Internet das coisas: o que é e como vai impactar sua vida
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Internet das coisas: o que é e como vai impactar sua vida

Camila Luz em 4 de abril de 2017

Imagine a seguinte rotina: após um dia cansativo de trabalho, você chega em casa e o termostato liga automaticamente na temperatura adequada ao clima do dia. A geladeira te mostra o que você poderá fazer para o jantar levando em consideração os alimentos disponíveis. Com um comando de voz, você liga o aparelho de som. Todos esses dispositivos conectados fazem parte da Internet das Coisas, um conceito que deverá mudar nosso cotidiano em breve.

“Internet das coisas” é a tradução do termo “internet of things”, e faz referência a uma revolução tecnológica que deve conectar todos os dispositivos à internet. Isto é, não apenas smartphones e computadores como estamos acostumados. Objetos como termostato, geladeira e aquele aparelho de som vão se comunicar entre si para facilitar tarefas do nosso dia a dia, mostrar informações úteis e personalizar ainda mais nossa rotina. Tudo graças à internet.

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Eletrodomésticos, roupas, sapatos, meios de transporte, maçanetas, smartphones, lâmpadas, máquinas industriais… a lista de dispositivos que farão parte da Internet das Coisas é longa. Além dos objetos de uso comum, há aplicações específicas para áreas da saúde, agropecuária, serviços, transporte público e muito mais.

Esse conceito tem o potencial de impactar não só a forma como vivemos, mas também como consumimos, trabalhamos e recebemos atendimento médico. Mas afinal, o que é a Internet das Coisas e quais serão as aplicações práticas em nossas vidas?

O que é a Internet das Coisas

A Internet das Coisas é o conceito para a ideia de embutir sensores em objetos cotidianos para coletar dados e usá-los de forma inteligente com ajuda de uma rede. A ideia é que o mundo físico e o digital se conectem através desses dispositivos. Assim, a internet estará presente em praticamente tudo que temos.

Alexa Foto: Divulgação

Pense nos objetos que você usa para se conectar à internet hoje: computadores, smartphones e videogames provavelmente passaram pela sua cabeça. Mas há outros equipamentos que se conectam para realizar atividades específicas, como GPSs, câmeras de segurança online e smarts TVs, por onde você acessa serviços como YouTube e Netflix.

Há, ainda, relógios inteligentes, que se conectam à internet e a outros dispositivos e têm múltiplas funções que vão além de mostrar a hora. Assistentes pessoais como o Alexa, da Amazon, também são bons exemplos do que a Internet das Coisas pode fazer por nossas vidas.

Alexa, por exemplo, é um gadget em forma de torre que responde ao comando do usuário a partir de sua inteligência artificial e do comando de voz. Conectado à internet, é capaz de realizar inúmeras funções, como tocar música, recitar as notícias do dia, definir palavras e converter medidas. Além disso, está conectado a equipamentos móveis e eletrodomésticos para tornar as casas mais inteligentes.

Como surgiu a Internet das Coisas

Ao contrário do que possa parecer, esse não é um conceito futurista que vem sendo discutido apenas nos últimos anos. A ideia de conectar objetos é cogitada desde 1991, quando a maioria das casas sequer tinha um computador. Nessa época, popularizou-se a conexão TCP/IP, inaugurando a rede como conhecemos hoje.

O termo “Internet das Coisas” foi criado pelo empreendedor Kevin Ashton, um dos fundadores do Auto-ID Center no MIT (Massachussetts Institute os Technology). O pesquisador fazia parte de um time que queria descobrir como conectaer objetos com a internet através de identificadores de radiofrequência (RFID).

Identificação por radiofrequência é um método de identificação automática por meio de sinais de rádio. A partir das etiquetas RFID, recupera-se o armazenamento de dados de forma remota. O RFID é uma tecnologia real, mas não teve a aplicação que seus criadores imaginavam.

Em 1999, Ashton criou o termo “Internet das Coisas” para uma apresentação a executivos da companhia Procter & Gamble. Ele falava da ideia de etiquetar eletronicamente os produtos da empresa, para facilitar a lógica da cadeia de produção.

A partir de então, o conceito evoluiu e a Internet das Coisas está se tornando cada vez mais real através de aplicações diversas. Mas a ideia original de Ashton continua: conectar duas redes distintas – a internet e o mundo físico – sem usar um computador como intermediário. Os objetos estarão conectados entre si e em rede. De modo inteligente, passarão a perceber o mundo ao redor e a interagir.

Como a internet das coisas nos impacta?

No futuro, tudo o que pode ser conectado provavelmente será conectado. Mas como nos beneficiaremos disso? Por quais motivos nós gostaríamos de ter carros, lâmpadas, fogões e até meias conectadas?

