Como funciona a inteligência artificial dos streamings de música
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Como funciona a inteligência artificial dos streamings de música

Pedro Katchborian em 3 de maio de 2017

Existem aqueles que amam as sugestões do que ouvir dos serviços de streaming de música. Outros, porém, parecem quase se ofender com as indicações dadas por plataformas como Spotify e Deezer. E ainda que você possa migrar de um lado para o outro, o objetivo desses serviços com a inteligência artificial é o mesmo: aprimorar cada vez mais essas sugestões para que você fique na maior parte do tempo não apenas satisfeito com o catálogo que já conhece, mas também com as novidades que são apresentadas.

No Spotify, o mais popular serviço de streaming de música por aqui, as sugestões levam o nome de “Descobertas da Semana”. A playlist é formada por 30 músicas de gêneros variados e consiste em sugestões que a plataforma julga como relevante de acordo com o que você tem ouvido nos últimos dias. Todas as segundas-feiras milhões de usuários costumam ao menos checar a atualização desta lista personalizada para descobrir novos artistas e músicas ou simplesmente ver se o Spotify acertou ou não.

Em um texto recente, o Nexo explicou um pouco mais sobre como funcionam essas sugestões do Spotify. Tudo começa em 2014, quando o serviço de streaming de música comprou a The Echo Nest, uma empresa de inteligência musical. A tecnologia da The Echo Nest permite que os gêneros musicais sejam reconhecidos automaticamente baseado em resenhas e em como os usuários descrevem os sons. Antes de ser vendida,  a The Echo Nest prestava serviços para um concorrente do Spotify, o Rdio, que com a aquisição da fornecedora acabou perdendo a ferramenta e, mais tarde, fechando as portas.

Como uma playlist é criada?

O processo de análise de como o Spotify escolhe as músicas das Descobertas da Semana é dividido em algumas partes. Primeiro, o Spotify analisa o que a pessoa ouve para criar um perfil musical. Por exemplo, se a pessoa ouve rap cantado por mulheres ou rock cantado por grupos europeus. O perfil é feito com dados da navegação, que inclui o que e quando o usuário ouve.

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Outras pessoas também ajudam a criar a playlist sugerida pelo serviço de streaming só para você, já que o Spotify mistura o seu gosto com o de outros que escutam músicas e artistas semelhantes. O Spotify sugere músicas que a pessoa não ouviu na plataforma, mas ao mesmo tempo se preocupa em colocar bandas familiares, para não causar espanto. O serviço também sabe reconhecer músicas infantis e não as inclui nas playlists, para evitar que o som que você coloca para o seu filho não acabe no meio da sua lista, por exemplo.

Outro serviço popular por aqui, o Deezer também têm a sua lista de sugestões de músicas. A diferença é que o Flow, como é chamada a ferramenta, é infinito. O usuário do Deezer também ajuda nessa seleção de músicas na medida em que avalia o que ouve. Com o botão coração, a pessoa pode marcar o que gosta enquanto o serviço aprende mais sobre o seu gosto musical. Também é possível clicar no coração partido para que a música não toque novamente durante as próximas 24 horas. E caso a pessoa clique em “não curti”, o Flow não tocará aquela música nunca mais.

“Esses comandos enriquecem a inteligência artificial do sistema para te apresentar mais ou menos músicas daquele estilo, ou até não te sugerir mais nada parecido. Quanto mais interação o usuário tem com a Deezer, mais personalizada as sugestões automáticas serão. Todas as músicas ‘amadas’ pelo usuário, ao clicar no ícone de coração, são salvas em uma playlist chamada “Mais queridas”, que o usuário pode ouvir sempre que quiser”, diz Bruno Vieira, Country Manager do Deezer.

Um diferencial do Flow é que ele também considera o horário que o usuário escuta cada música. Ou seja, se a pessoa prefere escutar rap pela manhã e rock pela noite, por exemplo.

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Bruno fala da importância do serviço de streaming conhecer o gosto musical dos usuários. “O time de desenvolvimento da Deezer é extremamente focado e orientado pela experiência do usuário. Nós não só queremos que eles escutem o que mais gostam, como também sugerir novas músicas que combinem com seu estilo musical”, diz. Ele não dá muitos detalhes, mas afirma que em um “futuro próximo será possível interagir mais por sistemas de voz: o software entenderá sua rotina, a sua agenda, o ritmo dos seus passos ou ainda o humor do usuário para sugerir conteúdos específicos”, explica.

Vale dizer também que esse processo todo não é feito apenas por inteligência artificial ou o deep learning dos dados de usuários. Na Deezer, por exemplo, Bruno explica que há uma mistura entre tecnologia e curadoria. “Trabalhamos com um time de mais de 50 editores de músicas espalhados por todo mundo que selecionam o que há de melhor no cenário da música de cada país ou de gêneros musicais específicos”, afirma. “É um sistema que se auto retroalimenta e o fator humano, tanto dos curadores quanto dos nossos usuários, vem para refinar todos os benefícios que temos com a tecnologia”, completa.

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