Realidade aumentada: a origem, as aplicações e o futuro da tecnologia
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Foto: Istock/Getty Images
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Realidade aumentada: a origem, as aplicações e o futuro da tecnologia

Pedro Katchborian em 20 de abril de 2017

A realidade aumentada sempre foi uma coadjuvante da realidade virtual, mas games como Pokémon Go e aplicativos como SnapChat mostram que a força da realidade aumentada pode ser maior do que havíamos pensado. Entenda mais sobre a tecnologia e veja como ela pode roubar o protagonismo da VR:

O que é a realidade aumentada?

A realidade aumentada é a mistura de um ambiente real com o digital. Ou seja, quando um dispositivo ou aplicativo insere informações digitais em um ambiente real. Ronald Azuma, um dos maiores pesquisadores sobre o tema e funcionário da Intel, define que a inovação se enquadra quando há três elementos: a combinação de elementos virtuais com o ambiente real, a interatividade e processamento em tempo real e é concebida em três dimensões.

Quando surgiu a realidade aumentada?

A realidade aumentada normalmente é atrelada a dispositivos modernos como smartphones e headsets, mas o conceito não é novo. Em 1901, o autor e cientista L. Frank Baum já mencionava a ideia de um aparelho eletrônico que mistura informações digitais na vida real.

No entanto, o conceito mais próximo do que existe hoje só começou a existir na década de 60, quando nomes como Morton Heilig e Ivan Sutherland criaram dispositivos que misturavam vida real e digital. Não há um consenso em relação ao criador do termo “realidade aumentada”, mas ele costuma ser atribuído a Thomas P. Caudell, um ex-funcionário e pesquisador da Boing.

A década de 90 contou com diversos estudos nas área militar e em protótipos para explorar a inovação. Para o consumidor, testes, games e dispositivos começaram a surgir nos anos 2000 e ganharam popularidade somente com os smartphones.

Quais são as aplicações da realidade aumentada?

A realidade aumentada é um conceito novo. Portanto, muitas aplicações ainda estão sendo conhecidas aos poucos. O que já se sabe é que são dezenas de possíveis usos. Veja as cinco principais utilizações da RA:

Educação

Experiências em RA devem ser frequentes em colégios e faculdades em um futuro próximo. Um dispositivo de realidade aumentada pode mostrar vídeos, textos e outras informações misturadas com o ambiente real.

Um exemplo da versatilidade da tecnologia é o Construct3D, um sistema que permite que estudantes aprendam conceitos de engenharia mecânica, matemática ou geografia. O aparelho permite que estudantes compreendam conceitos ao permitir que eles desenham e modifiquem formas geométricas. Veja um vídeo do app em uso:

O Chemistry AR visa auxiliar no ensino de estudantes de química, já que possibilita a visualização e interação com imagens de moléculas.

Design e arquitetura

A possibilidade de colocar digitalmente objetos e paredes em ambientes reais torna a tecnologia um atrativo para setores como design e arquitetura. Um projeto que chamou a atenção entre os arquitetos foi o CityViewAR, que permitiu que engenheiros pudessem planejar prédios na cidade de Canterbury, na Nova Zelândia, que havia sido atingida por um terremoto.

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CityViewAR Foto: Divulgação

Saúde

Um dos usos mais conhecidos é na saúde: um aparelho que projeta veias subcutâneas para localizar veias é utilizado em consultórios ao redor do mundo. A inovação também podem ajudar médicos a visualizar posições de tumores. Um raio-x virtual também ajuda a ter o diagnóstico preciso.

Militar

A tecnologia é aplicada militarmente há mais de uma década. Em 2003, o exército americano começou a utilizar um dispositivo de realidade aumentada chamado SmartCam 3D, que possibilitou soldados a visualizar pontos de interesse. A realidade virtual também é utilizada em tempo real pelos soldados: com uma câmera que transmite o que o militar está vendo, pessoas ou objetos podem ser marcados como riscos em potencial.

Games

Pokémon GO ajudou a popularizar a RA em games. O uso da câmera do smartphone possibilita empresas como Niantic e LyteShot investirem em games que misturam o virtual e o real. Além do já citado Pokémon GO, há jogos como Titans of Space.

Quais são os jogos e headsets mais famosos de realidade aumentada?

