Qual o futuro dos aplicativos?
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Qual o futuro dos aplicativos?

Kaluan Bernardo em 23 de abril de 2016

O futuro dos aplicativos pode ser sombrio. Pete Sondergaard, vice-presidente da consultoria Gartner acredita que, até 2020, as pessoas não usarão mais apps em seu celular.

Outro relatório da empresa, de 2014, apontava que, em 2018, apenas 0,01% dos aplicativos pagos serão rentáveis. Um dos motivos é a saturação do mercado. Enquanto App Store e Google Play se vangloriam de contar com milhões de apps (muitos que servem para as mesmas coisas), o número é ruim para os desenvolvedores, que enfrentam cada vez mais concorrência.

Para Sondergaard, a era pós-aplicativos será dominada por algoritmos. Eles já saberão quais são nossas necessidades e se comunicarão conosco sem que você precise abrir um aplicativo. Está saindo de casa no horário do trabalho? Seu assistente pessoal já sabe disso e para onde você está indo. Ele abrirá o GPS antes que você pense em procurar o Waze e configurá-lo.

 

tela de computador sendo operada por um sistema e não aplicativo

O filme “Her” nos lembra: quem precisa de um aplicativo quando se tem a Samantha? Imagem: reprodução/Giphy

Os problemas dos apps

A verdade é que o futuro dos aplicativos já está ameaçado há tempos. Em um texto que viralizou na plataforma Medium, por exemplo, o desenvolvedor e engenheiro elétrico Donny Reynolds, diz que eles enfrentam dois grandes desafios: a entrega e a descoberta.

A questão da entrega é clara. Quantas vezes você viu uma promoção e, quando descobriu que precisava baixar um aplicativo para participar, desistiu? Ter que baixar aplicativos o tempo todo dá trabalho. Renyolds diz:

 

Pagar por e instalar um app já foi algo mágico, rápido e tranquilo. Hoje é um ato de comprometimento. Você não acreditaria em quantas pessoas precisam de uma razão convincente e um discurso sincero para fazer você testar um novo app.

 

Se você não acredita no que Reynolds diz, pense em quantas pessoas ainda se recusam a baixar o Messenger do Facebook, por mais que a rede social empurre o aplicativo. Ou pense naquele tio que demorou eras para, finalmente, instalar o WhatsApp.

Já o problema da descoberta é um pouco mais subjetivo. Ele tem a ver com o fato de que o conteúdo produzido dentro de muitos aplicativos fica preso naqueles sistemas, sem ser conhecido pelo resto da internet. Pense no caso do Instagram:  antes de a rede social ter uma versão para web, muitas daquelas fotos estavam restritas apenas a quem tinha o aplicativo. Reynolds diz:

“Tenho certeza que há muitos mais apps por aí que eu não conheço o conteúdo e que eles não são buscáveis ou visíveis no navegador. Uma internet fragmentada onde conteúdo criativo e original é fechado em plataformas privadas não é a internet que nós conhecemos e amamos”, diz.

O futuro dos aplicativos talvez não seja a morte

“Não acho que estamos vendo a morte dos aplicativos, mas sim a sobrevivência dos essenciais”, diz Bia Granja, fundadora do youPIX, plataforma que discute tendências digitais.

Bia granja

Bia Granja. Foto: reprodução/Facebook

 

Ela defende que a fase do deslumbre com o mundo dos apps já passou e que hoje só baixamos o que tem uma proposta de valor clara para o usuário. “Já se foi aquele tempo em que baixávamos aplicativo até para fazer som de pum”, brinca.

No entanto, ela destaca que os apps ainda fazem sentido como um todo. Uma das vantagens deles é que eles dispensam internet, o que no Brasil, onde há redes precárias, é essencial.

Esse, inclusive, seria um dos problemas dos WebApps (aqueles que abrem diretamente no navegador do smartphone). “Eles demoram para carregar e gastam internet, o que para muitos acaba sendo um problema”, diz.

Por fim, Bia defende que há recursos de interação que podem justificar a sobrevivência dos aplicativos. O principal deles seriam os chatbots, as inteligências artificiais que interagem conosco, como é o caso da Siri (da Apple), o M (do Facebook) e até mesmo de alguns jornais, como o do Quartz, que entrega notícias como se fossem uma conversa.

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