Por que o diamante, não o silício, pode ser o futuro da tecnologia
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Foto: Istock/Getty Images
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Por que o diamante, não o silício, pode ser o futuro da tecnologia

Kaluan Bernardo em 29 de julho de 2016

O diamante poderá substituir o silício e se tornar o principal material para a construção de dispositivos tecnológicos. Essa é a aposta do engenheiro Adam Khan, fundador da Akhan Semiconductor, uma startup estadunidense que quer alterar as bases da tecnologia.

Desde a década de 1960, o silício está presente em quase todos os dispositivos eletrônicos e é o material principal para a construção do semicondutor, um dos mais importantes componentes de qualquer gadget. Não é por acaso que o Vale do Silício, região da Califórnia (EUA), onde estão as principais empresas de tecnologia do mundo, leva esse nome.

Mas o silício tem seus poréns. A “Lei de Moore“, por exemplo, que diz o quanto a tecnologia poderia dobrar sua capacidade a cada 18 meses, está em xeque em parte por conta dos limites do silício. Além disso, o material esquenta bastante, o que faz com que se gaste tempo, espaço e recursos apenas para esfriar o silício dentro do seu smartphone.

No entanto, Khan aposta que pode mudar o cenário com diamantes. Em um texto na revista Wired, ele diz que o diamante consegue esquentar cinco vezes mais do que o silício, mas sem perder performance; é 22 vezes mais fácil de se esfriar; tolera altas voltagens; e tem condução de elétrons mais eficaz.

A expectativa, segundo Khan, é conseguir criar smartphones menores e mais baratos, já que eles poderão ser mais rápidos, finos e não será necessário criar complexos sistemas de refrigeração para eles. As aplicações vão também para empresas de aviação, câmeras, e data centers — que economizariam energia e espaço.

A mudança da tecnologia também promete ser sustentável. Segundo a Akhan, produzir um semicondutor de diamante gasta 20% menos água do que o silício. E como eles não perdem perfomance ao esquentar, é possível cortar entre 85% e 90% de materiais térmicos.

Criando diamantes para tecnologia

O problema, você deve estar pensando, é o preço. Mas o diamante de que estamos falando aqui nada tem a ver com o das joias, feito pela natureza. Na verdade ele é fabricado artificialmente e produzido com algumas das moléculas mais comuns da Terra: metano e hidrogênio.

A Akhan produz os diamantes em parceria com o Argonne National Laboratory, um dos mais tradicionais do Departamento de Energia dos Estados Unido. No processo, eles expõem metano e hidrogênio a micro-ondas de energia até chegarem a um estado de plasma e criar um diamante que tem 1/70 do diâmetro de um cabelo humano.

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Futuramente, a Akhan espera conseguir produzir os diamantes capturando o metano e outros poluentes emitidos pelos carros. A empresa já está criando dispositivos que combinam diamante e silício e vendendo-os a indústrias específicas. Em dois anos pretendem começar a produzir semicondutores de diamante que estarão nos eletrônicos do nosso dia a dia. É um bom nicho para se competir — só em 2016, a expectativa é que o mercado de semicondutores movimente aproximadamente US$ 327 bilhões.

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