Zuckerberg conta como foi desenvolver sua própria inteligência artificial
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Foto: Divulgação Facebook
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Mark Zuckerberg desenvolveu sua própria inteligência artificial: Jarvis

Kaluan Bernardo em 20 de dezembro de 2016

Você lembra quais foram suas promessas de ano novo no início de 2016? A de Mark Zuckerberg foi desenvolver um assistente pessoal dotado de avançada inteligência artificial para sua casa. Algo como o Jarvis, de “Homem de Ferro”, criado por Tony Stark. Na verdade, Zuckerberg também batizou seu projeto de Jarvis.

O ano está chegando ao fim e Mark Zuckerberg resolveu compartilhar o que ele conseguiu criar e quais foram suas dificuldades em relação ao tema. “Meu objetivo era aprender sobre o estado da inteligência artificial — estamos à frente do que muitas pessoas imaginam e ainda temos um longo caminho pela frente”, comentou o CEO do Facebook em um texto na plataforma.

Mas, afinal de contas, o que Zuckerberg conseguiu criar? Segundo ele: uma inteligência simples que o permite falar no smartphone ou no computador e controlar a luz, temperatura, música, eletrodomésticos e segurança da casa. Segundo ele, o sistema aprende sobre seus gostos e padrões, novas palavras e conceitos e até pode entretê-lo. Para isso, utilizou sistemas de processamento natural de linguagem, reconhecimento de voz e de rosto e aprendizado reforçado — todos escritos em linguagens como Python, PHP e Objective C.

Inteligência Artificial

Foto: Divulgação/Facebook

O processo, segundo Zuckerberg, foi relativamente fácil. “De certa forma, esse desafio foi mais fácil do que eu esperava. Na verdade, meu desafio de corrida (eu também decidi que correria 587 km em 2016) me tomou mais tempo”, comenta. De qualquer forma, também houveram dificuldades e aprendizados, que ele compartilhou.

Conectando a casa

Esse foi um dos aspectos mais complicados, segundo Zuckerberg. Isso porque diferentes aparelhos se comunicam por diferentes linguagens e protocolos — quando o fazem. Muitos sequer estão conectados à internet e precisavam de um adaptador que os colocasse em rede.

“Precisei fazer engenharia reversa na API de alguns [aparelhos] para poder chegar ao ponto no qual eu pudesse dar um comando do meu computador para ligar as luzes ou tocar uma música”, comenta. Esse é um conhecido problema da Internet das Coisas que coloca desafios no mercado. Zuckerberg concorda: “para mais assistentes como Jarvis controlarem as casas para mais pessoas precisaremos que mais dispositivos estejam conectados e a indústria precisa desenvolver APIs comuns e padrões para os dispositivos conversarem entre si”, conclui.

Desenvolvendo a linguagem natural

O próximo passo foi desenvolver um sistema que fizesse o computador se comunicar com Zuckerberg e sua esposa, Priscila. Para isso, eram necessários dois passos: permitir que o sistema se comunicasse por texto, para depois fazê-lo entender a voz e traduzi-la para textos.

As luzes da casa podem ser controladas pelo messenger do Facebook. Foto: Divulgação/Facebook

As luzes da casa podem ser controladas pelo messenger do Facebook. Foto: Divulgação/Facebook

Zuckerberg começou por comandos e palavras simples, como “quarto”, “luzes” e “ligar” para acender as luzes. Mas logo percebeu que precisava ensinar sinônimos para que o sistema fosse capaz de entender melhor o que ele fala.

Outro desafio foi ensinar contexto para a inteligência artificial. Afinal, quando Zuckerberg fala “meu escritório”, significa uma coisa; quando sua esposa fala, significa outra. Ou então, quando ele pede para tocar música, o sistema precisa entender que é no ambiente que ele está, e não no quarto ao lado.

Um dos maiores desafios, segundo o executivo, foi em relação à música. “Há muitos artistas, músicas e álbuns para um sistema de palavras-chave lidar. A quantidade de coisas que você pode pedir é muito maior. Luzes podem ser ligadas e desligadas, mas quando você diz “toque X”, até as menores variações podem significar coisas muito diferentes”, diz.

Por isso, o segredo é ensinar contexto. Quanto mais o sistema tiver, melhor. E Zuckerberg diz que conseguiu criar algo bom nesse sentido. Normalmente ele pede apenas para ouvir qualquer música e o sistema acerta. “Se ele erra no humor, eu posso apenas dizer, por exemplo, ‘isso não é leve, toque algo leve’ e a inteligência artificial irá aprender tanto a classificação daquela música quando consertar imediatamente”, comenta. Além disso, Jarvis sabe, por exemplo, quando o criador do Facebook está com sua esposa e já recomenda músicas que ambos gostem.

Reconhecimento visual

Inteligência Artificial

O uso de reconhecimento de face avisa quando a porta é aberta para algum amigo. Foto: Divulgação/Facebook

“Quase um terço do cérebro humano é dedicado à visão, e há muitos problemas importantes de inteligência artificial relacionados a entender o que está acontecendo com imagens e vídeos”, diz. Alguns deles são acompanhar movimentos, reconhecer objetos e rostos.