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Foto: Istock/Getty Images

Há várias aplicações práticas que podem facilitar sua vida. Digamos, por exemplo, que você está a caminho de uma reunião. Seu carro poderia ter acesso ao seu calendário e já saber o melhor trajeto a fazer. Se o tráfego estiver pesado, o veículo poderá enviar uma mensagem para os clientes avisando que irá se atrasar.

E se o despertador que te acorda às seis da manhã pudesse, em seguida, notificar a cafeteira para preparar o seu café? E se a impressora do seu escritório souber quando está ficando com pouca tinta e automaticamente fizer um pedido para a papelaria? E, ainda, se o seu celular entendesse quando você está mais produtivo e montasse um cronograma de horários para exercer cada atividade?

A Internet das Coisas pode fazer tudo isso pela sua vida pessoal. Em uma escala mais ampla, pode ser aplicada para estruturar cidades inteligentes, prédios sustentáveis, cadeias produtivas mais eficientes e assim por diante.

A internet das coisas em larga escala

Agropecuária

Plantações requerem condições ideais de solo e clima, dependendo do alimento a ser cultivado. Sensores espalhados por esses locais poderiam dar informações precisas sobre umidade e acidez do solo, probabilidade de chuvas, velocidade do vento e assim por diante.

Chips e sensores também podem ser colocados em animais como bois e vacas para controlar o gado, verificar sua localização e suas condições de saúde e o histórico de vacinas.

Saúde

A coleta de dados é importante para pesquisas médicas que buscam causas e curas para doenças como o câncer. Dispositivos de uso diário, ou que estejam instalados nas casas das pessoas, podem recolher informações sobre seus hábitos e servir como uma ampla fonte de conhecimento para cientistas e médicos.

Comércio

As aplicações da Internet das Coisas na venda de produtos são inúmeras e vão desde controle de estoque até a compra pelo consumidor final.

Dispositivos podem monitorar os componentes para verificar quando supermercados precisam de novos lotes de produtos, por exemplo. Sensores também poderão notificar o estabelecimento quando alimentos estiverem vencidos e rastrear a origem, para que o local tenha todas as informações sobre o fornecedor e saiba o que está comprando.

O cliente também poderá verificar a origem do produto para consumir com consciência. Será que os ovos orgânicos realmente foram produzidos de forma ética? Quem fabricou o meu fone de ouvido? Será que foi utilizada mão de obra escrava? E a escrivaninha que quero comprar para o meu quarto, foi produzida a partir da madeira de reflorestamento?

Todas essas perguntas serão sanadas facilmente quando os produtos estiverem conectados através de uma identidade digital.

Moda

A moda será impactada de forma significativa pela Internet das Coisas. A indústria têxtil é uma das que mais polui no mundo, além de consumir muita matéria-prima e receber acusações constantes de mão de obra escrava.

Por meio da identidade digital, o consumidor poderá verificar como cada peça foi fabricada. Essa etiqueta irá informar se foi produzida por mão de obra local ou em uma fábrica na China; se foi utilizado tingimento natural e como é feito o descarte dos resíduos.

Além disso, a identificação digital poderá orientar o consumidor sobre a melhor forma de cuidar das peças para que durem mais. E o melhor: poderá dar dicas de combinações certeiras com outras roupas de acordo com sua a personalidade.

A Internet das Coisas também vai ajudar as marcas a conhecer melhor seus clientes, entendendo o que compram, quais seus gostos e hábitos de consumo.

Transporte público

Indivíduos podem acompanhar a rota do ônibus pelo smartphone ou por telas instaladas nos pontos. Para a empresa, também há boas aplicações: ela será informada rapidamente sobre defeitos ou atrasos na frota, agilizando reparos e reforços.

Internet das coisas e as cidades inteligentes

A cidade inteligente é aquela que otimiza seus recursos para trazer mais qualidade de vida aos seus moradores, reduzindo impactos negativos no ambiente. Isso pode ser feito de várias formas: através de avanços tecnológicos, soluções para a mobilidade urbana ou táticas para reduzir a poluição.

A Internet das Coisas tem muito a contribuir para “intelectualizar” as cidades. Por exemplo, sensores espalhados pela área urbana podem mapear o trânsito e informar os cidadãos sobre quais as melhores opções de transporte e quais vias estão livres.

Dispositivos podem fazer o controle da qualidade do ar para informar se é seguro fazer piqueniques ou sair para correr ao ar livre. É possível monitorar as infraestruturas públicas em tempo real, como escolas, parques, sinaleiras e estações de metrô. Outras soluções incluem o monitoramento de disponibilidade da água, emissão de gases poluentes e a possibilidade de enchentes.

As opções são inúmeras e vão além do que conseguimos prever hoje. Afinal, a Internet das Coisas é uma novidade que está se consolidando aos poucos e deve evoluir rápido, como foi com as redes discadas e com os computadores de mesa. Hoje, você utiliza smartphones e faz tudo pelo 4G do celular, mas você imaginaria isso há 20 anos?

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