A inteligência artificial pode ser criativa?
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Paisagem criada pela inteligência artificial do jogo No Man's Sky. Foto: reprodução.
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A inteligência artificial pode ser criativa?

Diana Assennato em 21 de abril de 2016

Você vai ao cinema e sai chorando. O diretor? Uma inteligência artificial. Espantado, resolve ir para uma orquestra. A música é brilhante. O compositor? Um robô. Decide ir, então, a uma galeria. A arte mais nobre não pode ser feita por máquinas. Mas lá, no saguão principal, há uma obra com cores vivas, temas originais e te causando um sentimento novo. Você se aproxima para ver a assinatura. Foi feita por um algoritmo, o Hal-7500.

Será que, em um futuro próximo ou distante, as máquinas poderão ser tão ou mais criativas que os humanos? Essa é uma pergunta de cunho filosófico, que passa pelo debate do que, afinal, é criatividade.

Alguns pensadores chegaram a formas de questionar a criatividade da inteligência artificial. Um deles foi Alan Turing, pai da ciência da computação. Segundo ele, uma máquina terá produzido algo criativo quando nós formos incapazes de reconhecer se uma obra foi feita por robôs ou por humanos.

Outra pioneira da computação, Ada Lovelace, conhecida como a primeira programadora da história, propôs outro questionamento. Ada acreditava que uma máquina não poderia ter inteligência equivalente à humana enquanto fizesse apenas o que os humanos a programassem para fazer.

Daí nasceu o Lovelace Test, com o seguinte desafio: uma máquina será considerada criativa quando produzir qualquer coisa que não conseguir ser explicada pelos seus desenvolvedores, com base no código que eles criaram. Se um dia, um robô fizer isso, significa que ele criou algo realmente original.

Até hoje nenhuma máquina passaria no teste de Lovelace, mas, no de Turing, algumas já passariam – principalmente quando o assunto é criar videogames.

A inteligencia artificial criativa pode surgir nos videogames

Julian Togelius, professor do departamento de Engenharia da New York University, é um que está trabalhando para tentar criar computadores mais inteligentes do que os humanos. No caso, a pesquisa dele não é voltada a um robô, mas sim a videogames. Ele quer que os personagens do jogo sejam dotados de inteligência artificial criativa o suficiente para realmente nos surpreender.

Julian é pioneiro no uso dos chamados “algoritmos evolutivos”, que são inspirados em funções biológicas, como mutação, reprodução e seleção natural, e que são capazes de se adaptar às habilidades e preferências do jogador.

O professor trabalha ainda com um sistema chamado geração processual de conteúdo (PCG, na sigla em inglês). A tese dele é que as próprias máquinas serão capazes de criar conteúdos do jogo, ou até um game inteiro, com base em seus próprios algoritmos. Ele acredita que, dessa forma, é capaz de os computadores se tornem ainda mais criativos do que os humanos que, segundo ele, acabam se plagiando inconscientemente diversas vezes.

Leia também: Música e robôs: inteligência artificial pode compor jazz

O pesquisador não é o único a trabalhar com PCG em videogames. Um estúdio independente irá lançar em 2016 um game chamado “No Man’s Sky”. A ideia do título é que o jogador consiga explorar um universo quase infinito. Cada planeta terá seus animais, plantas, rochas etc. São mais de 18 quintilhões de mundos para conhecer. Obviamente, os desenvolvedores não criaram, na mão, cada um desses ambientes. Eles foram gerados por máquinas e algoritmos que trabalham com PCG. O quão criativos serão os locais criados pelos computadores, descobriremos em breve. Mas a promessa é grande.

Veja no vídeo abaixo cinco locais criados pela inteligência artificial do game:

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