Por que nunca estivemos tão perto de conseguir prolongar a vida humana
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A ciência nunca esteve tão perto de conseguir prolongar a vida humana

Kaluan Bernardo em 24 de janeiro de 2017

Em 1907 a expectativa de vida de um cidadão estadunidense era de 45,6 anos. Em 2013, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), era de 79 anos. É óbvio que o avanço da medicina prolonga a vida humana, mas hoje nos encontramos em um ponto em que as os próximos passos na longevidade poderão ser ainda maiores.

Uma reportagem especial da revista Tablet Mag, assinada por Ted Mann, mostra por que cientistas estão chegando perto de aumentar drasticamente os processos de rejuvenescimento humano e, com isso, garantir uma vida mais longa e próspera – ao menos na teoria.

A medicina consegue, com uma eficiência bastante alta, resolver muitas das doenças em crianças e adultos. No entanto, quando surgem problemas típicos da velhice, ainda há muitos desafios.

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O maior deles talvez seja o Alzheimer, uma das mais conhecidas doenças cognitivas. Segundo o Centro de Controle e Prevenção dos EUA, o risco de desenvolver Alzheimer praticamente dobra a cada cinco anos a partir dos 65. Isso quer quiser que, ao chegar nos 85 anos, as chances de alguém manifestar sinais da doença ficam entre 25% e 50%. Quando a complicação se manifesta, a maioria das pessoas vive entre quatro e oito anos.

O Alzheimer é uma ameaça também econômica às economias das famílias. Nos Estados Unidos, em 2015, por exemplo, estima-se que o total gasto em tratamentos para pacientes com a doença foram de mais de US$ 226 bilhões. “A doença do Alzheimer é um fardo crescente para os idosos e suas famílias em nosso país, e é essencial confrontarmos os desafios que eles sinalizam para nossa saúde pública”, chegou a declarar o então presidente Barack Obama.

O que tem sido feito para reverter doenças cognitivas em idosos

Normalmente cientistas estudam doenças separadamente, uma vez que elas têm diferentes causas e consequências. Problemas no coração, por exemplo, são decorrentes de gorduras acumuladas nas artérias; enquanto câncer são danos no DNA; e o Alzheimer e outras doenças cognitivas são decorrentes de células cerebrais danificadas. No entanto, todas têm um fator em comum: são intensificadas pelo envelhecimento. Conseguir adiar ou amenizar a velhice é um dos maiores desafios para os cientistas.

Por isso, muitos cientistas têm voltado seus estudos a descobrir como evitar o envelhecimento. “Enquanto envelhecer é um grande fator de risco para a maioria das doenças adultas, investigações sobre os fundamentos da fisiologia, biologia e genética do envelhecimento estão só começando”, comenta Nir Barzilai, diretor do Instituto de Pesquisa sobre o envelhecimento na Faculdade de Medicina Albert Einstein, em entrevista à Tablet Mag.

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Um dos mais importantes estudos sobre o tema foi publicado em 2005 na revista Nature. O nome do artigo é complicado, mas importante: “Rejuvenescimento de células progenitoras envelhecidas pela exposição a ambiente sistemicamente jovem”. De forma um tanto resumida e simplificada, o que eles descobriram foi que, ao colocar o sangue de ratos jovens em ratos velhos, os animais mais idosos apresentavam melhoras na regeneração de seus tecidos – mostrando que boa parte do sistema de rejuvenescimento está em células sanguíneas.

Disso, começaram a levantar a hipótese de melhorar a cognição e a memória de neurônios funcionais ao aplicar tratamentos semelhantes em pessoas com Alzheimer ou outras demências.

Depois desse estudo, cientistas de Stanford, Harvard, Maryland e outras instituições, começaram a analisar o plasma sanguíneo para tentar entender o que exatamente eram os fatores de envelhecimento e rejuvenescimento. Amy Wagers e Richard Lee, professores e pesquisadores de Harvard, identificaram a proteína GDF11 como importante para o processo de rejuvenescimento. Eles notaram que ela estava presente no plasma sanguíneo de ratos jovens, mas não no de ratos velhos. Ao fazerem testes com a proteína em ratos, eles perceberam que, de fato, a proteína ajudava no rejuvenescimento de músculos dos animais.

Tony Wiss-Coray, outro pesquisador, de Stanford, decidiu fazer outro experimento para conhecer melhor os efeitos do sangue no rejuvenescimento ou envelhecimento de ratos. Ao aplicar o teste em ratos de 18 meses (algo mais ou menos equivalente a uma pessoa de 60 anos), a equipe do pesquisador notou que haviam melhorias nos efeitos cognitivos dos animais.

Em 2012 ele submeteu os resultados à revista Nature, que não aceito a publicação alegando que faltavam mais dados. Foi só em 2014 que ele e sua equipe conseguiram provar, com mais detalhes, os resultados e divulgaram os estudos na publicação, com o título de “Sangue jovem reverte debilidades relacionadas à idade em funções cognitivas e plasticidade sináptica em ratos”, indicando que o sangue jovem realmente podia melhorar o cérebro dos animais.

Ratos têm o código genético e órgãos um tanto parecidos com os humanos, mas, obviamente, têm suas diferenças. É por isso que, agora, alguns cientistas estão pesquisando os possíveis resultados em humanos. Os resultados deverão sair nos próximos anos.

A tecnologia alavanca os progressos científicos

Por que esses estudos tão importantes estão avançando rapidamente? Porque a tecnologia permite. Essa é a opinião de George Church, professor de Genética na Escola Médica de Harvard e de Ciências da Saúde e Tecnologia no MIT, ouvido pela Tablet Mag. “O índice de mudanças na biotecnologia já superou até o super índice da Lei de Moore para eletrônicos… a sequência de DNA evoluía 1,5 vezes a cada ano, vindo de 1968 a 2005, quando a ‘nova geração de sequenciamento’ começou”, comenta.

No entanto, como a revista afirma, o maior desafio hoje não está em coletar os dados ou produzir conhecimento, mas integrar todas as descobertas e uni-las para que a ciência avance. Além disso, é necessário que políticas sociais e econômicas acompanhem as mudanças na mesma velocidade, caso contrário, nossa sociedade estará fadada a desperdiçar esse progresso científico.

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