Natália Oliveira, a brasileira que venceu a competição ‘Dance Your Ph.D.”
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Natália Oliveira. Foto: Reprodução
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Natália Oliveira, a cientista que bombou nas redes e venceu o Dance Your Ph.D.

Aretha Yarak em 30 de novembro de 2017

Ciência de ponta, coreografia vogue e CSI. Foi com essa fórmula bem diferente, que a pesquisadora recifense Natália Oliveira participou de um concurso da revista Science, uma das mais importantes publicações mundiais na área da ciência. Ao lado do grupo de dança Vogue 4 Recife, ela gravou um vídeo explicando sua tese de doutorado por meio da dança e acabou vencendo duas categorias da competição ‘Dance Your Ph.D.‘.

O concurso da revista americana desafia há dez anos pesquisadores do mundo todo a explicar seus trabalhos pela dança. O objetivo é não só traduzir o meio árido da ciência para uma linguagem acessível à população, mas também divertir e desfazer estereótipos. “É bom quebrar paradigmas, quanto mais gente entender e se engajar em ciência, melhor”, comenta Natália. Ela foi a vencedora das categorias Química e Escolha Popular – a campeã geral foi Nancy Scherich, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unido.

Natália Oliveira vence o ‘Dance Your Ph.D.’

Membro do grupo de teatro amador Máquina dos Sonhos desde 2013 e integrante do Vogue 4 Recife, Natália uniu suas paixões para criar o vídeo “Pop, Dip and Spin: The Legendary Biosensor for Forensic Sciences“. O processo de adaptação foi feito em colaboração com o grupo de dança e reuniu pesquisa científica, referências do seriado americano CSI, representatividade LGBT e negra e a dança vogue, um estilo criado em bailes drag queens novaiorquinos na década de 80.

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Natália conta que não conhecia o concurso e foi estimulada a participar por um colega de laboratório. “No primeiro momento fiquei meio cética, pela dificuldade na tradução do tema em uma dança”, conta. Mas ela acabou topando e apresentou a ideia para os colegas do grupo de dança, que fecharam o roteiro juntos.  “O processo de adaptação foi bastante colaborativo e muito divertido e engraçado”, conta Natália.

O vídeo foi gravado nas ruas de Recife e no laboratório em que ela pesquisa na UFPE e acabou bombando na internet. Hoje, já soma mais de 100 mil visualizações.  A repercussão foi positiva e ela recebeu apoio de gente de todas as partes do país e também da comunidade LBGT.

Essa visibilidade ajuda a mostrar que o brasileiro faz sim muita coisa boa. Temos muito potencial para mostrar mundo afora.

A genética na carreira de Natália Oliveira

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Natália chegou à genética pela matemática. “Sempre fui fã dos números e, no Ensino Médio, me apaixonei também pela biologia, então a genética passou a ser meu sonho de profissão”, relembra. Na faculdade, ela fez sua segunda descoberta de peso: a mesma genética poderia ser usada também para a solução de crimes.

“Isso tudo se misturou à minha curiosidade e a vontade de descobrir como as coisas aconteciam e eu acabei escolhendo a profissão de perito criminal e me dediquei a estudar isso”, conta. A pesquisa com biossensores começou já no mestrado. Para a tese de doutorado, ela desenvolveu um biossensor para detecção de fluidos biológicos (como sangue, sêmen e saliva nas cenas de crime) com mais especificidade. Seu grande diferencial, no entanto, é a identificação das mostras mesmo quando a cena do crime já foi lavada, numa tentativa de eliminar provas.

Atualmente, Natália se dedica ao pós-doutorado na UFPE na mesma área e trabalha no desenvolvimento de um protótipo para conseguir lançar o biossensor apresentado no clipe. Além disso, ela pretende patentear sua criação e, em paralelo, está finalizando um making off do clipe vencedor. “Minhas pesquisas em biossensores vão continuar, mas quero expandir para outra áreas, como na detecção de drogas ilícitas”, conta sobre o futuro após o prêmio.

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