Conheça 5 grandes questões de ética da tecnologia
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5 grandes questões de ética da tecnologia

Kaluan Bernardo em 24 de julho de 2016

Se um carro autônomo tiver que escolher entre atropelar quem está na rua ou sacrificar quem está dentro do veículo, o que ele deverá optar? Usar um drone em uma guerra para evitar a morte de soldados é válido ou é covardia? São questões nada simples de responder e que envolvem grandes debates sociológicos, filosóficos, morais e éticos. No entanto, esses dilemas provocados pelo avanço da tecnologia estão cada vez mais próximos. Logo, poderão ser inevitáveis.

Por isso, campos como Filosofia da Tecnologia discutem os principais dilemas éticos que nossa geração terá que resolver. Alguns poderão se tornar reais, outros não. E muitos irão por um terceiro caminho, que trará novas questões para nós.

O fato é que com o avanço exponencial da tecnologia, as mudanças deverão acontecer cada vez mais rapidamente. E o que antes parecia um debate para as futuras gerações, poderá ter que se decidido em uma reunião emergencial no próximo ano. No entanto, o impacto das decisões sobre esses temas poderá se perpetuar por séculos no mundo todo.

Dilemas das novas tecnologias

1) Vigilância em vídeo em tempo real

Você provavelmente já perdeu muitas horas brincando no Google Earth ou no StreetView vendo os mais remotos locais do planeta ou mesmo alguma situação inusitada em um bairro próximo ao seu.

E se essas imagens fossem todas atualizadas em tempo real, como um “Big Brother” do mundo todo? Ou, se preferir, exatamente como em “1984”, de George Orwell. Empresas como Planet Labs, Skybox Imagine, Digital Globe e o próprio Google estão cada vez mais perto de ter esse poder. E elas podem deixar as imagens abertas a todos ou transformar em dados e vender a corporações.

No entanto, as imagens seriam de espaços públicos, não privados. Com base no que poderia se proibir esse tipo de movimento? Afinal, elas estariam filmando tudo o que acontece em todas as ruas do mundo — incluindo tragédias e guerras ou dando material de sobra para maníacos e perseguidores.

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2) Tecnologias vestíveis

Relógios inteligentes, o Google Glass e aplicativos que mensuram seus batimentos cardíacos são apenas a ponta do iceberg das tecnologias vestíveis. Em breve teremos diversos outros dispositivos que irão analisar, em tempo real, detalhes do nosso corpo. Além disso, eles poderão permitir que pessoas gravarem e fotografarem tudo o que veem o tempo todo.

Mais uma vez quem fica ameaçada é a privacidade. Empresas coletarão seus dados com o argumento de que é para melhorar sua saúde. Haverá regras para proibir pessoas de gravarem conversas ou filmarem na rua? Mas aí haveria censura? Qual o limite das regras?

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3) Uso de tecnologia na guerra

Há quem acredite que a guerra é inevitável, mas que certas técnicas podem minimizar os impactos do combate. Normalmente eles partem do uso de tecnologia para isso.

Um exemplo são os drones. Usados como substituto de soldados, a promessa é que possam caçar apenas alvos perigosos e evitar a morte de civis. Os defensores do sistema argumentam que ele consegue reduzir o número de mortes desnecessárias dos dois lados do combate.

No entanto, como o francês Gregoire Chamayou mostra no livro “A Teoria do Drone”, muitas vezes esses dispositivos causam efeitos devastadores nos civis, que passam a viver com medo das máquinas caçadoras no céu de seus países. Além disso, o dispositivo é imperfeito e, muitas vezes, seus controladores podem matar pessoas inocentes sem sentir o peso de assassinar alguém — já que tudo aconteceu à distância e intermediado por uma tela.

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4) Ciberguerra contra o estado

Outra fronte de guerra no campo tecnológico é a virtual. E, aqui, os soldados não são apenas os escolhidos pelo estado. Um grupo de hackers pode atacar um país. E aí surgem diversas questões: um país pode revidar um ataque individual de hackers? Há um limite para a retaliação virtual? Se uma empresa chinesa ataca um governo norte-americano, em quem deve ser feito o contra-ataque?

5) Os limites da impressão 3D

A impressão 3D pode ser usada para diversos motivos nobres, como a criação de próteses de membros. Também pode democratizar a manufatura e ajudar pequenos produtores. Essa popularização, no entanto, também permite criar materiais mais escusos, como armas (feitas de plástico) e bombas.

Os ativistas do armamento veem na tecnologia a possibilidade de qualquer um poder criar seus meios de defesa. Já quem acredita no desarmamento vê aí uma perigosa forma de aumentar assassinatos e ataques terroristas.

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