A realidade aumentada costuma disputar o noticiário com a realidade virtual e, à primeira vista, o VR tem atrativos mais empolgantes e costuma levar vantagem. Mas, nem sempre é assim: em abril de 2013, quando o Google apresentou o Google Glass, os olhos se voltaram para a RA

Foram anos desenvolvendo o protótipo dos óculos, que ganharam atenção do público por misturar informações digitais e reais. As aplicações seriam as mais variadas: a integração com serviços do Google permitiria acessar e-mails, mapas e redes sociais utilizando os óculos. Depois de muitos estudos do Google, a empresa abandonou o protótipo em janeiro de 2015.

Se em 2013 a inovação ganhou atenção, em 2016 ela foi amplamente celebrada e utilizada pela primeira vez na história. O pico de busca sobre o termo foi entre julho e setembro de 2016, quando a Nintendo lançava Pokémon GO.

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Foto: Istock/Getty Images

O app foi lançado em julho de 2016 em alguns países e chegou nos meses seguintes a outras localidades. A inovação aparece quando o usuário interage no Google Maps e utiliza a câmera do smartphone para capturar os monstrinhos em ambientes reais. Foram mais de 500 milhões de downloads do game ao redor do mundo. O hype já passou, mas o game foi capaz de discutir como a realidade aumentada pode modificar como interagimos com as cidades.

Depois do fracasso do Google Glass, o próximo dispositivo que tem feito olhos brilharem é o Hololens, da Microsoft. O headset promete revolucionar diferentes campos de atuação — games, filmes, arte, arquitetura…. Com o aparelho, será possível colocar qualquer tipo de elemento virtual em um ambiente real. O vídeo abaixo do The Verge explica mais:

Desenvolvedores podem comprar o HoloLens por cruéis US$ 5 mil, mas a expectativa é que o preço baixe com a segunda versão, que deve chegar em 2017. Também há a possibilidade do adiamento dessa versão, com o dispositivo chegando somente em 2019.

Em 2014, a Google apresentou o Project Tango, uma plataforma para smartphone que tem como intenção mapear o mundo à nossa volta e aproveitar todo o potencial da realidade aumentada. Entre outros objetivos, o Project Tango prometia fazer um mapeamento da casa para comprar móveis e de outros locais para que cegos consigam andar em locais desconhecidos sozinhos. Em 2016, a tecnologia finalmente chegou ao Lenovo Phab 2, que teve seu lançamento em outubro de 2016 e, neste ano, ao Zenfone AR, da Asus.

O Snapchat é outro app popular que incorporou elementos de realidade aumentada em sua usabilidade. Recentemente, o app lançou emojis que podem ser colocados nos vídeos feitos na plataforma. Veja abaixo:

Qual é o futuro da realidade aumentada?

O futuro parece empolgante para a realidade aumentada. Além do sucesso de Pokémon Go, há outros indícios de que a tecnologia pode estar presente na vida de muitos em pouco tempo.

Tim Cook, CEO da Apple, é um dos que acredita no potencial da inovação. “Minha visão é de que a realidade aumentada é a maior das duas, de longe, por que ela dá a possibilidade de nós dois conversarmos entre si, mas também com outras coisas virtuais para ambos vermos”, disse, comparando com a VR. “Talvez seja algo virtual que tenha a ver com o que estamos falando, talvez seja alguém que não está aqui, presente, mas pode parecer presente. Então há muitas coisas legais”, completou.

Uma pesquisa com 650 fundadores de startups, empresas de tecnologia e investidores descobriu que 66% dos entrevistados acreditam que a receita da realidade aumentada vai ultrapassar a virtual.

Outro estudo, feito pela consultoria Digi-Capital, prevê que o mercado de realidade aumentada pode chegar a valer US$ 90 bilhões em 2020, comparado a US$ 30 bilhões da realidade virtual.

Para a Discovery Magazine, o grande problema da inovação é a dificuldade de transmitir o que ela pode fazer. “A realidade aumentada provavelmente se mantém mais misteriosa do que a realidade virtual para a maioria das pessoas”, diz. O fracasso do Google Glass também pode contribuir para essa ideia negativa sobre o tema.

Ainda segundo a Discovery Magazine, isso só vai começar a mudar depois que os equipamentos de AR como o Microsoft Hololens e a Magic Leap chegarem ao mercado — e isso não deve acontecer antes de 2017.

A startup Magic Leap é rodeada de mistério, mas vídeos feitos com a tecnologia mostram sistemas solares, robôs e animais digitais misturados com a realidade. Não se sabe ao certo se isso será feito com um headset como o Oculus Rift, mas a ideia é empolgante. “É como sonhar com os olhos abertos”, disse Sam Miller, um funcionário da Magic Leap.

Veja um vídeo da Wired que explica mais sobre a startup e entenda a capacidade da realidade aumentada e da realidade mesclada (AR+VR):

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