Startups inovam com produtos para aliviar a menstruação
Livia
Foto: Divulgação
Inovação > Saúde

Startups inovam com produtos para aliviar sintomas da menstruação

Camila Luz em 5 de maio de 2016

Mulheres menstruam, e essa realidade tem deixado de ser tabu. Startups enxergam nessa tendência uma possibilidade de mercado. Produtos inovadores são desenvolvidos para trazer mais conforto e praticidade durante o período da menstruação.

Hoje, o sexo feminino está presente no mercado de trabalho quase tanto quanto o masculino. Cólicas menstruais interferem no bem-estar e rendimento da mulher e, geralmente, são tratadas com analgésicos.

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Livia é o dispositivo que pretende acabar com as dores menstruais sem a necessidade de ingerir remédios. As cólicas são resultado de uma conexão entre cérebro e aparelho reprodutor feminino. O que o aparelho faz é bloquear essa ligação, impedindo que a dor chegue ao cérebro e seja sentida pelo corpo.

O alívio de Livia

Livia é uma dispositivo pequeno e quadrado, lembra o iPod Nano. Ele pode ser fixado na calça ou guardado dentro do bolso de forma prática.  No aparelho, há dois eletrodos acoplados que devem ser colados na barriga ou nas costas, em cima do local exato da dor.

Esses eletrodos emitem estímulo elétricos que bloqueiam a dor. A intensidade pode ser controlada de acordo com o nível do desconforto.

Livia promete aliviar a dor, ou até aniquilá-la completamente. Segundo os fabricantes, o dispositivo não causa intolerância ou efeitos colaterais. Essa seria uma vantagem sobre analgésicos.

Veja no vídeo abaixo, em inglês, abaixo como funciona:

Livia e seu crowdfunding surpreendentemente bem-sucedido

Os criadores fizeram um crowdfunding para juntar US$ 50 mil e lançar o dispositivo no mercado a partir de junho. O financiamento coletivo ainda está rolando, mas a marca já arrecadou US$191.783, o que equivale a 384% da meta.

Por enquanto, só é possível adquirir o Livia participando do crowdfunding. Diferentes pacotes estão disponvíes. Variam de acordo com o preço e as recompensas.

O principal deles oferece todo o kit completo, com dispositivo, capinha protetora, dois eletrodos, cabo de conexão, carregador e uma caixinha para guardar o produto. Custa a partir de US$ 85.

Startups e a menstruação

O sucesso de Livia prova que há mercado para avanços nas áreas da saúde e conforto da mulher. Startups estão atentas a isso.

A Thinx criou “calcinhas para mulheres que menstruam”. Lançadas no ano passado, dispensam a necessidade do absorvente. Podem ser usadas durante a menstruação, já que fazem a mulher se sentir sequinha ao absorver o sangue.

Miki Agrawal, CEO da Thinx, disse em entrevista à Forbes que pretende mudar a maneira  como o mundo enxerga a menstruação. Apesar de ser uma realidade comum a todas as mulheres, além de ser sinal de fertilidade e saúde, o assunto é pouco discutido.

“Na nossa cultura, mulheres não querem falar sobre suas menstruações – muitas ainda pensam nisso como algo grosseiro e nojento”, diz. “Quero mudar a cultura sobre esse período normal na vida de todas as mulheres. Mas não fazendo com que usem calcinhas de vó, que se parecem com fraldões”, defende.

As calcinhas da Thinx foram desenhadas em modelos modernos. São quatro designs diferentes: “atrevido”, “tanga”, “esporte” e “hiphugger” (o mais largo).

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Outro produto inovador é o Flex, uma espécie de camisinha feminina para ser usada quando a mulher está menstruada. É descartável e pode ser usado por até 12 horas. Ele deve ser colocado dentro do canal vaginal e lembra um diafragma. A marca garante que não há riscos tóxicos para o organismo.

camisinha flex em embalagem dourada

Foto: Divulgação

Sobretudo, pretende trazer uma boa solução para esconder melhor a menstruação.

Mas a pergunta que não quer calar é…

Por que é preciso esconder a menstruação?

Thinx e Flex vendem a ideia de que são empoderadores. Mas há controvérsias nesse discurso. Afinal, se a menstruação é natural ao corpo feminino, por que deve ser escondida?

Sharra Vostral, autora do livro “Under Wraps: A History of Mentrual Hygiene Technology”, aponta que a invenção dos absorventes internos permitiu que mulheres menstruadas passem por “não menstruadas”. Assim, podem ir à piscina e fazer outras atividades sem denunciar seu ciclo menstrual.

Segundo Sharra, mulheres que não tomam essas atitudes recebem olhares ofensivos e sentem vergonha. Para a autora, existe um estigma social que repreende o sexo feminino pelo seu próprio corpo.

Segundo o site Wired, Lauren Schulte, fundadora do Flex, defende seu produto da seguinte maneira: “Só porque não acho o sangue menstrual nojento, não significa que quero que ele se espalhe por lençóis de algodão egípicos”.

A defesa é válida.Startups devem continuar a desenvolver produtos que tragam conforto para a mulher durante o período menstrual. Mas é preciso ter em mente que, em 2016, o que o sexo feminino quer é conhecer melhor seu corpo e decidir o que fazer com ele. 

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