Por que os óculos do Snap são incríveis e assustadores
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Foto: Divulgação
Inovação > Tecnologia

Black Mirror e o oversharing: por que os óculos do Snap podem ser assustadores

Pedro Katchborian em 29 de setembro de 2016

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Grande parte do sucesso da série “Black Mirror” (disponível na Netflix) é a abordagem pouco vista em relação a tecnologia. O programa em formato de antologia — em que cada episódio traz uma história e personagens diferentes — traz uma mistura de temas atuais ou de um futuro próximo: oversharing, gravação de memórias, robôs e outros assuntos estão na série constantemente descrita como “sinistra”. Por trazer essa dose de realidade, qualquer comparação de “Black Mirror” com a realidade pode ser assustadora. Os recém-lançados óculos do Snap logo foram comparados com a série britânica.

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O equipamento, que custa US$ 130, funciona da seguinte maneira: chamados de Spectacles, os óculos fazem vídeos de 10 segundos com a perspectiva da pessoa, podendo enviar diretamente para a rede social tudo o que você acabou de gravar se você assim desejar.

A relação com a série foi feita por várias pessoas assim que os óculos foram lançados: no capítulo “The Entire Story Of You”, o terceiro da primeira temporada de “Black Mirror,” a maioria das pessoas tem um hardware implantado no crânio e conectado com os olhos. No episódio, esse equipamento fica constantemente gravando o que a pessoa está vendo, sendo que é possível, por exemplo, voltar e rever uma memória.

No comunicado do Snap que fala sobre o produto, fica clara a ideia do Spectacles. “Imagine uma das suas memórias favoritas. Imagine se você pudesse voltar e ver essa memória da maneira que você teve a experiência?”, diz o comunicado. Lembrou algo?

Peter Kafka, do Recode, logo fez a associação, mas ficou indignado em como as pessoas não estão simplesmente enlouquecendo com esse equipamento que pode ser o início de um mundo pra lá de estranho: “é interessante ver que à primeira vista, ninguém parece preocupado com as consequências desses gravadores vestíveis onipresentes”, diz. Há não muito tempo o Google lançou o Google Glass e recebeu algumas críticas pela invasão de privacidade alheia que o gadget proporcionava. Mas, bem, isso foi antes do Snapchat nascer. De fato, se a referência for o futuro que existe em “Black Mirror”, a experiência de rever memórias pode ser mais traumática do que parece.

Mesmo assim, para Peter, apesar da ideia ser um pouco assustadora, “é melhor você esperar para dizer que é uma ideia terrível”. O Snap, ao contrário de empresas como Google ou Facebook, não costuma gerar tanto medo em relação ao tal oversharing de informações e compartilhamento de dados — no caso, compartilhamento da vida, praticamente. Além disso, Peter diz que o Snap já mostrou ser uma empresa que faz as coisas “confusas e legais”.

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O CEO do Snap, Evan Spiegel, falou ao Wall Street Journal sobre a experiência que teve ao testar o equipamento. “Uma coisa é ver imagens de uma experiência que você teve, mas é outra coisa ter uma experiência da experiência. É o mais perto que já estive de sentir que estava lá novamente“, comenta.

Pelo lado bom ou ruim, é senso comum de que esse tipo de inovação pode trazer novidades em relação a crimes e julgamentos. “A polícia e os militares poderiam ser obrigados a usar esse tipo de equipamento enquanto trabalham“, diz Max Plenke, do Mic.

Óculos do Snap e outras maneiras de gravar o mundo

Os óculos do Snap podem ser incríveis e assustadores, mas outros equipamentos e patentes já demonstraram o interesse da tecnologia em gravar o mundo com a nossa perspectiva. Em julho de 2015, o Google teve aprovação para uma patente descrita como “um método e um aparato para disponibilizar uma histórico das experiências reais do usuários”. Na época, houve a mesma comparação com “Black Mirror” e recordações do Google Glass, que deixou de ser produzido e vendido até que o Google saiba o que fazer com ele.

A patente do Google pode não ser tão sinistra, mas o mesmo não se pode dizer dos cientistas que estão criando olhos feitos por impressão 3D. A ideia é que eles possam gravar o que a pessoa vê, além de trazer filtros de imagem. A inovação, chamada de EYEs, deve estar disponível em até 2027. Ou seja, “Black Mirror” pode ser uma série muito mais sobre o presente do que sobre o futuro.

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