Como a inteligência artificial mudará nossas vidas até 2030
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Como a inteligência artificial mudará nossas vidas até 2030

Kaluan Bernardo em 29 de novembro de 2016

Pelo menos até 2030 não deveremos ver nenhum robô ameaçando a humanidade. Por outro lado, a inteligência artificial (IA) se tornará sim, cada vez mais, parte de nosso dia a dia. Ela melhorará nossa saúde, segurança e produtividade. É o que diz um estudo conduzido pela Stanford University.

A publicação é parte de um projeto de Stanford chamado AI100, que se propõe a estudar o tema por 100 anos. Eles começaram em 2014 e o primeiro relatório foi publicado agora em 2016. O projeto é encabeçado por Eric Horovitz, aluno da universidade e ex-presidente da Associação para Avanço da Inteligência Artificial.

O estudo projeta como estará a tecnologia em uma típica cidade norte-americana em 2030. Segundo os pesquisadores, apesar de o potencial de abuso da inteligência artificial precisar ser conhecido e apontado, seus benefícios podem ser muito maiores — incluindo a possibilidade dirigir com mais segurança, ajudar crianças a aprenderem e estender a expectativa de vida das pessoas. “Na verdade, aplicações benéficas de IA em escolas, casas e hospitais já estão crescendo a uma velocidade acelerada”, dizem.

Todos os anos a pesquisa será reapresentada, com novas ideias e discussões que surgirem em torno do tema. A ideia é projetar sempre a prazos médios, como 15 anos, uma vez que se olharem muito para frente as chances de errar são maiores.

Quais são as mudanças que a inteligência artificial deverá trazer até 2030

A inteligência artificial deverá mudar como nós interagimos com tecnologias. “A relação dos cidadãos do futuro com máquinas será mais sutil, fluída e personalizada conforme sistemas de IA aprenderem a se adaptar a personalidades individuais e metas. Essas aplicações irão ajudar a monitorar o bem-estar das pessoas, alertar quando existirem riscos a frente ou entregar serviços quando for necessário ou desejável”, diz o relatório.

Um exemplo está nos transportes — não só de automóveis, mas também de caminhões, drones e robôs pessoais. O estudo acredita que carros autônomos serão uma realidade e transportarão, sob demanda, pessoas e objetos. Isso irá reconfigurar a paisagem urbana, ao passo em que desafios de estacionamento e congestionamento se tornarão obsoletos. Essa deverá ser a primeira experiência física que muitos terão com a inteligência artificial e ajudará muito as pessoas a mudarem sua percepção sobre a tecnologia.

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Outra mudança que as pessoas deverão notar serão nos robôs de serviços domésticos. “Processadores mais potentes, sensores 3D de baixo custo, aprendizagem automática na nuvem e avanços no reconhecimento de fala melhorarão os serviços dos robôs e suas interações com as pessoas”, afirma o estudo.

Sim, teremos robôs para limpar as casas, entregar objetos e garantir a segurança, mas não se empolgue tanto: o relatório diz que, até 2030, as limitações técnicas e os altos custos de máquinas confiáveis continuarão a limitar as possibilidades comerciais de tais tecnologias.

Já na saúde estamos vendo algumas das mudanças, como os diversos sistemas e aplicativos que coletam nossos dados. No futuro, deveremos ver mais robôs operando cirurgias com precisão e oferecendo serviços pontuais dentro dos hospitais.

No entanto, para que a tecnologia avance mais rápido, será necessário que se compartilhe dados e se vença obstáculos regulatórios e comerciais. “Sistemas de IA deverão trabalhar perto de instituições de saúde e pacientes para ganhar sua confiança. Avanços no como as máquinas inteligentes interagem naturalmente com profissionais, pacientes e familiares dos pacientes são cruciais”, afirma a publicação.

