Qual a relação entre Frankenstein e a inteligência artificial
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O que estudiosos de inteligência artificial podem aprender com Frankenstein?

Kaluan Bernardo em 8 de fevereiro de 2017

Nas palavras de Stephen Hawking, a inteligência artificial pode ser “a melhor ou a pior coisa para a humanidade“. Nossa própria criação, uma inteligência artificial pode catalisar a extinção do seres humanos ou se tornar uma poderosa ferramenta para vivermos melhor. Teoricamente, o poder de decidir qual dessas duas opções acontecerá está nas mãos dos pesquisadores atuais e futuros. Nesse cenário talvez seja válido se voltar a uma famosa obra da ficção científica: Frankenstein, de Mary Shelley.

A relação entre a tecnologia e a obra é proposta por Charlotte Gordon, escritora e crítica literária, no site Slate. Na obra, de 1818, o doutor Victor Frankenstein tenta criar um ser humano feito de retalhos. No entanto, percebe que criou um monstro que o perseguirá e espalhará o caos.

Charlotte vê na narrativa três erros essenciais cometidos por Victor Frankenstein, que devem ser compartilhados com os pesquisadores de inteligência artificial, para que eles não transformem a ficção em realidade. São eles: se isolar; negar sua criação; viver em uma sociedade pouco preparada.

O que Frankenstein nos ensina sobre inteligência artificial

Não se isole

Em 2015 Elon Musk lançou a OpenAI, uma organização sem fins lucrativos para nos proteger dos possíveis riscos oferecidos pela inteligência artificial. Ele tornou a organização aberta e democrática para que todas as descobertas fossem compartilhadas com qualquer um. A ideia é que mais pessoas tomem consciência e colaborem com o movimento.

A iniciativa reuniu detratores que acreditam ser arriscado tornar aberta uma iniciativa de tal tipo. Isso porque os conhecimentos podem cair nas mãos de um lunático, que os perverteria e usaria para criar o caos a partir da inteligência artificial.

No entanto, se olharmos para o livro de Shelley, a noção que temos é que Elon Musk agiu bem. Um dos principais erros de Victor Frankenstein foi se isolar. Quando percebeu que criou um monstro, o cientista não tinha nenhum colega para ajudá-lo a matar ou consertar sua criação. Isolado, morreu, sem compartilhar seu conhecimento, deixando a criatura livre pelo mundo. Para que o erro não se repita é necessário que existam muitos cientistas acompanhando de perto a evolução da inteligência artificial. Se algo sair do controle, algum deles poderá trazer a solução.

Não negue sua criação

Victor Frankenstein queria criar um ser humano ideal. Mas nos primeiros momentos viu que gerou um monstro e passou a negar sua “paternidade”. Seu “filho”, no entanto, não era naturalmente um monstro. A rejeição de seu criador é que desencadeou uma série de sentimentos ruins. A maioria dos maus eventos da narrativa acontecem porque a criatura procurava o amor de seu pai.

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O monstro tinha o que hoje seria chamado de “aprendizado reforçado” ou “visão escalável”. Foi programado para perseguir um objetivo até o fim, independente das consequências — no caso, encontrar o amor de seu criador. Para evitar isso hoje é necessário que aconteça um grande debate sobre a ética da inteligência artificial. Assim, o que for criado no futuro poderá ser menos pragmático e mais preparado para possíveis situações adversas.

Prepare a sociedade e garanta fundos para pesquisas

Um dos motivos para Frankenstein ter dado errado foi a falta de financiamento. Sem dinheiro para fazer uma pesquisa correta, Victor apelou a restos de diversos corpos e criou uma colcha de retalhos grotesca, que deu o caráter monstruoso a sua invenção. Além disso, a sociedade, que era preconceituosa contra esse tipo de ciência, alimentou o medo e o ódio, impedindo que o monstro finalmente encontrasse o amor que tanto procurava.

Nesse sentido, novamente parece que iniciativas como a OpenAI são sensatas. Com bastante investimento e debate aberto com a sociedade, quando os robôs dotados de inteligência artificial chegarem, eles poderão ser bem feitos e a sociedade estará preparada para aceitá-los.

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