Armazenar dados e pesquisar online pode afetar a memória
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O quanto nossa memória é afetada pela tecnologia? Foto: Istock/Getty Images
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Armazenar dados em aparelhos e pesquisar online pode afetar a memória

Camila Luz em 20 de junho de 2016

Cada vez mais, as pessoas preferem armazenar informações no celular do que na cabeça. Esse hábito pode trazer consequências negativas ao funcionamento do cérebro. O instituto russo Kaspersky Lab promoveu estudos que relacionam perda de memória e tecnologia.

Com as facilidades tecnológicas, não precisamos exercitar a memória, que se torna mais fraca. Além disso, como as informações estão sempre disponíveis online, aprendê-las tornou-se dispensável. O cérebro mal chega a absorvê-las.

Um estudo feito pelo Kapersky Lab nos Estados Unidos revelou que 91,2% dentre 1.000 pessoas avaliadas admitiram que usam a internet como extensão do cérebro.  Dessas, 44% vão além: utilizam os aparelhos celulares como se fossem suas próprias memórias. Esse fenômeno de dependência foi classificado pelo instituto como Amnésia Digital.

Amnésia Digital

Nos Estados Unidos, o Kabersky Lab trabalhou com 1.000 consumidores com mais de 16 anos por todo o país. A Amnésia Digital foi identificada em integrantes de todas as idades e igualmente entre homens e mulheres.

O estudo também descobriu que a perda das informações contidas nos celulares deixaria os usuários devastados: 51% das mulheres e metade dos entrevistados que têm entre 25 e 34 anos de idade disseram que seriam tomados pela tristeza caso perdessem os dados armazenados em seus aparelhos para sempre. Pior ainda: 27% das mulheres e 35% dos adolescentes e jovens entrariam em pânico.

Outra pesquisa, feita pelo Karpersky Lab em países europeus, encontrou dados semelhantes: 6.000 usuários com mais de 16 anos foram analisados. Nesta pesquisa, 49% dos britânicos disseram não lembrar qual é o telefone de seus pais. O contrário também acontece: 71% dos adultos não sabem o número de seus filhos.

Além disso, 87% não lembram qual é o telefone da escola de seus filhos e 57% não sabem qual é o número do seu local de trabalho. No entanto, 47% sabem de cor o telefone da casa em que moravam quando eram crianças. Na época, telefones celulares ainda não existiam.

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No estudo, 24% dos usuários disseram que esquecem as informações logo depois que as utilizam. Especialistas responsáveis pela pesquisa dizem que recorrer à internet para armazenar dados com frequência pode resultar no esgotamento da nossa memória. “Nosso cérebro parece fortalecer a memória sempre que ela é acionada. Ao mesmo tempo, elimina informações irrelevantes que estão nos distraindo”, diz a Dra. Maria Wimber, da Universidade de Birmingham (Reino Unido), ao site Beta News.

A pesquisadora afirma que buscar muitos dados online, antes que possam ser armazenados pelo cérebro, não ajuda a formar uma memória a longo-prazo.

Pesquisas passadas demonstram que relembrar informações é uma maneira muito eficiente de criar a memória permanente. Por outro lado, repetir informações de forma passiva (por exemplo, pesquisar repetidamente na internet) não cria uma memória sólida e duradoura.

Esquecer informações nem sempre faz mal para a memória

Assim como um aparelho digital, a memória humana não é ilimitada. Informações não utilizadas desaparecem gradualmente. O cérebro humano também substitui memórias passadas por outras mais recentes. Esquecer informações é prejudicial quando são úteis. Quando não, é uma forma do cérebro liberar espaço para novos dados.

Infelizmente, a geração esquece tanto informações úteis quanto inúteis. O problema de recorrer à internet é que nem todos os dados disponíveis online são confiáveis. Por isso, ter senso crítico diante do que se está lendo é indispensável. É preciso checar todas as informações e entender se fazem sentido ou não.

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