Os robôs sexuais estão chegando: quais os impactos?
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Foto: Michael Coghlan Flickr (Creative Commons)
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Os robôs sexuais estão chegando; quais os impactos?

Kaluan Bernardo em 23 de outubro de 2016

Um café em Londres promete oferecer robôs fazendo sexo oral em seus clientes. Na mesma cidade, a London University receberá um encontro, que foi banido na Malásia, para acadêmicos discutirem o sexo com robôs. Não, os londrinos não têm fetiches por máquinas. É que, de acordo com alguns experts, em poucos anos fazer sexo com robôs não soará tão estranho como hoje.

Não é de hoje que a ficção científica levanta tais possibilidades. Seja com pessoas se apaixonando por inteligências artificiais sem corpo, como em “Ela”, seja com robôs gigolôs, como em “Inteligência Artificial” e em “Westworld”, ou ainda com robôs sedutoras e assassinas, como em “Blade Runner”.

“Poderemos preferir afinidade com máquinas do que relacionamentos com pessoas reais e animais”, alerta Sherry Turkle, estudiosa cultural, ao jornal The Guardian.

David Levy, estudioso da inteligência artificial, é mais preciso. Em entrevista à revista Men’s Health ele diz que, até 2050, “amor com os robôs será tão normal quanto com outros humanos”. Autor do livro “Love and Sex With Robots” (“Amor e Sexo com os Robôs”, não publicado no Brasil), ele acredita que, em algum momento, será até legalizado o casamento entre pessoas e máquinas.

Robôs sexuais podem fazer um mundo menos solitário?

Hoje já há robôs sexuais no mercado. Empresas como Abyss Creation, RealDolls e True Companion vendem máquinas do sexo por aproximadamente US$ 7.000.

A bonecas da Abyss podem ter 19 rostos, cinco cores de olho, 15 cortes de cabelo e 11 diferentes tipos de lábios vaginais. Mas elas não são realistas, são apenas bonecas grandes, esquisitas e com inteligência primitiva.

Os criadores dessas empresas, no entanto, pretendem aprimorar os robôs para, no futuro, irem além do sexo ultrarrealista e convincente. Serão feitos e customizados para seus gostos e interesses, e não apenas para transar, mas para se apaixonar e conversar.

À Men’s Health, Douglas Hines, o presidente da True Companion diz que pretende oferecer robôs que não só se submetam a fantasias sexuais, mas também oferecem “amor e suporte incondicionais”.

Antes de advogar pelo sexo com robôs, David Levy era mestre de xadrez. O jogo o levou à computação e essa o trouxe ao futuro do romance. Ele acredita que em breve a prostituição se tornará obsoleta e as máquinas sexuais poderão deixar as pessoas menos solitárias. Levy diz que haverá “uma enorme demanda de pessoas que têm um vácuo em suas vidas porque não têm ninguém para amar, e ninguém as ama. O mundo será um lugar muito mais alegres porque todas essas pessoas que hoje são tristes terão alguém. E acho que esse será um serviço maravilhoso para a humanidade”, diz.

via GIPHY

Existe amor após os robôs?

Mas como ficam os relacionamentos humanos em um mundo onde todos transam com robôs? É possível que nos isolemos mais? Que valorizemos menos o outro? Que nos viciemos nas máquinas e esqueçamos de nos relacionar com pessoas?

David Levy vê os robôs como meros brinquedos sexuais. “As pessoas me perguntam: é traição [sair com uma máquina]? Apenas se você considerar traição mulheres usando vibradores”, diz ao The Guardian.

Mas há quem discorde e se posicione contra. É o caso de Kathleen Richardson, que criou a “Campanha Contra os Robôs do Sexo”. No site do movimento, defende que tais máquinas só servirão para objetificar mulheres e crianças.

Ela diz ainda que robôs sexuais podem reduzir a empatia humana – “algo que só pode ser desenvolvido pelo relacionamento mútuo”. Noel Sharkey, professor de robótica da Sheffield University, também se preocupa com os robôs sexuais.

Da mesma forma que o pornô serviu principalmente para alimentar a expectativa e a frustração das pessoas em relação ao sexo, os robôs podem ir pelo mesmo caminho.

Deborah Orr, colunista do Guardian, comenta: “É possível que, em um futuro próximo, mulheres jovens sintam a pressão não só para parecerem com estrelas pornôs, mas também por atuarem como robôs, sempre disponíveis para dar prazer?”.

Esses são dilemas que a sociedade e os desenvolvedores deverão debater e decidir, enquanto a tecnologia avança a ponto de permitir os robôs sexuais. Eles deverão ser banidos? Feitos de forma ética? Liberados completamente? A discussão continuará por alguns anos.

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