Nova tecnologia ajuda na recuperação de pessoas paralisadas
recuperação pessoas paralisadas
Foto: Istock/Getty Images
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Interface cérebro-máquina ajuda na recuperação de pessoas paralisadas

Kaluan Bernardo em 10 de fevereiro de 2017

Síndrome do encarceramento é quando a pessoa tem todos os movimentos do corpo, exceto os dos olhos, que permanecem paralisados. Apesar de não poder se expressar, consegue pensar claramente. Tecnologias de interface cérebro-máquina podem mudar esta condição.

Pesquisadores do Wyss Center for Bio and Neuroengineering, na Suíça, desenvolveram tecnologia para interpretar os pensamentos dessas pessoas e ajudá-las a se comunicar com o mundo. Os resultados da pesquisa foram publicados no jornal científico Plos Biology.

A interface cérebro-máquina foi usada para ler os níveis de oxigênio no sangue cerebral do paciente e entender seus estímulos elétricos. A técnica utiliza uma tecnologia chamada espectroscopia de infravermelho próximo e eletroencefalograma. Com elas, os médicos conseguiram decifrar alguns dos pensamentos dos pacientes.

Os pesquisadores fizeram perguntas como “O nome do seu marido é Joaquim” e outras mais abrangentes como “Você está feliz?”. As respostas eram de sim e não. Curiosidade: apesar da condição, os quatro pacientes afirmaram que estavam felizes.

“A máquina grava o fluxo sanguíneo e então calcula como ele muda durante respostas de ‘sim’ e ‘não’, então o computador tem uma ideia, um padrão”, disse Niels Birbaumer, neurocientista e coautor do estudo, em entrevista à agência Reuters. “Depois de um tempo sabemos o que o paciente está pensando, quando ele pensa ‘sim’, e quando ele pensa ‘não, e então calculamos a resposta”, conclui.

As respostas para perguntas específicas, como “o nome do seu marido é esse?”, foram corretas em 70% das vezes. John Donoghe, diretor do Wyss Center, disse que o trabalho representa “um primeiro passo crucial no desafio de reconquistar movimentos”, indicando que o trabalho vai além de estabelecer mera comunicação linguística.

O método de interface cérebro-máquina é considerado não invasivo e está sendo testado em diferentes universidades e centros de pesquisas ao redor do mundo. A técnica tem sido promissora em mostrar, por exemplo, que pessoas paralisadas conseguem manter o pensamento claro e se comunicar quando têm a oportunidade.

No Brasil, interface cérebro-máquina também ajuda na recuperação pessoas paralisadas

No Brasil também temos importantes pesquisas de interface cérebro-máquina com o objetivo de fazer pessoas paralisadas andarem. A mais conhecida delas está sendo desenvolvida no Campus do Cérebro, em Macaíba (RN), liderada por Miguel Nicolelis.

Muita gente conheceu o trabalho de Nicolelis em 2014, quando ele estava por trás do sistema de interface cérebro-máquina que ajudou um garota paraplégica a dar o chute inicial da Copa do Mundo.

Nicolelis trabalha com a pesquisa desde 2013 e vem desenvolvendo um exoesqueleto que também tenta interpretar comandos elétricos do cérebro para transmitir ao resto do corpo e ajudar a pessoa a se movimentar.

Em 2016, Nicolelis e sua equipe publicaram na revista Scientific Sports, do grupo Nature, artigos mostrando os primeiros resultados dessa pesquisa. O texto diz que oito pacientes que haviam perdido os movimentos das pernas por lesões na coluna vertebral conseguiram recuperar parte da sensações e controle musculares de membros inferiores. Em alguns casos reativando até a vida sexual. Embora o resultado ainda seja bom, o otimismo é contido. Há muito chão pela frente.

Em entrevista ao site Motherboard, Nicolelis diz que estamos longe de falar em cura, mas que o fato de ter uma terapia para moléstia já é algo muito importante.

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