O problema com a comunicação da inteligência artificial
Robô Inteligência Artificial
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O problema com a comunicação da inteligência artificial

Pedro Katchborian em 17 de março de 2017

A inteligência artificial tem um problema de comunicação. É normal que o primeiro pensamento que venha à mente quando se debate o tema é aquele robô assassino que irá tomar o mundo enquanto nós dormimos. Para Jerry Kaplan, professor da Universidade de Stanford, em texto do MIT Technology Review, a inteligência artificial precisa encara um desafio de relações públicas. “Se a inteligência artificial fosse nomeada de algo menos assustador, provavelmente nós nos preocuparíamos menos”, afirma.

Jerry detalha o seu pensamento:

Embora seja verdade que as máquinas possam fazer tarefas (jogar xadrez, dirigir carros) que eram restritas aos humanos, isso não significa que as máquinas estão ficando mais inteligentes e ambiciosas. Isso só significa que elas estão fazendo o que pedimos.

Kaplan acredita que os robôs estão chegando, mas não para nos exterminar e roubar os nossos empregos. “Máquinas não são pessoas“, afirma. Para reforçar seu argumento, ele usa como exemplo outras revoluções em que homens “habilidosos e com conhecimento” foram substituídos por máquinas. Outro exemplo é que até o meio do século 20 não existiam calculadoras: havia uma profissão específica para fazer cálculo. Agora, esse matemático ou engenheiro é contratado para utilizar habilidades mais específicas, como análise estatísticas.

O professor também cita que a inteligência artificial é apenas parte dessa revolução. O aprendizado das máquinas se mostrou muito útil para determinados problemas envolvendo a AI, como identificar objetos e converter palavras faladas em escrita. O aprendizado das máquinas está por trás do poder de recomendação da Netflix, descrição de vídeos do YouTube e reconhecimento de faces no Facebook.

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Para o autor, o discurso público da inteligência artificial não condiz com a realidade. O Watson, da IBM, é constantemente lembrado por vencer o programa Jeopardy!, por exemplo. Outro acontecimento marcante foi quando o computador Deep Blue, também da IBM, venceu o campeão mundial Kasparov no xadrez, em 1997. Essa ideia de homem versus máquina contribui para o imaginário de que qualquer dia Arnold Schwarzenegger vai aparecer na nossa casa para nos matar — e o uso real da inteligência artificial não é valorizado.

A sugestão: mudar o termo “inteligência artificial”

Por último, o professor sugere que o próprio nome “inteligência artificial” é um problema para a disseminação do verdadeiro conceito por trás da tecnologia. Quem cunhou o termo, há mais de 50 anos, foi John McCarthy, em uma conferência realizada no Darmouth College. Na época, ele a definiu como “a ciência e engenharia de produzir máquinas inteligentes”.

Kaplan defende que, caso o nome fosse menos assustador, as pessoas poderiam associá-lo a tarefas que são mais condizentes com o que ocorre na prática, como operações de pesquisa e de análise. Kaplan até sugere um nome menos provocativo: computação antrópica.

A conclusão do texto é que nós deveríamos parar de tratar essas maravilhas modernas como proto-humanas e falar delas como uma nova geração de máquinas flexíveis e poderosas. “Em vez disso, devemos resistir à nossa predisposição de atribuir traços humanos às nossas criações e aceitar essas invenções notáveis ​​pelo que elas realmente são – ferramentas potentes que prometem um futuro mais próspero e confortável”, conclui.

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