Como a Darpa quer criar uma inteligência artificial que se proteja sozinha
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Como a Darpa quer criar inteligência artificial que se proteja sozinha

Kaluan Bernardo em 9 de agosto de 2016

Há anos, a Darpa, agência militar de pesquisa avançada dos EUA, investe em pesquisas de ponta para criar tecnologias de inteligência artificial e automação. Ela está por trás de robôs que conseguem desviar de obstáculos, carros que dirigem sozinhos e drones autônomos de alta velocidade. Agora, quer criar softwares que conseguem se proteger de vírus.

No início de agosto, a agência realizou mais uma edição de seu tradicional evento Darpa Cyber Grand Challenge, no qual hackers de ponta disputam entre si para invadir o sistema um do outro — uma modalidade conhecida como “Capture the Flag” (“pegue a bandeira”, em português). Nesse ano, porém, foi diferente. O desafio era criar softwares que conseguissem atacar e se defenderem sozinhos, sem qualquer intervenção humana.

A final do evento evento aconteceu em Paris e foi disputada por sete times. Foram oito horas de desafios. A equipe vencedora foi a Mayhem, da Universidade de Carnegie Mellon, que levou para casa US$ 2 milhões em prêmios. O segundo lugar foi um sistema chamado Xandra, desenvolvido por uma equipe de Nova York, que levou US$ 1 milhão; e o terceiro foi Charlottesville, de Virgínia, que levaram US$ 750 mil. Veja no vídeo abaixo alguns dos melhores momentos:

O desafio faz parte de um projeto que começou em 2013 para criar sistemas de defesa digital autônomos. Ele foi proposto por Mike Walker, gerente de programa da Darpa, que trabalhava com carros autônomos na época. “Estou confiante de que [os resultados alcançados] irão nos deixar mais perto do dia que ataques em rede não terão mais a vantagem inerente que desfrutam hoje”, declarou em comunicado à imprensa.

Porque a Darpa quer criar sistemas que se protegem sozinhos

Criar um sistema que seja capaz se defender sozinho é uma antiga ambição de engenheiros da computação. Para conseguir, é necessário responder uma clássica e difícil pergunta: “como esse código poderia falhar?”.

A resposta, muitas vezes, demora meses ou até anos para ser descoberta por alguém. E, quando é, o hacker consegue explorar a falha por um bom tempo até os desenvolvedores criarem a correção. É aí que surgem muitos dos vírus de computadores e brechas de cibersegurança que conhecemos.

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Com os resultados alcançados no novo desafio, a Darpa deu um passo em direção a criação de sistemas que se protegem sozinhos. Os programas, no entanto, competiram apenas contra outros robôs. O real desafio será um dia eles se defenderem contra ataques humanos. Se as pesquisas progredirem e esse dia chegar, o campo de especialistas em cibersegurança e toda a teoria da computação poderão mudar drasticamente. A inteligência artificial estará à frente da humana — pelo menos na informática.

A ideia parece impossível para muitos. Mas, como o site The Verge lembra, o clima era o mesmo há uma década, quando a Darpa criou um desafio semelhante para desenvolver um carro autônomo. Na época, ninguém conseguiu. Hoje, estamos a um passo de torná-los realidade.

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