Como a internet das coisas pode transformar a 3ª maior favela do mundo
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Dharavi, em Mumbai, Índia. Foto: Istock/Getty Images
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Como a Internet das Coisas está transformando a 3ª maior favela do mundo

Kaluan Bernardo em 17 de janeiro de 2017

Dharavi, em Mumbai, Índia, é a terceira maior favela do mundo. Residência para 1 milhão de pessoas, a comunidade tem um ecossistema de lojas e manufatura local rico, que movimenta mais de US$ 1 bilhão. Os moradores trabalham em uma série de indústrias, como curtume de couro, produção têxtil, cerâmica e reciclagem. Agora, todos esses comerciantes e produtores poderão mudar sua produção graças à Internet das Coisas.

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Foto: Istock/Getty Images

Um grupo de pesquisadores do Centro Industrial de Design (IDC, na sigla em inglês) e do Instituto Indiano de Tecnologia (IIT, na sigla em inglês), ambos na Índia, se uniram a estudiosos da Swansea University, no Reino Unido, para distribuir sensores aos comerciantes e criar uma “internet física”, conectando diferentes lojas e clientes em Dharavi.

O projeto faz parte do Google Internet of Things Technology Research Award Pilot, uma iniciativa da empresa para promover testes inovadores em relação à tecnologia. O Google ofereceu 100 sensores inteligentes, conhecidos como beacons, para a implantação do projeto.

Os beacons são equipamentos com Bluetooth 4.0 que se comunicam com qualquer outro dispositivo Bluetooth que passar em um raio entre seis e nove metros. Os clientes que passarem por essa distância recebem um link em seu smartphone. Se abrirem, vão parar em uma página interativa que oferece informações sobre o que cada comerciante está vendendo. Ela pode ver quais são os produtos de cada loja etc. Para garantir que os clientes aproveitam a novidade, serão colocados cartazes pedindo para ligarem o Bluetooth.

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“A maioria das pessoas que passa pelo mercado de couro de Dharavi não deve nem saber que essas lojas têm produtos de tanta qualidade”, diz Chinmay Parab, estudante de mestrado na IDC, ao site Quartz. “Essa tecnologia os dará visibilidade digital”, comenta.

Não que os vendedores não estejam acostumados à tecnologia. Segundo o jornal The Hindu, eles usam smartphones, principalmente serviços como WhatsApp ou Google Voice (que ajuda muitos não alfabetizados a procurarem coisas na internet).

Um pequeno teste para o futuro da internet das coisas

Ao todo, 30 beacons já foram distribuídos. Os outros 70 serão entregues até maio, quando o programa do Google rodará por cinco semanas. Em seguida, os resultados serão analisados e a empresa avaliará se vale estender os investimentos nele.

Chinmay defende que o experimento é importante por promover acesso tecnológico a todos. “Por que você não pode dar acesso a pessoas que nunca usaram nada em suas vidas, e como elas podem usar para promover seus negócios? Como podemos permitir que as pessoas usem as tecnologias mais novas?”, questiona aoThe Hindu.

O professor Anirudha Joshi, do IDC, ressalta que a tecnologia pode ajudar a mudar o estigma que a favela tem. Ele é contra a imagem de sujeira e pobreza, perpetuada por filmes como “Quem quer ser um milionário?”. “Esse é um pequeno experimento para vermos se podemos usar tecnologia para construir percepções sobre um lugar. Dharavi não é só sobre favelas. Há um monte de negócios e queremos mostrar esse aspecto”, diz ao The Hindu.

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