Movimento maker em Cuba surgiu de necessidades básicas
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Foto: Istock/Getty Images
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Movimento maker cubano surgiu de necessidades básicas

Camila Luz em 11 de abril de 2017

Em 1991, após a queda da União Soviética, Cuba entrou em uma crise econômica profunda. Trinta anos antes, os Estados Unidos já haviam deixado a ilha, levando consigo seus engenheiros e muitas empresas. Diante dessa situação, a população cubana se organizou em um movimento maker, criando novos objetos, eletrodomésticos e brinquedos por conta própria.

Recentemente, o designer e artista cubano Ernesto Oroza estudou as inovações desenvolvidas durante o período. Ele descobriu que era normal os habitantes da ilha fabricarem máquinas caseiras utilizando o que tinham para sobreviver. Mais tarde, ele contextualizou essas criações como “arte” em um movimento chamado “Desobediência Tecnológica”.

O início do movimento maker em Cuba

A história do movimento maker cubano começa na década de 1961, quando os Estados Unidos deixaram a ilha, durante a Guerra Fria. Aos poucos, a região foi se tornando cada vez mais isolada do mundo exterior. O início do famoso embargo contra Cuba significou a saída em larga escala de recursos materiais, do dinheiro americano e também o fim das importações.

Já prevendo um futuro que demandaria autossuficiência, Che Guevara, então ministro das indústrias de Cuba, ofereceu o primeiro “impulso ideológico” para o que viria a ser um estilo de vida das próximas gerações. Junto de Fidel Castro, encorajou os habitantes a construírem e repararem seus próprios objetos. Surgiram assim brinquedos feitos de lata de leite, bicicletas com motores improvisados e carregadores de bateria para aparelhos de surdez.

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O governo socialista nacionalizou as empresas estrangeiras e transformou os trabalhadores em novos “patrões” do setor industrial. Fidel os incentivou a assumir ofícios de reparação e a criar peças sobressalentes. Se um engenheiro cubano tivesse retornado à ilha 10 anos depois do início do exílio, ele não seria mais um especialista. As novas engenhocas nasceram nas mãos criativas e grosseiras de designers que não tiveram outra opção na vida. Surgiram práticas nuas e cruas, mas igualmente produtivas.

Essa primeira onda de fabricantes do movimento maker mudou a forma como os cubanos interagem com tecnologia e inovação. Cultivou-se uma mentalidade de fazer reparos em casa. O mesmo engenheiro consertava o motor de um avião soviético durante o dia e, à noite, improvisava um fósforo utilizando caneta e lâmpada.

Desobediência tecnológica

As casas cubanas se transformaram em armazéns para todos os tipos de objetos. Tudo poderia ser útil no futuro. O acúmulo de produtos levou os trabalhadores a questionarem radicalmente os processos e seus mecanismos industriais: começaram a olhar para as peças não só como engenheiros, mas também como artesãos e criativos.

Todo objeto tinha o potencial de ser reparado ou reutilizado, mesmo que em um contexto diferente do seu design original. A acumulação era um gesto automático e dava nova vida para peças e coisas que o resto do mundo consideraria inútil. Nisso consiste a desobediência tecnológica.

Em um documentário produzido pela Vice, Ernesto Oroza afirma: “Pessoas pensavam além das capacidades normais de um objeto e tentavam superar as limitações que impunham a si mesmo”. O designer explica que as novas criações nem sempre atendiam às necessidades do seu criador — mas às vezes a ultrapassavam

Um desses exemplos é a Riquimbilis, uma bicicleta motorizada feita em casa para driblar os problemas de transporte. O veículo era muito barulhento e potencialmente perigoso, mas resolvia o problema dos habitantes.

Veja essa e outras invenções no vídeo feito pela Vice:

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