Como o novo mapeamento do cérebro muda o futuro da neurociência
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Foto: Istock/Getty Images
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Como o novo mapeamento do cérebro muda o futuro da neurociência

Kaluan Bernardo em 29 de dezembro de 2016

Após três anos de pesquisa, cientistas estadunidenses criaram o maior e mais preciso mapa do cérebro já feito. Publicado em julho na revista Nature, o mapeamento foi considerado um divisor de águas na neurociência.

Desde o século 19, cientistas sabem que determinadas regiões do córtex podem ser associadas a sentidos e funções específicas. Há uma área do cérebro específica para a visão, outra para o tato, mais uma para a audição e por aí vai.

Até então cientistas conseguiam identificar apenas 83 regiões em cada hemisfério do cérebro. Com o novo estudo, no entanto, passaram a reconhecer mais 97 – totalizando 180. Além disso, o novo mapa pode delimitar com precisão nunca antes vista as fronteiras entre as áreas – muitas delas eram apenas borrões.

Na imagem abaixo, por exemplo, podemos ver as regiões responsáveis por três sentidos. O vermelho é a audição, o verde é o tato e o azul é a visão. Cada uma delas tem células que são semelhantes em termos de estrutura, conectividade e função.

Mapeamento do Cérebro

Foto: Reprodução

“É um passo para entendermos por que nós somos nós”, comentou David Kleinfeld, um neurocientista da Universidade de Califórnia, nos EUA, ao jornal The New York Times.

Com o novo mapeamento, pesquisadores poderão entender muito melhor como funciona nosso sistema cognitivo, poderão descobrir novas cirurgias neurais e, ainda, possíveis tratamentos para doenças como esquizofrenia, autismo, epilepsia e tantas outras.

O mapa ainda é apenas a versão 1.0, dizem os cientistas. A expectativa é que o modelo se desenvolva e evolua junto com a tecnologia e a ciência. “Deverá haver uma versão 2.0 assim que os dados se tornarem melhores e mais olhos se voltarem a esses dados. Esperamos que o mapa evolua à medida que a ciência progredir”, comenta Matthew F. Glasser, líder da pesquisa ao The New York Times.

Como o mapa do cérebro foi feito

A equipe de cientistas começou a avaliar os dados do Projeto Conectoma Humano, que fez imagens de ressonância magnética do cérebro de 1.200 voluntários saudáveis. Os pesquisadores selecionaram imagens de alta definição de 210 desses voluntários. Elas mostravam como estava o cérebro dos participantes em atividades que testava memória, linguagem e outros tipos de pensamentos.

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Até então, os pesquisadores olhavam apenas um tipo de evidência por vez. Com o Projeto Conectoma Humano conseguiram analisar, de uma vez, tanto as atividades quanto a anatomia dos cérebros. Ao todo, conseguiram reunir 112 tipos diferentes de informações.

O Projeto Conectoma tem como objetivo revelar as conexões anatômicas e funcionais dos neurônios e os circuitos que formam. Ele foi lançado em 2009 pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês) e custou mais de US$ 40 milhões.

Os cientistas sobrepuseram as imagens para conseguir ter uma média dos dados. Criaram também um algoritmo de inteligência artificial que notava qual era a “impressão de cara área do córtex e perceber quais padrões se repetiam”. A partir desse resultado conseguiram notar 180 áreas distintas por hemisfério, dando um passo importante no entendimento do cérebro humano.

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