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Caso sejam feitos investimentos e incentivos em pesquisas para usar a inteligência artificial sem fins comerciais, comunidades pobres também poderão se beneficiar da tecnologia. É possível, por exemplo, usar mineração de dados e aprendizagem automática para governos e agências criarem modelos preditivos e distribuírem alimentos ou evitarem contaminações de crianças com maior eficácia. É possível também oferecer informações de saúde de acordo com os principais problemas enfrentados por cada região.

No entanto, “deve se tomar cuidado para prever que sistemas de IA reproduzam comportamentos discriminatórios, ao passo em que o aprendizado automático identifique pessoas por indicadores ilegais de raça”, ressalta o estudo.

Já na educação, as interações mais fluídas, embora tenham potencial, seguem como um grande desafio. A pesquisa diz que teremos professores robóticos ajudando nas salas de aula, mas eles não irão substituir os humanos.

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O potencial da tecnologia está em oferecer personalização individual em larga escala. Processamento Natural de Linguagem, aprendizagem automática e crowdsourcing permitirão que os professores aumentem o tamanho de suas salas de aula e acompanhem as dificuldades de cada aluno, que deverá usar muito mais tecnologia tanto dentro de casa quanto na escola.

Quando falamos de segurança pública, a questão passa a ficar mais controversa, apesar do grande potencial, diz o estudo. Câmeras, drones e algoritmos poderão aumentar muito a vigilância e ajudar policiais a prever crimes e detectar fraudes financeiras. Hoje, as câmeras tendem a ser mais usadas para solucionar ocorrências do que prevê-las — uma vez que é impossível monitorá-las simultaneamente. No entanto, conforme a inteligência artificial avançar, há a expectativa que se desenvolva sistema de monitoramento autônomo.

Questiona-se o quanto os sistemas não poderão invadir a privacidade das pessoas, acusar inocentes e restringir a liberdade humana. A pesquisa é otimista em relação ao assunto e, novamente, diz que é tudo questão de criar corretamente. “Ferramentas de IA para predição, se bem desenvolvidas, têm o potencial de oferecer novos tipos de transparência sobre dados e conclusões, e pode ser bem aplicado para detectar, remover ou reduzir o preconceito humano, em vez de reforçá-lo”.

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O mundo do trabalho também irá mudar consideravelmente e traz grandes preocupações. A inteligência artificial irá acabar com diversos empregos, como motoristas de táxi e de caminhão. Mas, novamente, o estudo aposta no otimismo: acredita-se que serão criados novos tipos de empregos que hoje sequer conhecemos.

A outra face dessa moeda é que os produtos e serviços deverão ficar mais baratos. “No longo prazo, a IA poderá ser pensada como um mecanismo radicalmente diferente na criação de riquezas na qual todos deverão receber uma porção dos tesouros produzidos pela IA. Não é muito cedo para um debate social sobre como os frutos econômicos das tecnologias de IA deverão ser compartilhados”, diz.

Por fim, haverá mudanças no entretenimento. Haverá inteligência artificial criando música, performances no palco e até mesmo criando cenas tridimensionais a partir de textos escritos. Essas tecnologias já existem, mas deverão crescer consideravelmente nos próximos anos.

Nem todos são tão otimistas em relação à inteligência artificial

Outros cientistas também enxergam o potencial da inteligência artificial, mas não sabem dizer se ela será tão corretamente desenvolvida de forma que garanta tantos benefícios à sociedade.

Stephen Hawking é um deles. “A inteligência artificial é ou a pior ou a melhor coisa que aconteceu com a humanidade”, disse outrora. Ele teme a criação de uma máquina de super inteligência com vontade própria. Apesar disso, também reconhece que os possíveis benefícios podem ser enormes.

“Primeiro, as máquinas vão fazer muitos trabalhos para nós e não serão superinteligentes. Isso deve ser positivo, caso consigamos trabalhar bem. Algumas décadas depois, porém, a inteligência vai ser alta o suficiente para ser uma preocupação“, comentou em outra oportunidade.

Elon Musk, um dos grandes inventores de hoje, está investindo em mais de 37 equipes de pesquisa para garantir que a inteligência artificial não sairá de controle e se transformará em uma ameaça à humanidade.

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