Ionosfera e projeto Haarp: o que é e as influências na comunicação
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Foto: Istock/Getty Images
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Ionosfera e projeto Haarp: o que é e as influências na comunicação

Pedro Katchborian em 22 de março de 2017

Você já ouviu falar na ionosfera? O termo que saiu daquela sua aula de geografia da 8ª série tem ganhado importância pela interferência nas comunicações e nas ondas de rádio.

O que é a ionosfera?

A ionosfera é a camada da atmosfera que se localiza entre 60 km e 1.000 km de altitude e que contém cargas elétricas como íons e elétrons. Clezio Marcos de Nardin, Gerente Geral do Programa Embrace/INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), define o termo. “A ionosfera é a resposta da nossa atmosfera terrestre à radiação solar”, explica. “O sol está constantemente emitindo radiação. Parte dela você sente na pele, como os raios ultravioleta, mas parte é filtrada pela atmosfera. A partir do momento que atmosfera recebe essa radiação, ela ioniza e forma um gás ionizado que dá origem à ionosfera”, completa.

Mas como ela interfere na comunicação?

Por ser tão carregado de elétrons e íons, a ionosfera reflete ondas de rádio de baixa frequência (até 30MHz). Clezio detalha que no início a ionosfera tinha um papel importante para a comunicação. “A ionosfera era um guia de ondas, já que elas se propagavam e voltavam, permitindo a comunicação“, afirma. Segundo ele, a ionosfera funcionava como um espelho: “você podia conversar com alguém em Roma ou na Austrália”, exemplifica.

Se a ionosfera ajudava nas comunicações via rádio, agora ela é um problema. Clezio explica que hoje utilizamos frequência mais altas. “Não queremos mais a ionosfera, ela se tornou um problema para comunicação”, diz. Como usamos frequência mais altas, ela acaba causando um atraso na propagação da onda, podendo criar um delay ou até mesmo afetar a precisão de itens que funcionam com ondas eletromagnéticas como o GPS.

O impacto das explosões solares na ionosfera

Sempre que há uma explosão solar, a ionosfera se ioniza muito rapidamente por um tempo relativamente curto — 5, 10 ou 15 minutos. Essa alta ionização bloqueia a frequência e pode causar problemas nas comunicações aéreas e marítimas. Depois que a explosão ocorre, ela chega à Terra em oito minutos e interfere nas comunicações por satélite também, como as TVs. Sabe quando aparece aquele aviso da sua operadora de TV à cabo de que “o sinal foi interrompido por explosões solares”? Pois é isso.

Como prevenir esses problemas de comunicação?

Em tempos tão globalizados e países tão dependentes das comunicações, como evitar blecautes e bloqueios de comunicação criados pela ionosfera? Clezio detalha que há uma pesquisa muito ampla para prever quando essas explosões ocorrem e, desta forma, tentar evitar que os problemas tenham consequências ruins.

“Hoje não vemos o homem do tempo falando nos jornais pela manhã sobre o clima? Em 10, 20 ou 30 anos teremos o mesmo para prever os fenômenos no espaço”, sugere. O INPE já tem um centro de previsão. “São cinco outros centro iguais ao INPE no mundo que fazem previsões da atmosfera e ionosfera”, diz.

Para solucionar esses problemas da comunicação aérea e marítima, Clezio sugere ou ter um equipamento muito bom dentro da aeronave ou navio ou tentar prever quando o blecaute vai acontecer. “Prevendo você pode avisar que as mensagens vão atrasar ou que vai ocorrer um erro na comunicação daqui a 2 minutos”, por exemplo. Essa é a importância do estudo da ionosfera atualmente.

Quem estuda a ionosfera?

Os geofísicos. No Brasil, o INPE é o principal responsável pelo estudo da ionosfera. Criado em 1961, o INPE tem como principal objetivo capacitar o país nas pesquisas científicas e nas tecnologias espaciais e é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Para trabalhar no INPE e estudar assuntos como a ionosfera é necessário prestar concurso público.

O órgão também oferece cursos de pós-graduação nas áreas de astrofísica, geofísica espacial, computação aplicada, meteorologia, sensoriamento remoto e engenharia e tecnologia espacial. Entre as áreas de atuação do Instituto estão engenharia espacial, ciências espaciais e atmosféricas, observação da terra, previsão de tempo e clima, ciência do sistema terrestre e infraestrutura do programa espacial, além de outros laboratórios associados.

O que é o projeto HAARP o que ele tem a ver com a ionosfera?

O assunto ionosfera costuma trazer outro tema polêmico consigo: o projeto HAARP. Localizado no Alasca, nos Estados Unidos, o HAARP, que significa “Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência”, em tradução livre, atua para melhorar o entendimento de como as ondas de rádio funcionam na ionosfera.

Parte de uma iniciativa militar dos Estados Unidos, o projeto conta com 180 antenas em 30 acres, com o objetivo de enviar energia e aquecer a ionosfera. A ideia é entender como as cargas elétricas agem em diferentes temperaturas e condições de pressão, para que as comunicações e navegação sejam melhoradas.

Clezio explica que o projeto nasceu para a proteção militar dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Depois, em 1993, quando começou a funcionar de fato, passou a servir de espaço para a pesquisa científica.

Mesmo assim, há teorias da conspiração que apontam que as antenas de longo alcance do projeto podem fazer modificações drásticas, podendo bloquear a comunicação militar, manipular o clima, causar terremotos e, pasme, controlar mentes.

Há quem aponte o projeto HAARP como o principal culpado do terremoto de 2010 no Haiti, que deixou mais de 300 mil mortos. O motivo? Simplesmente porque os Estados Unidos precisavam testar a arma — e um país pobre e sem recursos como o Haiti parecia ideal.

Em relação ao controle das mentes, o projeto poderia, segundo os teóricos da conspiração, mesclar ondas de rádio com algum tipo de frequência sonora que pudesse influenciar as pessoas, em uma verdadeira lavagem cerebral coletiva e imperceptível.

Clézio rebate e descarta qualquer tipo de uso do HAARP como arma: “esquentando a atmosfera, você pode bloquear as comunicações, por exemplo. Só que isso exige muita potência, energia e dura muito pouco”, afirma. Ele diz que, caso fosse usado como uma arma para impedir a comunicação, seria algo “extremamente ineficiente”.

Há outros relatos de pessoas que rechaçam os entusiastas de teorias malucas. Brian Dunning, do podcast Skeptical, que desvenda mitos e outras teorias, explica: “não há nada secreto no projeto HAARP. Não é necessário ter qualquer tipo de segurança para visitar o espaço (…) Há várias outras instalações parecidas ao redor do mundo, como a SURA na Rússia, a EISCAR na Noruega, o Arecibo, em Porto Rico (…) Infelizmente para os teóricos da conspiração, HAARP não tem capacidade de afetar o clima. A frequência que o HAARP transmite não pode ser absorvida pela estratosfera, somente pela ionosfera, muitos quilômetros acima da atmosfera”, completa.

Segundo o Seeker, em junho de 2014, começou um processo de fechamento de todo o projeto. O motivo é que a “pesquisa acabou”. Há quem alegue que o desligamento das antenas só é uma maneira do projeto continuar secretamente.

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