No Man's Sky: como funciona a tecnologia do game com universo infinito
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No Man’s Sky: como funciona a tecnologia do game com universo quase infinito

Kaluan Bernardo em 12 de agosto de 2016

Quando você olha para o céu em um jogo, sabe que é tudo falso. É tudo cenário, como em um filme. Você nunca poderá conhecê-las. São apenas pontos luminosos colocados como enfeites por um designer bem intencionado. O mesmo não acontece em “No Man’s Sky.” No jogo, cada estrela é um planeta que você realmente pode conhecer. O game tem um verdadeiro universo, quase infinito, dentro de si. E isso tudo graças a uma tecnologia chamada geração processual.

“No Man’s Sky” foi lançado no último dia 9 de agosto para PlayStation 4 e chegou no dia 12 aos computadores. Ele não é o primeiro game a utilizar a tecnologia de geração processual, mas com certeza é o que mais abusou e brincou do conceito. O jogo de exploração espacial é capaz de gerar planetas completos, com atmosfera, fauna, flora, solo, água… tudo calculado por algoritmos.

Os algoritmos de “No Man’s Sky” conseguem criar muitos planetas diferentes. Muitos mesmo. Para ser exato, eles geram 18,446,744,073,709,551,616 — mais de 18 quintilhões. Se você ficasse um segundo em cada um deles, demoraria 584 bilhões de anos para conhecer todos.

Não é que esses planetas sejam aleatórios. Pelo contrário: tudo tem uma razão de ser e estar lá. Por isso, não há caos. A cor da atmosfera do planeta está relacionada à sua distância do sol, o que por sua vez impacta nas distribuição geográfica da água, que determina como os animais serão e, por fim, altera como será a vegetação. Isso tudo é calculado por algoritmos extremamente avançados e complexos que funcionam em cascata.

E é claro que tudo o que você faz impacta o meio a sua volta. Matar um animal terá efeitos em todo aquele sistema. Mas o foco do game não é na violência, e sim na sobrevivência e na exploração. Até há formas de combate e caça, mas elas não são importantes. Em entrevista à revista Atlantic, Sean Murray, arquiteto chefe do game diz:

A natureza dos videogames é conflito. É uma reflexão interessante sobre onde chegamos. Com nosso game, você dá o controle a alguém, ele pousa em um planeta, vê uma criatura alienígena, e se é a primeira vez que ele estiver jogando, provavelmente irá atirar — mesmo que tenha feito uma longa jornada até lá. O que eu realmente gosto é que nove em cada dez vezes as pessoas se sentem mal por fazerem isso. Você não ganha pontos por matar. Não há moedas de ouro. Você simplesmente escolheu fazer isso.

A trilha sonora funciona de forma semelhante. Ela até existe em forma de disco e foi feita pela banda 65daysofstatistic, conhecida pelo seu post rock e math rock. Mas no jogo os trechos do álbum que são tocados na verdade são escolhidos por um sistema chamado “pulse”, que combina os diferentes elementos da música com as ações e momentos que você estiver vivenciando. Maluco, não? De qualquer forma, vale ouvir o álbum.

Os debates filosóficos que a geração processual de “No Man’s Sky” levanta

Um universo inteiro sendo criado por algoritmos, desenvolvidos por humanos, que rodam em um software. Apesar da proposta ousada e da tecnologia complexa, “No Man’s Sky” não é um jogo de uma grande empresa. Ele foi desenvolvido pela Hello Games, um estúdio de apenas quatro pessoas.

Nesse sentido, os designer são quase deuses. Não do tipo de Deus que cria um jogo pensando onde cada coisa deve estar, mas pessoas que pensam as leis que controlarão esse universo e garantirão a ordem de tudo. Essa possibilidade nos leva a uma teoria defendida por Elon Musk, de que vivemos em uma grande simulação.

O gênio e empreendedor acredita que podemos estar vivendo em uma espécie de “No Man’s Sky”, mas muito mais avançado e que nos ilude a ponto de acharmos que é real. Musk, inclusive, chegou a debater tal questionamento com os fundadores do game.

À Atlantic, Murray respondeu: “mesmo que estejamos em uma simulação, é uma boa simulação. Então não deveríamos questioná-la. Estou trabalhando em meu jogo dos sonhos no momento. Estou mais feliz do que triste. Seja lá quem estiver rodando essa simulação é mais inteligente do que eu, e já que ele criou uma boa, então eles são benevolentes e querem coisas boas para mim”, comentou.

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O game também traz à tona uma antiga questão existencial: se uma árvore cai, mas não há ninguém por perto para presenciar, ela fez barulho? Em “No Man’s Sky”, a resposta é não. Os seres e os planetas só existem quando alguém chega lá. Depois que a pessoa deixa o lugar, ele não fica salvo na memória. Some no vazio. Se alguém voltar até aquele lugar, no entanto, o algoritmo calculará como ele deveria estar e aquele local volta a existir, tal como o último visitante o deixou. Mas o planeta só existe quando alguém está lá para vivenciar a experiência.

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