iPhone faz 10 anos: o que o smartphone da Apple representa
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Foto: Istock/Getty Images
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iPhone 10 anos: o que o smartphone da Apple representa para a tecnologia

Kaluan Bernardo em 9 de janeiro de 2017

“Hoje nós vamos fazer história juntos”, dizia Steve Jobs em 9 de janeiro de 2007, em uma conferência da Apple. Naquele ano, ele apresentou a Apple TV, filmes no iTunes e novos Mac. Mas o que de fato entrou para a história foi o iPhone.

“De tempos em tempos, um produto revolucionário vem para mudar tudo”, dizia no início da apresentação. “E a Apple tem tido muita sorte. Ela conseguiu apresentar alguns deles ao mundo”, continuava com pouca modéstia. Foi então que apresentou o conceito de um iPod, com tela touchscreen, que se conectava à internet e, segundo ele, mudaria o que significa um smartphone. “Nós vamos reinventar o telefone”, afirmava exultante.

Olhando friamente, por mais ambicioso e pouco modesto que parecesse, Steve Jobs estava certo. O iPhone reinventou não só o telefone, mas a forma como nos comunicamos. Do aplicativo que você usa para chamar um táxi, passando pelo WhatsApp ou até mesmo ao crescimento do Facebook, todas essas inovações foram catalisadas pelas mudanças propostas pelo iPhone.

À época, analistas apostaram que as vendas da Apple aumentariam em US$ 1 bilhão. Erraram. Em 2006, pouco antes do lançamento, a Apple valia US$ 70 bilhões. Uma década depois, em maio de 2016, valia US$ 586 bilhões. Em uma década foram vendidos cerca de 1 bilhão de iPhones. Em um único trimestre a empresa chegou a faturar US$ 28 bilhões com o produto.

Veja no gráfico abaixo o número de iPhones vendidos em cada ano, em milhões. Os dados são de apresentações de resultados financeiros da empresa:

Vendas do iPhone por ano.

Vendas do iPhone por ano.

Mudanças que o iPhone popularizou

A Apple não foi exatamente pioneira em suas tecnologias. Mas seu design, com a assinatura de John Ive, aliada a hardware de ponta e algumas ideias inovadoras, permitiu que o iPhone ditasse e popularizasse tendências por muito tempo.

Uma delas foi a tela sensível ao toque. Depois do iPhone, a navegação por toque se tornou muito mais atrativa. O próprio iPod já dava sinais nesse caminho, com uma interface minimalista e convidativa ao toque, mas o iPhone é quem ditou o futuro do design das interfaces sensíveis ao toque,em uma época em que se apostava pesado em teclados físicos nos celulares.

A App Store provavelmente foi uma das maiores revoluções que vieram com o iPhone. Sem ela, talvez não existisse Google Play ou Windows Store. E talvez Waze, Uber, iFood e tantos outros aplicativos bilionários sequer existiriam. Ou funcionariam de outra forma. Antes do iPhone, apps mobile sequer sonhavam em serem tão populares quanto softwares de computador.

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Vale ressaltar também a Apple Pay, que não foi pioneira, mas popularizou bastante o pagamento mobile; o Touch 3D, que não só passou a reconhecer o toque, como também passou a mensurar a pressão dos dedos; e o reconhecimento de digitais, que passou a ser muito mais usado depois de adotado no iPhone.

O que disseram do iPhone na época do lançamento

Apesar de vender muito, a o iOS, sistema operacional do iPhone, não é o mais popular do mundo. Segundo a consultoria IDC, o Android está presente em aproximadamente 86,8% dos smartphones, enquanto o iOS em 12,5%. Isso porque o sistema do Google é aberto e está presente em praticamente todos os concorrentes da Apple.

O número, no entanto, ainda é muito maior do que Steve Ballmer, CEO da Microsoft na época, apostou. Ele disser que o iPhone seria um produto de nicho que conseguiria, no máximo, 3% de mercado. Ainda segundo a IDC, o Windows Phone hoje tem 0,4% de participação nos sistemas operacionais mobile.

O TechCrunch, um dos mais respeitados sites de tecnologia, “previu” que o iPhone seria “uma bomba” e que as pessoas odiariam a tela sensível ao toque e voltariam aos teclados físicos. John Dvorak, conhecido colunista de tecnologia, escreveu que “não há chances de a Apple seja bem sucedida em um negócio tão competitivo”.

Olli-Pekka Kallasvuo, então CEO da Nokia, disse que o iPhone não era “algo que nos faria precisar mudar nossa forma de pensar”. Já Jim Balsillie, co-CEO da BlackBerry,  afirmou que era apenas mais um competidor, e não uma grande mudança. “Eu diria que estão superestimando”, comentou.

Apesar de todos terem se mostrado errados, não significa que o atual CEO da Apple, Tim Cook, durma sossegado. Ano após ano, o iPhone é questionado e as críticas continuam evidentes. No aniversário do iPhone, a revista Wired publicou texto dizendo que o dispositivo mudou a empresa no passado, e hoje é responsável pela sua desaceleração.

“Hoje a Apple está enfrentando um ponto de mudança e, novamente, o iPhone é a razão — mas não de uma forma positiva dessa vez. O mercado de smartphones está saturado. Rivais, principalmente o Google, estão criando hardware que realmente rivaliza com o iPhone. Depois de dez anos, o iPhone não pode ser mais o motor de crescimento da Apple. A empresa enfrenta agora o mesmo desafio de uma década atrás: descobrir o que virá”, escreve o articulista Davey Alba.

Tim Cook, por sua vez, soa otimista: “O iPhone estabeleceu o padrão para computação móvel em sua primeira década e estamos apenas começando. O melhor está por vir”.

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