Reconhecimento facial é particularmente complexo porque, no geral, pessoas são mais parecidas do que objetos. No entanto, se você já postou uma foto no Facebook e viu a rede social sugerir marcar seu amigo apenas por reconhecê-lo na foto, já sabe que os caras são bons nessa tecnologia. Zuckerberg apenas precisou adaptá-la à sua casa para saber, por exemplo, quem estava batendo em sua porta.

Para isso, precisou apenas instalar algumas câmeras que reconhecessem a pessoa de diferentes ângulos. Em seguida conectou a esse sistema que tenta identificar quem é o indivíduo e, na sequência, procura saber se o dono da casa estava esperando por aquela pessoa.

“Esse tipo de sistema visual de inteligência artificial é útil para várias coisas, inclusive saber se Max [sua filha] está acordada, então posso começar a tocar música ou fazer lições de mandarim”, comenta. Novamente, para o sistema funcionar melhor, o mais importante é ele ter mais contexto.

Reconhecimento de voz

Curiosamente, Zuckerberg acredita que o texto deverá ser mais importante do que a voz — apesar da voz também ter sua importância, principalmente por ser rápida. Para conseguir fazer com que Jarvis entendesse o que diz, ele desenvolveu um aplicativo próprio (para iOS), já que o Messenger do Facebook não é bom para isso.

Zuckerberg, que desde 2012 não desenvolvia um aplicativo para iPhone, se disse surpreso em ver como as ferramentas para reconhecimento de voz avançaram. Apesar disso, a inteligência artificial para organizar essas falas ainda não é muito boa. “Outra limitação interessante de sistemas de reconhecimento de fala — e de sistemas de machine learning mais genericamente — é que eles são otimizados para problemas mais específicos do que a maioria das pessoas imaginam”, comenta.

Inteligência Artificial

Foto: Divulgação/Facebook

Isso acontece porque conversamos diferente com máquinas. Se você treinar um sistema para aprender a reconhecer a fala com base apenas nos comandos de busca que alguém dá para o Google, verá que as palavras e modo de falar são bem diferentes do que aquelas que a pessoa usaria no Facebook.Zuckerberg afirma:

A nível psicológico, uma vez que você fala com um sistema, você atribui mais profundidade emocional a um computador do que faria se fosse apenas escrevendo ou usando uma interface gráfica.

Os próximos passos e as conclusões

O desafio do Jarvis não acaba com o ano e Zuckerberg continuará a melhorar a ferramenta para adaptá-la a seu dia a dia. Os próximos passos, segundo ele, serão desenvolver um aplicativo Android, colocar mais terminais de voz em outros ambientes da casa e conectá-lo a mais eletrodomésticos.

No longo prazo, Zuckerberg quer ensinar Jarvis a aprender novas habilidades sozinho. “Se eu gastasse mais um ano nesse projeto, eu focaria mais em aprender como o aprendizado funciona”, comenta o executivo.

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Zuckerberg diz que até considerou abrir o código para que outras pessoas avançassem a tecnologia, mas como ele colocou muitas informações sobre sua casa e sua vida pessoal, ele prefere não fazer isso. “Se eu construir uma camada que abstraia mais as funções de automação residencial, eu posso lançá-lo. Ou, então, isso pode ser a fundação para criar um novo produto”, sugere.

Por sorte, ele ainda não desenvolveu nenhum robô com inteligência suficiente para se tornar consciente e tornar muita ficção científica em realidade. Mas ele ganhou uma boa noção sobre o futuro da inteligência artificial. E ele vê um futuro impressionante.

“Eu já havia previsto que entre cinco e dez anos teremos sistemas de inteligência artificial que são mais precisos do que cada um de nossos sentidos — visão, audição, tato, etc, assim como para coisas como linguagem”, diz. “É impressionante o quão poderoso o estado da arte para essas ferramentas está se tornando. E esse ano fiquei mais confiante em relação à minha previsão”, afirma.

Por outro lado, ele também acredita que ainda estamos longe de entender como o aprendizado funciona. “Tudo o que fiz esse ano — linguagens naturais, reconhecimento de face, reconhecimento de voz e por aí vai — são todos variáveis dos mesmos padrões de técnicas de reconhecimento”, comenta. Sabemos dar vários exemplos de algo para um computador reconhecer algo, mas ainda não sabemos como fazê-lo entender algo em um contexto completamente novo.

Toda essa experiência, segundo Zuckerberg, lhe tomou apenas 100 horas. “Mas mesmo se eu gastasse mais 1.000 horas, eu provavelmente não conseguiria criar um sistema que aprende novas habilidades sozinho — a menos que eu fizesse alguma disrupção fundamental no estado da inteligência artificial ao longo do caminho”, diz.

Ele acredita que a inteligência artificial está mais perto do que muitos imaginam em atividades como dirigir carros, curar doenças, descobrir planetas e entender a mídia. E isso terá grandes impactos no mundo. Por outro lago, seguimos sem entender o que a inteligência realmente é.

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