Por que enviar Juno a Júpiter é um dos grandes feitos da Nasa
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Ilustração de Juno em óbita acima de Júpiter. Foto: Divulgação/NASA
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Por que enviar Juno a Júpiter é um dos feitos mais difíceis da Nasa

Kaluan Bernardo em 18 de julho de 2016

A Nasa já enviou o homem à lua, robôs à Marte e conseguiu imagens de lugares um tanto distantes do universo. No entanto, recentemente, quando enviou Juno, uma sonda, para a órbita de Júpiter, declarou: “Nós fizemos a coisa mais difícil que a Nasa já fez”.

Foram cinco anos de viagem e mais de 778 milhões de quilômetros até a sonda chegar ao maior planeta de nosso Sistema Solar. Agora, deverá ficar lá por mais um ano e meio nos mandando informações sobre o planeta gasoso — inclusive, há pouco ela enviou sua primeira imagem de Júpiter.

foto de metade do planeta Júpiter

Imagem feita a partir de imagens da JunoCam após a entrada em órbita em torno de Júpiter. Foto: Divulgação/NASA

A sonda custou US$ 1,1 bilhão e deverá responder perguntas importantes sobre a origem e evolução do Sistema Solar e Júpiter. Ela poderá ajudar a entender por que o planeta emite tanta radiação e como a água se dá por lá. Para ver tudo isso, a Juno está equipada com nove instrumentos, incluindo sensores que medem gravidade, testam campos magnéticos e analisam atmosfera.

As perguntas mais importantes sobre Júpiter estão relacionadas à sua origem. Isso porque acredita-se que ele é o primeiro planeta do Sistema Solar. Por isso, ele é feito basicamente dos mesmo materiais que o sol: hidrogênio e hélio. Com uma investigação mais profunda sobre isso, pretende-se entender não só como o planeta surgiu, mas como também se deu origem ao sol e ao Sistema Solar todo.

Sonda Juno aguardando lançamento

Sonda Juno em lançamento na Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida. Foto: Divulgação/NASA

É possível que os campos magnéticos de Júpiter sejam gerados por correntes provenientes de seu hidrogênio metálico. Juno tentará estudá-los para saber mais sobre o elemento e descobrir porque, no planeta, o hidrogênio resfriado se torna metal e não líquido.

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“Juno não só nos ajudará a entender melhor Júpiter, como nos ajudará a entender melhor o universo em torno de nós e nosso lugar nele”, declarou Barry Mauk, do Laboratório de Física Aplicada da John Hopkins University.

As dificuldades de enviar Juno para Júpiter

Na mitologia romana, Juno é o nome da esposa de Júpiter, o rei de todos os deuses. Ela era capaz de ver através das nuvens geradas por ele em torno de si. Faz sentido para uma sonda que viajou tanto para nos mostrar um planeta que, até então, é praticamente desconhecido por nós.

Juno é o objeto criado por humanos mais veloz já feito: quando chegou a Júpiter estava a quase 210 mil km/h. E há um motivo para a Nasa dizer que é tão difícil: a órbita magnética do planeta é capaz de fritar eletrônicos. A Galileo, uma sonda anterior que eles enviaram em 1995, foi gravemente afetada pela radiação local.

Assim como a Terra tem uma bolha de proteção contra radiação, Júpiter também tem a sua. No entanto, como tudo no planeta, os níveis são muito mais extremos. O jeito que a Nasa encontrou foi fazer a sonda entrar perto dos polos do planeta, onde a intensidade magnética é um pouco mais fraca, e assim navegar pelas partes livres de grandes ondas magnéticas.

junogif (2)

Você pode imaginar que o processo é um tanto complexo e exige precisão. Agora pense que ela deverá fazer isso 37 vezes, como na ilustração abaixo:

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A sonda ainda receberá radiação equivalente a centenas de milhões de raios-X em menos de um ano. Para proteger os sensores, a Nasa criou um cofre de titânio de quase 200 quilos em torno deles.

“Tudo sobre Júpiter é o mais extremo”, disse Scott Bolton, um dos responsáveis pela missão, à revista New Yorker.

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