EmDrive: Nasa prova que tecnologia de propulsão de foguetes pode existir
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EmDrive: Nasa prova que tecnologia de propulsão de foguetes pode existir

Kaluan Bernardo em 4 de dezembro de 2016

Cientistas da Nasa dizem que conseguiram o impossível — ou pelo menos o que se acreditava ser. Tiraram do papel o EmDrive, um sistema de propulsão eletromagnética de foguetes que poderá revolucionar a forma como viajamos no espaço e que ainda desafia as leis da Física tal como as conhecemos hoje.

A Nasa diz que a tecnologia permite que a nave se mova pelo vácuo sem precisar de qualquer tipo de combustível. Se o EmDrive realmente funcionar como se espera no mundo real, as espaçonaves não precisarão mais viajar carregando toneladas de combustível. Isso poderá tornar as viagens muito mais rápidas e baratas. Estima-se que, com a tecnologia, poderemos chegar a Marte em 70 dias.

O sistema já está sendo estudado há um tempo, mas como ele desafia as leis clássicas da Física, deixou cientistas do mundo inteiro céticos. Alguns chegavam a chamar a tecnologia de “pseudociência”. No entanto, um último estudo passou por análises de pesquisadores independentes, que deram mais credibilidade às afirmações. Entenda.

O que exatamente é o EmDrive e como funciona em foguetes?

A tecnologia do EmDrive foi proposta há mais de 20 anos pelo cientista britânico Roger Shawyer. Duas décadas depois uma equipe de engenheiros do Laboratório Avançado de Pesquisa da Física da Propulsão, da Nasa, mais conhecido como Eagleworks, testou a teoria.

O que o sistema faz, basicamente, é gerar empuxo ao mover energia eletromagnética (nesse caso, microondas de fótons), em uma câmara fechada e cônica. Quando os fótons colidem com a parede, eles empurram o dispositivo para frente — apesar de não haver nada sendo liberado da câmara.

Hoje, os foguetes atuais só conseguem criar empuxo ao ionizar um combustível (normalmente gás xenônio), liberando fachos de átomos carregados. Com a tecnologia, não haveria mais necessidade desse sistema e de liberar peso e espaço para viagem.

Por que o sistema desafia as leis da Física?

Momento escolinha: em 1687, Sir Isaac Newton nos disse que haviam três leis da Física que se tornariam a fundação da mecânica como conhecemos hoje. Eram os princípios fundamentais da inércia, da dinâmica e da ação e reação.

Vamos lembrar da última: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos”. Essa lei explica, por exemplo, porque quando alguém rema, o barco se move. Ou porque foguetes, quando jogam gases quentes para trás, movem-se para frente.

Mas, o EmDrive não expele nada. O sistema faz o foguete se mover para frente, sem jogar nada para trás. Há uma ação sem reação. Por isso, acreditava-se ser impossível.

Como chegamos até aqui?

Em 2014 a Nasa já havia anunciado que conseguiu criar as ondas para fazer o EmDrive funcionar. De lá para cá, foram testando a tecnologia em condições cada vez mais rigorosas. Enquanto isso, outros grupos dos Estados Unidos, Europa e China, além de uma comunidade de estudiosos independentes, tentaram reproduzir a tecnologia. Mas como ressalta a National Geographic, ninguém conseguiu provar que, de fato, funcionava.

Agora a Nasa publicou o seu estudo em uma revista científica, revisada por seus pares. Embora os revisores não garantem que a pesquisa é completamente válida, indicam que os cientistas independentes que analisaram os resultados dos experimentos e suas interpretações consideraram tudo válido.

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Alguns pesquisadores diziam que o motor esquentava, logo, seria o calor o gerador do empuxo. No entanto, dessa vez a Nasa testou o sistema no vácuo, imitando o que seria encontrado no espaço e impedindo que o calor gerasse movimento. A força gerada pelo sistema, de 1,2 milinewton por kilowatt de energia, não é muito quando comparada à um motor tradicional. Mas é suficientemente relevante considerando que não há combustível. É muito maior do que outras tecnologias, que também usam fótons, e conseguiram apenas entre 3,33 e 6,67 milinewtons por kilowatt.

A teoria do EmDrive e a propulsão no vácuo é válida?

Ainda há muito a se caminhar nessa pesquisa. Não está totalmente claro como o EmDrive gera energia, apesar de existirem várias hipóteses. A resposta possivelmente tem relação com física quântica. A Eagleworks, que desenvolveu o sistema, acredita que as microondas de fótons empurram um plasma virtual de vácuo quântico — apesar de não haver nenhuma evidência de que isso exista.

Se tudo isso se provar, entraremos em um novo campo da Física. Mike McCulloch, físico na University of Plymouth, diz que as evidências do EmDrive nos levam a uma teoria de que a inércia envolve algo chamado radiação Unruh — uma espécie de calor em objetos acelerados. Essa radiação seria gerada pelos fótons na câmara cônica, fazendo com que a inércia deles mude conforme eles se movem — o que produziria o empuxo. A questão é que essa radiação nunca foi provada. E mais: ele diz que a velocidade da luz varia dentro da cavidade do EmDrive, o que, segundo outros físicos, violaria algumas leis da relatividade de Einstein.

Outras teorias apontam para caminhos menos impossíveis, como o fato de a energia gerada pelo corpo em aceleração se conservado nele mesmo. Há uma série de hipóteses que poderão relevar novos caminhos para a Física — além de revolucionarem as viagens especiais.

A pesquisa, no entanto, ainda pode ser desconstruída. Alguém pode encontrar algum detalhe ou casualidade que explique o fenômeno. E segue o jogo. Os próprios autores discutem nove potenciais erros que podem ter acontecido no estudo, como vazamento de radiação eletromagnética ou falsas correntes de ar. Mais pesquisas devem ser feitas antes de comemorarmos as descobertas.

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