Por que você (ainda) não tem uma impressora 3D em casa
impressora 3D
Foto: Istock/Getty Images
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Por que você (ainda) não tem uma impressora 3D em casa

Pedro Katchborian em 18 de janeiro de 2017

Ah, as impressoras 3D. Elas fazem pizza, casas, jóias e até órgãos. Que elas são muito úteis, ninguém nega, mas é improvável que na mesa da sua casa tenha uma impressora 3D agora ou até mesmo que você já tenha utilizado uma. Elas são caras e ainda não se tornaram mainstream. Mas será que elas vão se tornar tão comuns assim? Um artigo no Backchannel questiona a ambição da MakerBot, a impressora 3D mais famosa do mercado, sugerindo que a empresa possa ter sonhado alto demais na hora de traçar os seus objetivos — e como o mercado pode ter embarcado nessa falsa expectativa.

MakerBot: o futuro da impressora 3D mainstream. Ou não

A impressão 3D industrial vai muito bem, obrigado. Segundo estimativas, espera-se que o mercado valha US$ 30 bilhões até 2022. E a ideia é que os produtos fiquem cada vez mais eficientes: segundo a 3D Printing Facts and Figures, ela deve ficar 400% mais rápida e 50% mais barata nos próximos cinco anos. Grandes empresas como Ford, Nasa, Boing e General Electric utilizam impressão 3D para fazer parte de suas peças.

A questão é que a MakerBot viu um mercado de consumidores finais já pronto — o que é questionado pelo jornalista Andrew Zaleski, do Backchannel. A MakerBot virou sinônimo de impressora 3D e tinha um futuro promissor em outubro de 2009, quando Bre Pettis, dono da empresa, subiu no palco da Ignite NYC e apresentou a sua ideia: “Eu vou falar sobre a MakerBot e o futuro e a revolução industrial que estamos começando”, disse. A Wired, em 2012, colocou Pettis na capa da revista e declarou: “esta máquina vai mudar o mundo“.

Markerbot

Foto: Divulgaçaão

Nos anos seguintes, a MakerBot viveu o drama de muitos no Vale do Silício. Depois da empolgação, boas vendas e uma perspectiva de crescimento, a empresa está em declínio. A ideia da impressora 3D para desktop falhou nas mãos da MakerBot. Os motivos apontados pelo texto de Andrew são vários: preço e modelo de negócio foram alguns dos motivos. Enquanto a concorrência conseguia apresentar modelos que tinham preços similares a consoles de videogame — entre US$400 e US$500, a MakerBot insistia em valores como US$1.749.

Outra razão para o declínio da empresa — que fechou escritórios e demitiu funcionários — é a mudança de estratégia. Se nos primeiros modelos a empresa trabalhava com código aberto e acreditava no poder maker, os modelos mais recentes não repetiram a estratégia, o que levantou muitas críticas.

Apesar do texto da Backchannel se basear na MakerBot, o artigo deixa claro que o fracasso vai além da empresa — houve uma sensação geral de que nós, consumidores finais, estávamos prontos para comprar uma impressora 3D. A MakerBot estava convencida de que o mercado consumidor estava pronto em 2014. Em 2015, perceberam que não era bem assim. “A impressora 3D não é tão revolucionária quanto parecia — ao menos não ainda”, diz o texto.

Afinal, vamos ter impressoras 3D em casa?

O case da MakerBot significa que a impressora 3D falhou em se tornar popular? Para Ricardo Cavallini, fundador do Makers Brasil, a resposta é não, apesar de concordar com o exagero de expectativas. Para ele, a impressão 3D ainda está no começo de sua história. E esse é o principal motivo pelo qual ela ainda não se tornou popular.

Para explicar o que aconteceu com tanta expectativa, Cavallini cita o Gartner Hype Cicle — um ciclo do hype de uma tecnologia. Quando surge uma tecnologia, há um pico de expectativas muito alto. Depois de algum tempo, esse pico começa a descer e há algo como um “vale da desilusão” — que talvez seja onde a impressão 3D mainstream esteja hoje. Segundo o ciclo, o caminho a ser seguido é o da produtividade.

O criador da MakerBot, Bre Pettis, chegou a dizer que a impressora 3D seria “tão normal quanto um micro-ondas“. Para Cavallini, ainda não é bem assim. “Você está falando de um produto que hoje custa o valor de um videogame”, explica. “Olhe para o videogame, para o computador. As tecnologias demoram para evoluir”, completa Ricardo, que ainda explica que a MakerBot não é bem vista no meio — muito por ter fechado o modelo de open hardware.

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Cavallini usa o exemplo da internet para explicar como a impressora 3D ainda está longe de se popularizar. “Assim como a internet, a impressora 3D não pode ser vista como um produto em si. A internet só é valiosa quando existe todo o ecossistema dela, ela não faz sentido sozinha”, diz.

A frase de que teremos uma impressora em cada casa pode ser factível, mas isso demora de 20 a 30 anos, quando já existir um ecossistema a volta dela”, diz, lembrando que a internet só tinha alguns milhões de usuários no começo dos anos 2000. Esse ecossistema citado por Cavallini seriam softwares que facilitem o uso da impressora 3D, com arquivos pré-definidos que possibilitam qualquer criança imprimir um objeto, por exemplo.

Cliever Impressora 3D

CL1 Black Foto: Divulgação Cliever

Ele ainda ressalta que, mais do que ter uma em cada casa, o que vale mesmo é o acesso a uma impressora 3D — seja em uma biblioteca ou um serviço que pode fazer a impressão por você. Esse último é o modelo de negócio da Printare, startup brasileira que fornece impressão 3D para estudantes e empresas.

Utilizando a Cliever, impressora 3D nacional, a Printare aposta na prestação de serviço como futuro da tecnologia. “Se eu tenho uma ideia e não tenho o equipamento necessário, eu posso pedir sob demanda. A ideia é que os prestadores de serviço forneçam preços competitivos para que a pessoa possa focar no trabalho dela. Ela contrata um serviço paralelo e deixa a pessoa preocupada com a marca dela”, diz Ricardo Stary, CEO da Printare.

O futuro da Printare deve seguir o caminho apontado por Cavallini: dar cada vez mais acesso para as pessoas, tornando o serviço cada vez mais acessível e levando impressoras para centros universitários.

Em relação ao futuro geral da impressora 3D, Cavallini é cauteloso e não joga as expectativas lá em cima, mas explica que houve uma evolução significativa nos últimos anos. Além de quebras de patentes, outras tecnologias começam a surgir. A maioria dos equipamentos traz a tecnologia do filamento, mas várias empresas já trabalham com a de resina.

Além de novas tecnologias, Cavallini comenta que viu um crescimento em seu próprio trabalho — a Makers Brasil dá cursos sobre impressão 3D. Em 2016, foram mais de 1 mil pessoas que aprenderam a operar a máquina. Por último, a queda no valor também deve ser uma tendência. “O preço vai continuar caindo assustadoramente“, indica.

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