Poderia a bioengenharia trazer os dinossauros de volta à vida?
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Poderia a bioengenharia trazer os dinossauros de volta à vida?

Pedro Katchborian em 12 de outubro de 2016

O ano é 1993. Enquanto as rádios tocavam Whitney Houston e crianças perdiam horas no Super Nintendo, um filme era lançado e encantava crianças e adultos: “Jurassic Park”. Vinte e três anos e algumas sequências depois, os tiranossauros e estegossauros de Steven Spielberg continuam dando o que falar. Filmes de ficção científica são capazes de mexer com todo o nosso imaginário, mas poucos conseguem trazer tantas discussões científicas como “Jurassic Park”. Afinal, poderia a bioengenharia de hoje trazer os dinossauros de volta à vida?

A criança dentro desse repórter que vos fala gostaria que a resposta fosse sim — o adulto também, na verdade. Mas, segundo muitos estudos, tudo indica que não poderemos ter velociraptores de estimação tão cedo. A não ser que várias descobertas feitas até hoje estejam erradas ou se encontre outra maneira de trazer os gigantes de volta à vida mais rápido.

Antes de explicar os motivos dessa triste notícia de que não teremos um “Jurassic Park” da vida real agora, vale explicar como Spielberg e sua equipe de roteiristas fizeram no filme. No longa, criar dinossauros parece fácil. Tudo por causa do âmbar, resina da árvore fossilizada. No filme, o personagem de John Hammond monta uma equipe para buscar âmbar com potencial para a clonagem do dinossauro, ou seja, mosquitos fossilizados dentro do âmbar. A ideia seria encontrar insetos que teriam picado dinossauros e o sangue teria fossilizado nessa resina, podendo assim clonar os animais com ajuda da bioengenharia.

Foto: Istock/Getty Images

Foto: Istock/Getty Images

A ideia parece até viável para leigos, mas cientistas explicam que não funciona bem assim. Um estudo publicado em 2012 pela Nature mostrou que o DNA tem somente 521 anos de meia-vida (quando o DNA chega a uma semidesintegração).

Paleontólogos da Universidade de Copenhagen examinaram 158 fósseis de um pássaro gigante chamado moa. Os ossos, que tinham entre 600 e 8 mil anos, tinham quase a mesma condição de preservação. Comparando a degradação de cada DNA, os pesquisadores puderam calcular que o DNA tem a meia-vida de 521 anos. Isso significa que depois de 521 anos, metade das ligações do DNA estariam quebradas.

Mas e em condições certas de temperatura? Nem assim. O estudo concluiu que DNA de fósseis preservados na temperatura ideal de -5ºC estariam destruídos em 6,8 milhões de anos. Última vez que os dinossauros andaram pela Terra: 65 milhões de anos atrás. Ou seja: nada de pterossauro voando por aí — pelo menos não com essa ideia. “Isso confirma os relatos de que o DNA de dinossauros presos em âmbar são incorretos”, diz Simon Ho, biólogo da Universidade de Sydney, para a Nature.

Isso significa que a bioengenharia não vai trazer dinossauros?

Não, calma. Isso significa que o método mais conhecido para tentar trazer os dinossauros de volta à vida é impraticável por que não existe DNA de dinossauro recente perdido por aí. A técnica é válida, desde que haja DNA disponível. Por exemplo, até hoje cientistas ainda tentam fazer o mesmo com mamutes congelados. Como mamutes de 10 mil anos atrás foram encontrados em bom estado e até com sangue líquido, torna-se mais real essa possibilidade.

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Com o avanço das técnicas de bioengenharia e edição de genes, talvez exista outra possibilidade. Uma ideia, por exemplo, é fazer uma “de-evolução”. A evolução em técnicas de bioengenharia e edição de genes podem permitir que cientistas “de-evoluam” um pássaro, hackeando os seus genes e fazendo o processo de evolução fazer o caminho contrário.

Um estudo de 2015 usou a técnica: bloqueando algumas proteínas que influenciam a maneira que a cabeça de uma galinha cresce, o embrião desenvolveu um crânio que lembra o de um réptil, pois não tinha bico.

Mesmo sendo tecnicamente possível, o problema é que, além de todo problema ético de modificar genes e trazer dinossauros de volta, não são muitas pessoas interessadas em investir dinheiro nessas pesquisas — vale lembrar que construir e operar um parque como o “Jurassic Park” custaria cerca de US$ 23 bilhões, segundo esse vídeo do YouTube que mostra os cálculos. E, por mais que a nossa criança interior queira muito ver um tiranossauro, os cientistas concordam que seria uma loucura trazê-los de volta.

De qualquer forma, é interessante saber que o método da “de-evolução” poderia trazer essa convivência humano-dinossauro. Segundo Roman Iwasaki, que estuda biologia na Universidade do Colorado, a técnica de bioengenharia seria possível, mas “levaria centenas de anos”. “Mas seria muito mais rápido que o processo natural de evolução, por que estaríamos guiando”, afirmou ao San Francisco Gate.

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