Tecnologia e medicina: como estaremos daqui a 10 anos?
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Tecnologia e medicina: como estaremos daqui a 10 anos?

Pedro Katchborian em 14 de outubro de 2016

Tecnologia e medicina sempre andaram lado a lado, mas a revolução digital da última década está transformando todo o sistema de saúde e a maneira com que nos relacionamos com as doenças. Exemplos não faltam: o coçar dos olhos e o bocejo despretensioso prenunciam a hora de se alinhar horizontalmente e dormir. Antes de fechar os olhos, porém, pega-se o celular e coloca-se ao lado da cama. A ideia aqui não é alimentar o vício e checar o WhatsApp assim que acordar, mas sim utilizar um aplicativo que mede a qualidade do seu sono.

Quer saber como vai o seu coração? Com o dedo indicador, um sensor e um app qualquer de smartphone você checa os seus batimentos cardíacos com precisão. Nada de colocar os dedos no pulso e contar até 60.

Se frequência cardíaca e qualidade do sono parecem simples, imagina detectar a possibilidade de câncer? O aplicativo SkinVision é capaz de analisar pintas e, usando milhares de dados, dizer se há um risco de melanoma.

Os exemplos continuam e estão todos a alguns toques no smartphone de distância. Drew Pindle, do Digital Trends, usou o exemplo do SkinVision para mostrar a evolução da ciência. Em 2008, ele se preocupou com uma pinta em seu braço que estava crescendo. Depois de duas semanas e de dois médicos, detectou que não era nada para se preocupar. Atualmente, consegue fazer isso mais rápido “do que amarrar o cadarço os sapatos“.

Toda essa evolução da relação da tecnologia com medicina aconteceu em menos de 10 anos. O que podemos esperar daqui a 10 anos? Celebrando uma década de existência, o Digital Trends fez uma reportagem destrinchando algumas das inovações que devem estar presentes na área médica nos próximos anos.

As diferentes relações de tecnologia e medicina

Internet da saúde

A tal internet da saúde se refere muito aos exemplos supracitados. “Em 2006, ninguém tinha um smartphone no bolso”, diz Drew. “Agora um celular barato pode checar a sua frequência cardíaca e contar o número de passos que você dá”, completa. Até algo mais complicado pode ser obtido pelo poder do smartphone: um otoscópio pode diagnosticar infecções de ouvido e um estetoscópio inteligente pode identificar ritmos cardíacos anormais.

O Dr. Eric Topl, cardiologista do Scripps Translational Sciente Institute diz que “estamos vendo a digitalização dos seres humanos“. Segundo ele, essas ferramentas de fácil uso no smartphone podem cortar gastos, reduzir o uso dos médicos e dar mais poder aos pacientes. E, com o tempo, a tendência é que existam cada vez mais dados dos pacientes, o que vai facilitar o diagnóstico. “O paciente vai começar a tomar conta de tudo, indo aos médicos para pedir conselhos e fazer uso da sua experiência”, afirma.

Medicina e computação

Seria impossível não falar de tecnologia e medicina e não citar a computação. Os computadores estão presentes em hospitais desde a década de 50, mas passaram de simples máquinas de checar sinais vitais para equipamentos de prevenção de doenças fatais. Boa parte desse avanço se deve aos algoritmos e à inteligência artificial.

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“Olhar para doenças através da biologia tradicional é como ver um complexo quebra-cabeças com um enorme número de peças. O resultado pode ser uma figura bem incompleta”, diz o Dr. Raimond Winslow, diretor do John Hopkins University Institute, ao Digital Trends. A medicina computacional pode ajudar a montar esse quebra-cabeça e analisar como cada uma delas se monta.

Estatísticas, big data e inteligência artificial podem se reunir e desenvolver a prevenção de doenças. Por exemplo, pesquisadores recentemente criaram um algoritmo que mapeia como uma doença se espalha de acordo com o que as pessoas dizem sobre estarem doentes no Twitter. Outro estudo descobriu padrões em ressonâncias magnéticas e pode ajudar a detectar a presença do Alzheimer — até mesmo em pessoas que ainda estão saudáveis. Existem algoritmos que podem diagnosticar depressão e ansiedade analisando padrões na voz da pessoa. A lista continua.

Edição de genes

Nós já falamos sobre o potencial da edição de genes aqui no Free The Essence. Qualquer discussão sobre tecnologia e medicina precisa trazer uma menção a técnica CRISPR-CAS9, que consiste em editar partes do DNA como se fosse um photoshop para genes.

A eficiência e a facilidade da técnica tornam a inovação um dos principais destaques da medicina do futuro. Só nos últimos dois anos, pesquisadores conseguiram erradicar HIV de células de ratos. Vale lembrar que é uma tecnologia que surgiu há apenas quatro anos, portanto há muito o que ser explorado.

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O primeiro teste em edição de genes usando a técnica em humanos está em curso. Na China, um grupo de médicos vai tentar tratar um paciente com câncer injetando células modificadas pelo método CRISPR-Cas9.

Medicina regenerativa

As células-tronco não são tão novidade assim, mas as suas aplicações continuam rendendo até hoje. Mesmo lidando com problemas de ética por envolver embriões humanos, as células-tronco podem ser utilizadas em diferentes frentes da medicina.

Foto: Istock/Getty Images

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Em 2010, cientistas utilizaram essas células para tratar uma pessoa com lesão na medula espinhal. Em 2012, outro teste conseguiu tratar de maneira bem-sucedida uma mulher com degeneração macular. As pesquisas envolvendo células-tronco também podem ajudar em doenças como diabetes, Mal de Parkinson, Alzheimer e outros problemas.

A grande novidade nos últimos anos envolveu as células-tronco e impressoras 3D. Usando biotintas com células-tronco, cientistas estão conseguindo crescer órgãos e tecidos fora do corpo humano.

Neurociência

Em 2014, o futurista Michio Kaku disse que “aprendemos mais sobre o cérebro nos últimos 10 ou 15 anos do que em toda história humana“. Isso se deve a descobertas do cérebro envolvendo pensamentos, emoções e zonas do cérebro. A análise desse processo pode ter importantes aplicações em doenças mentais ou neurológicas. Entre essas técnicas recentes, a optogenética é uma que tem se destacado. Ela permite que cientistas consigam ligar e desligar neurônios.

A conclusão sobre tecnologia e medicina

Depois de elencar todos esses elementos que podem ter grande impacto no futuro de nossas vidas, o Digital Trends aponta para um possível problema: como farmacêuticas, hospitais e médicos lidariam com esses avanços.

Para Daniel Kraft, presidente do Exponential Medicine na Singularity University, o problema é estrutural. “Eu sou um pediatra. Portanto, se eu faço dinheiro ao ver crianças com infecções no ouvido e agora existe um aplicativo para isso — e eu não posso cobrar por indicar — não vou ser incentivado a usar a essa tecnologia mais nova e efetiva”, diz.

Para ele, problemas desse tipo precisam ser resolvidos com uma mudança até de propósito do médico:

O sistema de saúde te pagaria para te manter saudável. O incentivo seria para te manter fora do hospital, não para fazer procedimentos.

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