Música e robôs: inteligência artificial pode compor jazz
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Música e robôs: inteligência artificial pode compor jazz

Kaluan Bernardo em 9 de maio de 2016

A Darpa, órgão do governo norte-americano que desenvolve tecnologias militares, está ensinando robôs tocarem jazz. A ideia é fazer que inteligências artificiais sejam capazes de improvisar e criar músicas.

Assim como muitos jazzistas fazem em jams livres, os algoritmos dos robôs deverão improvisar seguindo certas estruturas e diretrizes. O projeto é desenvolvido por Kelland Thomas, que é músico de jazz e cientista da computação.

O departamento acredita que, em cinco anos, terão robôs fazendo música ao lado de humanos. Eles serão capazes de manipular os mais diferentes instrumentos, como saxofone, trompete e até bateria.

Robôs fazem música para se comunicar

O objetivo do projeto não é apenas termos novos robôs compositores. É ajudar a entender como podemos nos comunicar com as máquinas, inclusive pela arte. Paul Cohen, que pesquisa comunicação robótica na Darpa, acredita que a música compartilha diversos atributos com o mundo falado e escrito. “Há regras precisas sobre improvisação, seguindo linhas harmônicas particulares e garantindo que seu tempo está certo. Você não pode terminar uma frase no lugar errado. Precisa ser feito exatamente no lugar momento certo”, comenta ao TechInsider.

Thomas e sua equipe estão criando um grande banco de dados com centenas de partituras de apresentações de gigantes do jazz, como Miles Davis, Charlie Parker, Louis Armstrong e John Coltrane.

Usando algoritmos de “machine learning”, os robôs serão treinados pelo banco de dados. Mas, além de entender e reproduzir as músicas pré-existentes, eles deverão se tornar capazes de criar novas composições. Thomas explica ao TechInsider:

Um músico humano cria base de conhecimento praticando, ouvindo, aprendendo e estudado. Vamos fazer análogo à forma que humanos aprendem, mas eventualmente [os robôs] conseguirão fazer isso em uma escala muito maior. Poderão ler milhares de partituras em vez de dezenas ou centenas.

Enquanto as máquinas compositoras não surgem, você já pode ver diversas delas tocando músicas pré-programadas. No vídeo abaixo, por exemplo, Mason Breta, estudante de PhD na Georgia Tech Center for Music Technology (EUA), consegue tocar com pequenos robôs que o acompanham:

Em 2009, outros robôs desenvolvidos também no centro de música e tecnologia da Georgia programaram máquinas para acompanharem a improvisação de um músico. As máquinas ouvem a pessoa tocar e tentam responder com batidas e temas que dialoguem criativamente com ele:

Mas, afinal, robôs podem ser criativos?

A resposta para essa pergunta depende do que você considera criatividade. Os robôs dos vídeos acima eram criativos? Para tentar definir se um dia uma máquina pode atravessar a linha da invenção, foram criados alguns testes.

Leia também: a inteligência artificial pode ser criativa?

 

Alan Turing, pai da computação, acredita que uma máquina será criativa o dia que ela conseguir criar qualquer obra que você não saiba dizer se foi feito por um humano ou por um robô. Nesse quesito, talvez os robôs jazzistas cheguem lá.

Ada Lovelace, a primeira programadora, tem um desafio mais complexo: a inteligência artificial poderá ser considerada criativa quando nenhum programador souber explicar qual a lógica que aquela máquina usou para criar algo. Essa, se for alcançada, poderá demorar mais um tempo. De qualquer forma, exploramos mais essa discussão em outro texto. Leia aqui.

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