Techfugees, o projeto que apoia refugiados por meio da tecnologia
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foto: iStock, Getty Images
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Techfugees, o projeto que apoia refugiados por meio da tecnologia

Camila Luz em 16 de maio de 2016

Profissionais de tecnologia têm se unido em busca de soluções práticas para a crise migratória europeia. Startups, ONGs e empreendedores se conectam em eventos promovidos pelo Techfugees. O projeto pretende engajar esses grupos nos problemas enfrentados pelos refugiados, desenvolvendo plataformas, aplicativos e canais de informação que possam ser úteis.

O criador do Techfugees é o jornalista Mike Butcher, editor do TechCrunch, um dos maiores sites sobre tecnologia do mundo. Para ele, apoiar a crise de refugiados deve ir além de simplesmente fazer doações de dinheiro, comida ou abrigo.

homem olhando a camera com óculos

Mike Butcher, criador do Techfugees. Foto: divulgação, Dan Taylor/Heisenberg Media

“Eu percebi que poderia reunir a comunidade de tecnologia, pelo menos na Europa, para resolver situações de forma criativa”, disse, em entrevista ao site The Verge. Criou, em 2015, um grupo público no Facebook  para discutir soluções que hoje já conta com mais de 4000 mil membros.

Organizações como a UNHCR (Agência de Refugiados da União Europeia), UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e Cruz Vermelha se interessaram pelo projeto.  Empresas de tecnologia também passaram a patrocinar eventos do Techfugees.

Problemas identificados pelo Techfugees

 O modelo do projeto é baseado na proximidade. Os próprios refugiados têm participação importante, já que podem identificar as principais questões a serem solucionadas. Além disso, o Techfugees deve funcionar em conjunto com organizações que atuam em prol dos imigrantes, como ONGs.

No evento pioneiro do projeto, ocorrido em Londres em outubro de 2015, profissionais discutiram os principais problemas enfrentados hoje, como relata matéria do Business Insider Austrália. Uma das principais questões é: encontrar uma forma de localizar e reunir famílias que se perderam durante as migrações.

Outra necessidade é relatar horário e data da ocorrência de crimes de guerra. Identificar parentes dos refugiados que ainda se encontram em áreas de conflito, para entender se estão feridos e precisam de cuidados, foi uma das demandas que surgiu.

Depois, o foco é gerar uma perspectiva de futuro para esses indivíduos nos países acolhedores, que vá além da simples sobrevivência.

quatro fotos de uma conferencia sobre migração e tecnologia em londres

Evento ocorrido em Londres em outubro de 2015. foto: divulgação, Ed Telling.

Leia mais: Por que refugiados podem ser grandes empreendedores

Além disso, os refugiados da Síria, por exemplo, não são representados por qualquer indivíduo e não têm voz coletiva democrática. É necessário construir um caminho para eles e uma forma de representá-los em suas novas casas para que suas reais necessidades sejam atendidas.

Butcher acredita que interações com vítimas e ONGs possibilitaram ao projeto identificar maneiras de resolver problemas que vão além da conectividade, falta de aparelhos móveis e acesso restrito à internet. No site oficial, o criador afirma que Techfugees ajuda a promover educação, saúde e integração cultural nos países acolhedores.

Soluções práticas para refugiados

Neste primeiro evento, em Londres, surgiram soluções como o MyRefuge, uma plataforma que funciona como o Airbnb: refugiados podem encontrar residências privadas para se abrigar. Os voluntários oferecem o espaço de forma gratuita.

primeira pagina do site de my refuge

foto: reprodução

Profissionais também deram a ideia de criar o SMS’UP, um grupo de mensagens para refugiados que não possuem smartphones ou internet. Outra solução sugerida  foi o desenvolvimento de um aplicativo que conecte os imigrantes a moradores locais que possam dar suporte de alguma forma.

Segundo a página de eventos do Techfugees, as conferências seguintes discutiram melhorias para programas de educação à distância, por exemplo. O objetivo é fornecer uma possibilidade alternativa de formação para crianças e adultos. A comunidade tecnológica também busca maneiras de aprimorar canais de comunicação com campos de refugiados, apoiando organizações como o Médicos sem Fronteiras.

Os eventos do Techfugees ocorrem em cidades europeias, como Paris (França), Torino (Itália) e Amsterdã (Holanda). No entanto, outros locais do mundo recebem as conferências e estão prontas para ajudar, como é o caso de Melbourne (Austrália) e Nova York (Estados Unidos).

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