Parentalidade: o que acontece com os hormônios de pais engajados
Happy parents playing with baby girl on dad’s knee, close-up
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Parentalidade: o que acontece com os hormônios de pais engajados

Camila Luz em 19 de janeiro de 2017

Parentalidade é o conjunto de atividades realizadas por pais e mães durante a criação de seus filhos. No mundo todo, a maioria dessas tarefas ainda é exercida pelas mulheres, e não apenas por uma questão cultural, mas também em razão das leis em vigor. Nesse sentido, a Suécia vem liderando a luta contra a desigualdade de gêneros e, caso a vença, será um exemplo.

No país escandinavo, homens têm direito a três meses de licença-paternidade. Segundo o site Aeon, muitos tiram um tempo ainda maior para acompanhar o desenvolvimento do bebê. Em um centro de convivência infantil na cidade de Malmö, o número de pais que participam de atividades com seus filhos já supera o de mães.

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“Algo acontece com os homens que vêm aqui”, diz Lisa Lindell, uma das fundadoras do centro, ao Aeon. Há 10 anos, ela e sua colega Karin Hallback Stingedal começaram a fazer campanha para que mais homens fizessem parte da rotina dos filhos. No centro, é possível brincar com as crianças, participar de rodas musicais e outras atividades.

“Nós achamos que é uma revolução”, diz Stigendal. “Os pais que vêm aqui são muito mais próximos de seus sentimentos. Eles não poderiam fazer mal a outra pessoa. As crianças vão mudar suas mentes, e isso será bom para a nossa sociedade”, completa.

O efeito da parentalidade nos hormônios do homem

Na Suécia, homens que tomam conta de seus filhos com o mesmo desempenho de mulheres são conhecidos como “latte pappas”. A parentalidade parece mudar a forma como se comportam, e isso pode estar relacionado com alterações em seus níveis hormonais.

Foto: Istock/Getty Images

Foto: Istock/Getty Images

Há inúmeros estudos que revelam o enorme impacto da parentalidade nos hormônios. Uma pesquisa feita em 2011 com 624 homens filipinos mostrou que seus níveis de testosterona caíam em média 34% no primeiro mês após o nascimento dos filhos. Em casos extremos, chegaram a cair 75%.

Níveis de ocitocina, conhecida como “hormônio do carinho”, praticamente dobraram em pais durante o início da gravidez de suas parceiras e durante o primeiro mês após o nascimento. Já a prolactina, hormônio que possibilita a lactação em mulheres, era quase um quinto mais alta em pais do que em homens sem filhos.

A paternidade também causa alterações no cérebro. Um estudo de 2014 escaneou o cérebro de homens no primeiro e no quarto mês após o nascimento de seus filhos. Nesse período de três meses, a matéria cinzenta em áreas ligadas ao apego e tomadas de decisões complexas cresceu.

Esses achados fazem parte de pesquisas conduzidas nos Estados Unidos, Canadá e Filipinas, onde mães ainda são as principais responsáveis pela criação dos filhos. Na Suécia, onde pais já são mais engajados, os impactos podem ser ainda maiores.

Lee Gettler, diretor do Hormones, Health, and Human Behavior Lab na Notre Dame University (EUA), acredita que pais suecos devem ter seus hormônios e temperamento transformados. Provavelmente têm níveis mais baixos de testosterona do que homens menos envolvidos na criação de seus filhos. “A prolactina também deve ser mais alta, e a ocitocina deve aumentar durante momentos sensíveis e de afeição, refletindo o vínculo com seus filhos”, diz.

Vantagens e desvantagens das mudanças hormonais

Hormônios exercem papéis específicos. Quedas nos níveis podem trazer vantagens e desvantagens. A testosterona torna homens e mulheres mais musculosos, mais propensos a correr riscos e socialmente voltados para o exterior. Também parece encorajar as pessoas a assumirem papéis dominantes.

Um estudo feito em 2014 com pais israelenses, por outro lado, mostra que níveis mais baixos de testosterona tornam os homens mais afetuosos e comunicativos com seus bebês. Ocitocina e prolactina, que invadem os corpos das mulheres quando ficam grávidas, também facilitam essas conexões.

Além disso, pais que vivenciam os efeitos hormonais têm mais chances de criar um vínculo forte com seus bebês, que deve se manter durante o resto da vida. Um estudo sueco de 2008 descobriu que quanto mais longa licença-paternidade, mais os pais participam da vida dos filhos no futuro – mesmo em caso de separação da mãe das crianças.

Para as donas do centro de convivência sueco, dar aos pais uma dose de seis meses de prática de parentalidade venceria para sempre o homem impetuoso, agressivo e insensível. “Se você está intimamente ligado a uma criança, você não pode ser tão duro”, diz Stingendal.

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