Sequenciamento de DNA dos mortos ajudam os vivos
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Foto: iStock, Getty Images
Inovação > Saúde

Como o sequenciamento do DNA dos mortos pode melhorar a saúde dos ainda vivos

Kaluan Bernardo em 19 de abril de 2016

Cientistas conseguem saber a ordem das bases do código genético de alguém e, assim, descifrar e estudar o DNA de uma pessoa. Essa técnica, chamada sequenciamento de DNA, hoje é feita a preços cada vez menores por máquinas especiais. Algumas empresas prometem conseguir sequenciar milhares de genomas por US$ 1 mil.

Na prática, isso tudo significa que está cada vez mais fácil e barato estudar o DNA das pessoas. E, com o avanço, novas portas se abrem. Uma delas é a possibilidade de sequenciar o DNA de mortos para melhorar a vida dos ainda vivos.

Um grupo de cientistas dinamarqueses quer criar um banco de dados com as informações sequenciadas do código genético dos mortos. Com isso, eles poderão entender melhor as causas da morte, a hereditariedade das doenças e outras informações disponíveis apenas no DNA das pessoas. Também poderão estudar algumas das possíveis causas para doenças como o câncer.

O site Singularity Hub destaca que uma outra vantagem desse banco de dados é que ele permitiria estudar com mais profundidade o efeito dos remédios nas pessoas. O artigo destaca que boa parte dos óbitos são pessoas idosas que, pelas condições da idade, se medicavam mais do que a média da população. E, normalmente, grupos de estudos de remédios são feitos em pessoas jovens, com o código genético bastante diferente.

Esse campo, que está sendo chamado de necrogenética, foi defendido recentemente por Paula Hedley, PhD do Departamento de Doenças Congênitas da Statens Serum Institut, em Copenhagen. Em artigo à revista Science ela argumenta que o sequenciamento do DNA de 50 mil dinamarqueses sai por um preço que varia entre US$ 40 milhões e US$ 80 milhões, mas que o valor deverá cair com o tempo conforme a tecnologia avança.

 

Sequenciamento de DNA dos mortos causa debate

Todas as informações dos DNAs dos falecidos ficariam armazenadas em um banco de registros virtual. Os dados são associados a informações do indivíduo – entre elas, seu registro de doenças, remédios que tomava e passagens em hospitais. São informações muito pessoais, que precisam ser protegidas por complexos sistemas de segurança.

A ideia ainda está em discussão e cientistas dinamarqueses estão debatendo sobre as implicações do banco de dados com as informações dos falecidos. Hedley disse ao Singularity Hub:

Um registro dos necrogenomas precisa de discussões públicas para debater as questões éticas e legais em cada país. A população precisa estar consciente dos vários conflitos que poderão estar presentes.

Na Dinamarca, há leis que permitem estudar mostras de sangue de falecidos desde 1978. Mas ainda não há nada relacionado especificamente ao código genético das pessoas.

Como o debate público para avaliar a questão ainda demorará alguns anos, a tecnologia continua avançando a passos largos. O que está em jogo não é mais a nossa capacidade para isso, mas sim as implicações sobre compartilhar dados de pessoas mortas e os possíveis avanços na medicina.

E você? Acha que o código genético dos mortos poderia ser estudado para avançarmos na medicina?

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