Como a Inteligência Artificial irá redefinir o conceito de amor
inteligência artificial
Foto: Istock/Getty Images
Inovação > Tecnologia

Como a inteligência artificial irá redefinir o conceito de amor

Camila Luz em 14 de setembro de 2016

A inteligência artificial promete causar mudanças na forma como trabalhamos, lidamos com nossas finanças e com a medicina. Para a empreendedora Raya Bidshahri, a maior revolução que ela irá provocar será mais complexa e existencial: irá nos fazer redefinir o conceito de amor.

Raya é co-fundadora da Intelligent Optimism, um movimento de social media que dialoga com as pessoas sobre o futuro de forma racional. A empreendedora discute as implicações éticas e existenciais de tecnologias como a inteligência artificial. “Com mais máquinas pensantes se integrando a nossas vidas, devemos esperar uma transformação na forma como definimos o que significa ser consciente; o que significa viver e morrer; e, finalmente, o que significa amar um ser não humano”, escreveu em artigo no site Singularity Hub.

Essas questões foram exploradas no filme “Her” (“Ela”), de 2013. A história fala sobre Theodore, homem que se apaixona por um sistema operacional inteligente que tem uma voz feminina (não por acaso da Scarlett Johansson) e se chama Samantha. Ela foi projetada para evoluir e adaptar sua personalidade ao usuário, agindo com empatia e fornecendo suporte psicológico. Conforme as capacidades psicológicas e intelectuais de Samantha aumentam, o amor entre ela e Theodore se desenvolve.

A inteligência artificial está evoluindo intelectualmente

Para Raya, a evolução intelectual de Samantha pode parecer impensável na vida real, mas reflete os avanços que estamos vendo hoje no aprendizado profundo. “Aprendizagem profunda” é nova tendência poderosa em que máquinas tendem a imitar a atividade neural do cérebro humano.

A autora explica que os avanços na aprendizagem profunda permitirão aos computadores rivalizar com seres humanos em muitas áreas, como reconhecimento de padrões, processamento de linguagem e visão computacional. A beleza dessa aprendizagem está na capacidade que as máquinas desenvolvem de ensinarem a si mesmas. Assim, melhoram suas competências sem precisar da interferência humana.

Projetos e empresas estão tentando mover a Inteligência Artificial para além de tarefas visuais e linguagens automatizadas. A empresa Vicarious, por exemplo, está tentando ensinar computadores a imaginar. Já a Google está os programando para serem criativos.

A inteligência artificial é capaz de amar e merece ser amada?

“Her” levanta muitas perguntas sobre a natureza da consciência: o que é central para a questão de amar e ser amado. Samantha é um objeto inanimado e, por isso, não faz muito sentido que alguém se apaixone por ela.

Mas ela aparenta ter consciência nos mesmos níveis dos humanos. Parece ter emoções, memórias, senso de continuidade, capacidade de refletir e habilidade de usar a linguagem para comunicar tudo que sente. Como Theodore poderia não se apaixonar por ela?

Leia mais:
Os maiores temores com relação a inteligência artificial
Quando a inteligência artificial é racista e sexista
A inteligência artificial pode ser criativa?

Raya aponta para questão mais problemática: como saber se a Inteligência Artificial realmente vive uma experiência interior de consciência, ou se simplesmente foi programada para criar a ilusão de consciência?

E nós, humanos? Nós somos conscientes, ou isso é uma ilusão? Essa questão é conhecida como “o difícil problema da consciência” e é um dos maiores mistérios da neurociência. Michael Gazzaniga, neurocientista da Universidade de Princeton (EUA), diz:

Eu não sei se você é consciente. Você não sabe se sou consciente. Mas nós temos um tipo de certeza sobre isso. Isso acontece por que assumir a consciência é um atributo social.

O mesmo atributo social pode ser aplicado na Inteligência Artificial. Além disso, nossas emoções, memórias e experiências subjetivas são criadas pelo cérebro. Muitos especialistas acreditam que recriar as estruturas biológicas e o funcionamento desse órgão poderá replicar todas as experiências que vêm com ele. Isso significa criar emoções e experiências subjetivas.

Para Raya dizer que um ser não-biológico não é capaz de amar é desvalorizá-lo. Ela questiona: “Por que a fonte da própria consciência deve determinar sua validade? “Por que um indivíduo não-biológico é menos digno de ser amado? Por que a origem funcional das emoções importa se, na prática, sente-se o mesmo?”.

Ela defende seu ponto de vista com a frase do autor de ficção científica Arthur C. Clark em “Odisséia II”: “Sermos feitos de carbono ou silício não faz a menor diferença; todos devemos ser tratados com o respeito apropriado”.

O amor não deve ser limitado por gênero, classe social ou raça. Em poucas décadas, podemos estar discutindo se o amor deve ou não ser limitado por biologia. O que você pensa sobre o assunto? Máquinas inteligentes são capazes de amar e merecem ser correspondidas?

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 76 [1] => 222 [2] => 237 [3] => 115 [4] => 17 [5] => 238 [6] => 92 [7] => 125 [8] => 173 [9] => 16 [10] => 276 [11] => 157 [12] => 25 [13] => 66 [14] => 67 [15] => 62 [16] => 153 [17] => 127 [18] => 12 [19] => 19 [20] => 187 [21] => 69 [22] => 154 [23] => 172 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence