Melinda Gates vai investir em projeto para mulheres na tecnologia
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Melinda Gates Foto: CC
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Melinda Gates vai investir em mulheres na tecnologia

Camila Luz em 11 de outubro de 2016

Melinda Gates passou os últimos 16 anos anos ao lado do marido, o bilionário Bill Gates, semeando mudanças sociais através da maior fundação de filantropia privada do mundo. Em 2016, ela se prepara para dar um grande passo a favor de um objetivo particular: ajudar mulheres na tecnologia, para que conquistem espaço e façam carreiras promissoras na área.

A Bill and Melinda Gates Foundation já movimentou US$39,6 bilhões para custear iniciativas que levaram cuidados médicos à populações carentes e ajudaram a reduzir a pobreza extrema. A fundação também promoveu oportunidades educacionais e de acesso à informação e à tecnologia nos Estados Unidos.

No entanto, mesmo a mais eficiente das instituições de filantropia não consegue atingir todos os problemas do mundo. Para Melinda, trazer mais mulheres para a área de tecnologia — e possibilitar que se mantenham na profissão — é um assunto que merece sua dedicação. Por isso, está construindo um escritório pessoal para dedicar recursos e atenção à questão.

A jornalista Jessi Hempel, do site Backchannel, entrevistou Melinda para entender por que a questão das mulheres na tecnologia é tão importante e o que filantropa pretende fazer para ajudá-las.

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Mulheres na tecnologia transformam sociedades

Em primeiro lugar, a questão é pessoal. Melinda se graduou em ciências da computação na Duke University (EUA) e passou uma década trabalhando na Microsoft. Decidiu voltar sua atenção para o lugar das mulheres na sociedade e na tecnologia enquanto realizava trabalhos fora dos Estados Unidos. Para ela, mulheres que transformam sociedades e certas regiões do planeta estão favorecendo sua participação.

Eu olho para a representatividade de mulheres no Congresso — menos de 20%. Em alguns países que visito na África, a representação feminina equivale a 47%.

“Vou para países escandinavos e eles têm políticas incríveis para ajudar homens e mulheres que têm filhos a balancear tempo entre trabalho e família. Quão longe nós chegamos?”, questiona.

Para Melinda, seu país não só avançou pouco, como está retrocedendo — principalmente no que diz respeito à quantidade de mulheres empregadas em ciências da computação. Hoje, o sexo feminino recebe 47% dos diplomas de direito e 48% de medicina. Nos anos 80, recebia cerca de um terço. Em ciências da computação, no entanto, a quantidade de mulheres graduadas despencou de 37% para 18%.

“Para mim, a indústria de tecnologia é um dos melhores lugares para trabalhar agora. Se eu voltasse a trabalhar, com certeza iria para ciências biológicas, tecnologia ou uma combinação das duas”, defende. “Toda empresa precisa de tecnologia. No entanto, estamos formando menos mulheres especialistas. Isso não é bom para a sociedade. Nós temos que mudar essa realidade”, afirma.

Como trazer mais mulheres para a tecnologia

O escritório pessoal de Melinda terá como objetivo ajudar mulheres a entrar para a área de tecnologia, conquistando boas posições no mercado de trabalho e carreiras promissoras. No entanto, ela ainda está analisando quais serão as melhores iniciativas e recursos para concretizar suas ideias.

“Em tudo que fizemos na fundação, passamos por aquilo que chamo de modo de aprendizagem. Às vezes, passamos dois anos aprendendo, coletando informações, conversando com especialistas e olhando para pesquisas de fora”, explica “Por enquanto, estou neste modo de aprendizagem. Então ainda preciso descobrir exatamente quais investimentos vou fazer”.

Melinda já tem uma ideia sobre quais áreas merecem sua atenção. Na história, mulheres pararam de se interessar por ciências da computação quando jogos deixaram de ser neutros e se voltaram para o universo masculino. “Isso já está mudando um pouco, mas realmente quero tentar descobrir mais sobre essas correlações para que os mesmos erros não sejam cometidos novamente”, defende.

O sistema educacional é outro ponto a ser abordado. Em todas as etapas, passando pela escola primária e chegando até a faculdade, o sexo feminino é pouco incentivado a entrar na área da tecnologia. Programas de ciências da computação em boas universidades geralmente voltam suas atenções para homens brancos. Essas instituições não investem em modelos femininos de profissionais para chamar a atenção das adolescentes, ou sequer tomam qualquer outra atitude para diminuir o gap de gênero.

Para Melinda, insistir na inserção de modelos profissionais femininos é atitude que não pode faltar. Além disso, é preciso investir em diferentes fenótipos, para que mais meninas se identifiquem. “Se você mostra imagens de diferentes perfis de mulheres na tecnologia, garotas podem pensar: “Oh, eu não me pareço com aquele ou aquele ou aquele, mas me pareço um pouco com aquele outro. E essa mulher está fazendo coisas incríveis”, afirma.

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