Menstruação: startups inovam, mas poucas mulheres se beneficiam
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Absorventes interno Lola. Foto: Reprodução/Facebook
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Menstruação: startups inovam, mas poucas mulheres podem usar os produtos

Camila Luz em 30 de setembro de 2016

O absorvente foi criado na década de 30 e, desde então, não sofreu grandes transformações. Uma matéria da revista Fortune diz que a indústria de cuidados femininos com a saúde chega a faturar US$ 15 bilhões ao ano. Nas últimas décadas, no entanto, grande parte das empresas não estava muito interessadas em investir em novidades, principalmente por causa de tabus envolvendo a menstruação. Menstruar sempre foi sinônimo de vergonha, algo a ser evitado. Mas isso está mudando: startups vêm criando produtos inovadores para tornar a menstruação mais confortável.

onda feminista dos últimos anos quer que as mulheres abram suas cabeças e deixem de sentir vergonha por aquilo que são. Startups logo se prontificaram a desenvolver novas técnicas que, supostamente, devem permitir que cada uma de nós tenha liberdade para escolher como quer lidar com o funcionamento do seu organismo.

Produtos inovadores para menstruação

Flex — Absorvente também para o sexo

Flex se parece com uma camisinha feminina e é feito para ser usado quando a mulher está menstruada. Deve ser colocado dentro do canal vaginal e pode ficar dentro do corpo por até 12 horas.

Há um disco com um preservativo enrolado com borda mais grossa, flexível o suficiente para manter o dispositivo no lugar, e uma bacia reservatório para receber o sangue. O dispositivo cobre todo o colo do útero para evitar vazamentos.

Flex também pretende ser o absorvente para mulheres usarem durante o sexo, para que o ato “faça menos bagunça”.

Loolabs — Copinho menstrual inteligente

O coletor menstrual já é bem conhecido, inclusive no Brasil. É feito de silicone cirúrgico e tem formato semelhante ao de uma taça. Deve ser inserido no canal vaginal e permanecer lá por até 12 horas.

A startup de São Francisco (EUA) Loolabs aprimorou o produto. Eles inventaram um copinho que pode ser sincronizado com um aplicativo para celular. O app mostra informações como volume do fluxo e cor do sangue, apontando até eventuais problemas de saúde.

Thinx — “Calcinhas para mulheres que menstruam”

O produto criado pela startup de Nova York (EUA) Thinx é simples: calcinhas absorventes que dispensam a necessidade de usar qualquer outro método para coletar o fluxo.

Oferecidas em diferentes modelos, dos mais cavados aos mais largos, as calcinhas prometem fazer a mulher se sentir sequinha e confortável quando menstrua.

Lola — Absorventes internos 100% algodão

Segundo o site da Lola, empresa nova-iorquina criadora do produto, uma mulher normal irá usar, em média, 15.000 absorventes durante sua vida. Por isso, deve escolher os que são naturais, simples e causam menos impacto ao meio ambiente. Os absorventes internos da Lola são 100% algodão e podem ser customizados pelas próprias mulheres para se adaptarem ao seu fluxo menstrual.

A incoerência no discurso

Em artigo no site Technology Review, a jornalista de tecnologia Julia Sklar destaca que poucas mulheres estão de fato sendo beneficiadas por essas inovações.

mulher usando calcinha Thinx preta

Calcinha Thinx. Foto: Reproução/Facebook

As startups acima fazem parte do movimento que pretende colocar a tecnologia a favor do empoderamento feminino. E tem dado certo: a Flex, por exemplo, obteve US$ 1 milhão em financiamento para lançar seu produto. Mas essa empresa tem como discurso “que toda mulher deve estar apta a escolher o que é melhor para seu próprio corpo. E elas merecem opções melhores”.

O alto custo dos produtos impede que a grande maioria tenha acesso a eles. Uma caixa de Flex , por exemplo, custa US$ 20 (R$ 64, na cotação atual), enquanto a mesma quantidade de absorventes internos comuns custa, nos Estados Unidos, cerca de US$ 7 (R$ 22,67) — o que já é bem mais do que muitas mulheres podem pagar.

As calcinhas da Thinx custam entre US$ 24 (R$ 78) e US$ 38 (R$ 122). O coletor menstrual inteligente da Loolabs custa entre US$ 30 (R$ 97) e US$ 40 (R$ 130). Já a caixa de absorventes internos da Lolla custa US$ 9 (R$ 29).

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mão segurando looncup e celular

Looncup. Foto: Reproduçao/Facebook

Produtos como o coletor menstrual inteligente, por exemplo, podem ser utilizados muitas vezes e, portanto, compensam o investimento. Mas a realidade é que pequena parcela da população pode pagar o preço — principalmente em países pobres. “Em Uganda, por exemplo, média de 11% das garotas perdem dias de aula na escola pois não têm acesso a absorventes”, diz o artigo.

Para Julia, em um mundo onde empresas de tecnologia são dominadas pelo sexo masculino, startups voltadas para mulheres e menstruação estão obtendo sucesso. Só o que falta é coerência para incluir “toda mulher” nessa missão.

Não seria mais interessante criar produtos acessíveis em campanhas  realmente inclusivas, feitas para de fato todas as mulheres? Deixe sua opinião nos comentários.

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