Sonda da Nasa chega mais perto de Saturno do que nunca
Cassini
Foto: Divulgação/NASA
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Sonda da Nasa chega mais perto de Saturno do que nunca

Kaluan Bernardo em 26 de abril de 2017

Depois de 20 anos viajando pelo espaço, a sonda Cassini-Huygens chegou onde ninguém chegou: em um mergulho entre os anéis de Saturno. No dia 26 de abril a sonda fez o que a Nasa considerou o início de seu Grand Finale: o primeiro mergulho entre o planeta e seus anéis mais internos.

De abril a setembro serão 22 mergulhos, cada vez mais próximos do planeta, no qual a sonda enviará para a Terra imagens e dados. Não é uma missão fácil. Ela viaja a mais de 120 mil km/h e qualquer colisão com objetos pode provocar sérios danos à sonda.

Durante o mergulho, a sonda chegou a 3 mil quilômetros das nuvens mais altas do planeta e 300 quilômetros do anel mais interno. Logo após a volta ser completada, a Nasa divulgou no Twitter algumas das imagens captadas.

“Nenhuma espaçonave chegou tão perto de Saturno antes. Tivemos que confiar em nossa experiência com os outros anéis de Saturno para prever como achávamos que este vão entre os anéis e Saturno seria”, disse Earl Maize, gerente do Projeto Cassini na Nasa, à imprensa.

Onde ninguém jamais chegou

Os próximos 22 mergulhos da Cassini acontecerão a cada semana. O próximo já está agendado para o dia 2 de maio. A sonda chegará cada vez mais perto do planeta, até que finalmente seu combustível irá se esgotar e ela se chocará com a superfície.

“Vamos terminar essa missão com muitas informações novas, dados incríveis nunca antes descobertos”, diz Athena Coustenis, do Observatório de Paris em Meudon, na França, à BBC Brasil. “Esperamos conseguir (dados sobre) composição, estrutura e dinâmica da atmosfera, além de informações fantásticas sobre os anéis”.

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Como estará entre os anéis e Saturno, os pesquisadores também poderão mensurar a gravidade livre da influência exercida pelos anéis à partir das informações enviadas pela sonda. “No passado, não conseguimos determinar a massa dos anéis porque Cassini estava voando fora deles”, explica Luciano Iess, da Universidade Sapienza de Roma, na Itália, à BBC. “Somos capazes de estimar a velocidade de Cassini com uma precisão de poucos microns por segundo. Isso é fantástico se você considerar que estamos a mais de um bilhão de quilômetros de distância da Terra”, explica.

Os cientistas esperam descobrir, por exemplo, a massa e a idade dos anéis – que eles acreditam serem formados por gelo. Quanto maior for a massa, mais velhos os anéis prometem ser. Os pesquisadores querem saber como planetas gigantes evoluem.

Uma das formas para descobrir isso é analisando como a velocidade da sonda é alterada ao passo em que ela voa entre os campos gravitacionais do planeta e suas faixas de gelo.

Além de estudar Saturno, a sonda também analisou suas diversas luas, trazendo conhecimentos valiosos para os astrônomos. Ao passar pela maior das luas de Saturno, a Titan, por exemplo, os pesquisadores viram diversos paralelos com a Terra, incluindo lagos, rios, canais, dunas, chuvas, nuvens, montanhas e, possivelmente, vulcões. Segundo a Nasa, o conhecimento ajudou a pensar como era a Terra antes de ter vida evoluída. Com os dados obtidos pela sonda foram publicadas centenas de artigos nas principais revistas científicas do mundo. Cassini cumpriu o seu papel.

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