Westworld: O que acontece quando os robôs se parecem conosco?
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O que acontece quando os robôs se parecem conosco? Westworld mostra

Kaluan Bernardo em 16 de outubro de 2016

Em “Westworld”, nova série da HBO, pessoas visitam um parque temático em um futuro não tão distante. O cenário imita o Velho Oeste. Lá, os indivíduos podem tomar um drink num salon, caçar bandidos, estuprar mocinhas ou duelar com o xerife. A diferença é que os personagens que interagem são robôs quase perfeitos, quase reais, quase humanos.

Os androides são constantemente aperfeiçoados. Os criadores do parque se preocupam o tempo todo em imprimir emoções humanas para convencer os visitantes de que são quase reais.

Apesar disso, as pessoas os humilham, os machucam, os destroem – afinal, são apenas máquinas. Mas algo começa a mudar ao passo em que os robôs evoluem.

Na série, cada vez que você conhece um novo personagem, fica na dúvida se ele é um androide ou um humano. Faz parte do roteiro ficar escondendo o jogo e confundir o espectador. Também ajuda a criar empatia com as máquinas. Afinal, se nem nós sabemos diferenciar quem é quem, o que justifica tal tratamento? Quando o robô deixa de ser máquina?

A proposta tem ecos de “Androides sonham com ovelhas elétricas?”, livro de Philip K. Dick, que inspirou o clássico “Blade Runner”, com Harrison Ford.

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Na obra, o policial Rick Deckard precisa eliminar androides que também se passam por humanos. Eles são tão semelhantes às pessoas que, para identifica-los, é necessário fazer um teste chamado Voight-Kampff, criado para medir a empatia – afinal, os robôs são incapazes de senti-la.

Ao passo em que Deckard assassina androides tão semelhantes a ele, sem saber exatamente se isso é certo, levanta-se a questão do quão empáticos os humanos conseguem ser. A pergunta, talvez, não seja quanto as máquinas são parecidas com os humanos, mas o quanto as pessoas são semelhantes às máquinas.

Quando os robôs são quase humanos, eles ainda são máquinas?

Isaac Asimov foi um dos principais escritores de ficção científica. Suas obras sobre robôs pautam, desde a década de 1950, os principais debates sobre a ética e a moral em relação à inteligência artificial.

Peter Sunderman, crítico do site Vox, separa as narrativas de Asimov em dois tipos. No primeiro, os robôs são uma ameaça e repentinamente se tornam violentos contra os humanos. No segundo, eles são amáveis e normalmente maltratados pelas pessoas. A maioria das ficções científicas segue o primeiro caminho. “Westworld”, que ainda está no começo, parece ir pelo segundo.

Ver os robôs como ameaça é útil para refletirmos sobre a moral deles. Mas enxerga-los como vítimas dos humanos, nos ajuda a refletir sobre nossa própria moral.

Em determinado momento da série, o criador do parque diz que as pessoas não vão até lá para descobrirem quem são, mas sim para saberem quem elas podem ser. É possível que o futuro da inteligência artificial nos diga mais quem somos como pessoas do que como criadores de tecnologia.

Esses questionamentos, cada vez mais comuns na cultura pop, não são meros devaneios filosóficos sobre possíveis futuros distantes. Eles falam sobre o futuro “a alguns minutos de nossa realidade”.

 

Por que nos preocuparmos com o futuro dos robôs?

No início de outubro, o jornal britânico Metro publicou uma entrevista com Noel Sharkey, professor da Universidade de Shefield, que diz que os robôs humanoides, quase iguais aos humanos, estarão entre nós em breve. “Acontecerá tudo muito gradualmente ao longo dos próximos 20 ou 30 anos até o dia em que nós nem perceberemos que eles estão entre nós”.

A entrevista foi publicada poucos dias após uma pesquisa revelar que a maioria dos britânicos acreditam que androides oferecerão melhores serviços do que os humanos.

Ainda alguns dias antes, empresas como Facebook, Google e Microsoft também se uniram, mas para tentar desenvolver formas de a inteligência artificial não ameaçar nossa existência. A iniciativa é válida, mas como as séries e livros nos lembram: quem cria e desenvolve as máquinas – pelo menos por enquanto – somos nós, os humanos.

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