ou inteligência”, disse Hoekezema.

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Foto: Istock/Getty Images

Segundo a pesquisadora, as novas mães não estão perdendo células cerebrais e nem mesmo matéria cinzenta. “Elas têm outras células para ajudar a reorganizar e mudar algumas dessas conexões para fortalecê-las, ou pelo menos para torná-las mais eficientes”, explica.

Esse tipo de mudança seria similar à que ocorre no cérebro de adolescentes, de acordo com outro artigo do The Guardian. Durante essa etapa da vida, o córtex pré-frontal muda rapidamente: muitas células morrem enquanto outras nascem e novas conexões se formam o tempo todo. Em mães de primeira viagem, as rápidas alterações ocorrem nessa mesma região do cérebro e no lobo temporal, permitindo que se adapte mais rápido à nova realidade.

Os pesquisadores ainda não chegaram em um consenso sobre a causa dessas mudanças. Acredita-se que ocorra por motivos biológicos, como a flutuação hormonal. Whitaker, no entanto, aponta que influências ambientais possam estar em jogo e estariam ligadas à pressões evolutivas.

“Ser uma nova mãe é difícil e é preciso se ajustar muito”, diz Whitaker. Mas a pesquisa traz boas notícias: “Seu cérebro será capaz de responder a essa mudança para que você possa cuidar do seu recém-nascido com alegria”, finaliza.

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