Sirius: ou por que o Brasil precisa de um acelerador de partículas
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Acelerador de partículas Sirius. Foto: Divulgação
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Sirius: ou por que o Brasil precisa de um acelerador de partículas

Emily Canto Nunes em 1 de março de 2017

Elevar o patamar da ciência produzida no Brasil. É esse o objetivo do Sirius, uma nova fonte de luz síncrotron que está sendo construída em Campinas, há quase 100 km da capital São Paulo, dentro do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, o CNPEM. Pouco sabem, mas hoje Campinas responde por pelo menos 15% de toda a produção científica nacional graças a uma outra fonte de luz síncrotron, o UVX, existente desde a década de 1990, sendo o terceiro maior polo de pesquisa e desenvolvimento do País.

Com a chegada do Sirius, um acelerador de elétrons de quarta geração, a tendência é só melhorar. O Sirius é um acelerador de partículas no qual um campo elétrico é responsável pela aceleração das partículas e um campo magnético é responsável pela mudança de direção das partículas, resultando na fonte de luz síncrotron.

Projeto do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que integra o CNPEM — organização social ligada ao governo federal — o Sirius deve ficar pronto em 2018. A construção do Sirius está custando mais de R$ 1,3 bilhão ao governo federal, mas deve ser a ferramenta experimental com o maior número de aplicações e de maior impacto do Brasil.

O que é um acelerador de partículas de luz síncrotron?

O Sirius é composto por um conjunto de aceleradores de elétrons, por estações experimentais, as chamadas linhas de luz, e por um prédio em formato circular que abrigará todo esse complexo.

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Fontes de luz síncrotron como o Sirius são equipamentos de grande porte que produzem uma luz de amplo espectro (infravermelho, ultravioleta e raios X) e que permitem o estudo da matéria em suas mais variadas formas. De uma forma bem resumida, pode-se dizer que o Sirius é um um enorme microscópio com luz própria que permite ver muito mais do que conseguimos em um equipamento tradicional que cabe em cima de uma mesa. Com ele, os pesquisadores conseguem ver a matéria numa escala atômica. Técnicas como espectroscopia do infravermelho ao raio X, espalhamento de raios X, cristalografia, tomografia e outras só são possíveis com esse tipo de equipamento.

Cientistas que buscam soluções para problemas nas áreas de energia, saúde, alimentação e meio ambiente precisam fazer análises em uma escala de átomos e moléculas que só é possível com esse tipo de acelerador. Materiais mais leves e resistentes, melhores fármacos, equipamentos de iluminação mais eficientes e econômicos, fontes de energia renováveis e instrumentos menos poluentes: tudo nasce do estudo da matéria e por isso a luz síncrotron é essencial.

Diferente de outros aceleradores em que o objetivo é entender a origem do universo por meio da Física Nuclear, como o LHC, famoso pela Partícula de Deus (ou Bóson de Higgs), o Sirius tem como objetivo estudar a matéria e com isso impactar diretamente a sociedade.

Chefe da divisão de engenharia do LNSL e responsável técnico pelos aceleradores do Sirius, Ricardo Rodrigues diz que é difícil imaginar tudo que o equipamento pode fazer pelo o Brasil, e contesta até mesmo aqueles que só vislumbra um prêmio Nobel. Em 2013, o belga François Englert e o britânico Peter Higgs ganharam o prêmio por causa da teoria que explica como as partículas adquirem massa após comprovarem a existência da partícula com ajuda do LHC.

Um Nobel, segundo ele, é uma medalha, um reconhecimento, mas o essencial para a ciência brasileira é o processo, o avanço conquistado pelos pesquisadores nacionais, estudos saindo do papel e mudando a vida das pessoas.

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