China poderá ter primeira cidade a funcionar com carros autônomos
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Hong Kong Foto: Istock/Getty Images
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China poderá ter primeira cidade a funcionar com carros autônomos

Kaluan Bernardo em 2 de janeiro de 2017

Wuhu é uma cidade no leste chinês, com aproximadamente 3 milhões de habitantes. Bastante antiga, foi criada no século 2 a.C. e, em breve, poderá se tornar uma das mais futuristas do planeta. Isso porque Wuhu deverá ser a primeira cidade a funcionar completamente com carros autônomos.

A ideia é da Baidu, normalmente chamado de “Google da China”, empresa que pretende colocar carros, vans e ônibus autônomos na cidade durante os próximos anos. Inicialmente, os carros deverão circular sem passageiros e apenas em algumas regiões especiais para o teste. Em algum momento, essas áreas serão expandidas e os carros poderão levar pessoas.

Eles querem ser a primeira cidade do mundo a abraçar os veículos autônomos”, disse Wan Jing, chefe da divisão de carros do Baidu, em entrevista ao programa de rádio Click, da britânica BBC. “É a primeira cidade corajosa o suficiente, ousada o suficiente e inovadora o suficiente para testar a direção autônoma”, comentou.

A aposta da Baidu para carros autônomos

A primeira fase deverá durar três anos e envolverá áreas muito específicas. Depois desses três anos, os carros poderão ser vendidos para os consumidores de Wuhu por mais dois anos, mas ainda circulando apenas em regiões pré-determinadas. Caso o programa dê certo, depois de cerca cinco anos, toda a cidade será aberta para veículos convencionais e autônomos.

A empresa ainda está testando seus automóveis na província de Anhui e em estradas públicas de Beijing. A Baidu pretende começar a vender carros autônomos em vários lugares do mundo ainda em 2020.

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Jing vê os carros autônomos como uma evolução na eficiência da mobilidade urbana. Segundo ele, hoje os veículos são um grande desperdício de recursos porque ficam parados a maior parte tempo. O executivo acredita que os robôs poderão impulsionar o compartilhamento e otimização dos automóveis, fazendo com que eles não sejam mais subutilizados. Por isso, apostam em parcerias com negócios de carona compartilhada, como o Uber — empresa da qual a Baidu é investidora.

Tal como o Google, no entanto, a Baidu não pretende produzir os carros autônomos — apenas seu software. Para isso, apostam em sua expertise no mapeamento de dados e inteligência artificial, cujo departamento é liderado por Andrew Ng, cofundador da plataforma de educação online Coursera e pesquisador da Universidade de Stanford. As pesquisas de Ng foram essenciais para a criação do projeto do Google Brain, um dos mais avançados em inteligência artificial.

As regulações e os dilemas morais dos carros autônomos

Talvez um dos maiores desafios que os interessados em carros autônomos enfrentem nem seja de ordem tecnológica, mas sim jurídica. Afinal, o debate para regular o sistema, envolve discussões novas, cheias de nuances, e temas polêmicos, como a moral da inteligência artificial.

carros autônomos

Foto: Istock/Getty Images

No final de maio de 2016 aconteceu uma tragédia com um veículo semiautônomo da Tesla, nos Estados Unidos. Ele estava no sistema de auto-piloto do Model S, quando um caminhão fez uma curva para a esquerda à sua frente, em um cruzamento, e os sensores dos veículos não perceberam, fazendo com que ele entrasse embaixo da carreta. O passageiro morreu na hora.

Esse foi o primeiro acidente do tipo. Pesquisas mostram que os automóveis autônomos podem reduzir em 90% dos acidentes de trânsito. No entanto, nos 10% restantes, os veículos deverão decidir, por exemplo, se sacrificam o passageiro ou alguém na rua.

Se os fabricantes optarem por proteger o passageiro, poderão colocar a vida de mais pessoas em risco; no entanto, se colocarem o passageiro em risco, menos pessoas poderão comprar os carros autônomos e, consequentemente, a tal redução nos acidentes de trânsito não aconteceria. Hipoteticamente, menos vidas seriam salvas. Por essa e por outras questões, o debate está só começando.

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