As teorias de "Stranger Things": como a ciência ajuda a explicar a série
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As teorias de “Stranger Things”: como a ciência ajuda a explicar a série

Pedro Katchborian em 14 de setembro de 2016

Um grupo de crianças, uma história fantasiosa e cheia de mistério e uma dose de nostalgia tornaram “Stranger Things” um sucesso instantâneo. O amor pela série foi tanto que surgiram várias teorias de “Stranger Things” pela internet.

Um dos motivos da fama foi a pitada de ciência que faz parte de toda a trama da série. E, por mais ficção que seja, muitas ideias que estão no programa são baseadas em conceitos reais, mais especificamente da física teórica.

Além disso, ao analisar um pouco da ciência que pode existir nas teorias de “Stranger Things”, podemos até tirar conclusões sobre o enredo e o futuro da série da Netflix.

Portanto, consultamos Alexandre Reily Rocha, físico teórico do Instituto de Física Teórica da UNESP, que contou um pouco o que a ciência diz sobre universos paralelos e viagens no tempo.

Para entrar no clima, coloque os fones de ouvidos e clique para ouvir a trilha sonora original do seriado enquanto lê sobre algumas definições teóricas da ciência presente na série. Ah, vale o aviso: você verá alguns spoilers sobre a trama a seguir.

As teorias de “Stranger Things”: a interpretação de muitos mundos

Quando Will some logo no primeiro capítulo já começam a pipocar as teorias em nossas cabeças. A que segue o resto da série e aos poucos vai se revelando durante os episódios é a do universo paralelo. Na física quântica, essa ideia é apresentada na teoria de muitos mundos, que afirma que vários mundos podem existir de forma concomitante.

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Formulada por Hugh Everett, a interpretação de muitos mundos obedece a equação de Schrödinger, famoso pelo experimento com o gato. No caso, Schrödinger dizia que um gato dentro de uma caixa representa dois estados: vivo e morto.

Também chamada de princípio da incerteza, essa ideia representa uma sobreposição quântica, em que há um choque de dois estados. Desse modo, considera-se que vivemos no universo nos quais as decisões quânticas levaram à nossa existência, mas podem existir outros diferentes.

A teoria contrária à interpretação dos muitos mundos e a mais aceita é a interpretação de Copenhague, criada pelos dinamarqueses Niels Bohr e Werner Heisenberg, que afirma que as previsões da interpretação de muitos mundos são simplesmente um reflexo da falta de conhecimento de variáveis escondidas. Ou seja, como os resultados são “indeterminísticos”, diz-se que só é real aquilo que podemos ver: logo, o nosso universo é o único.

Em “Stranger Things”, é possível passar de um universo para o outro. O que, segundo as teorias, seria impossível. Isso dá mais força a teoria científica que você vai ler a seguir.

Teoria da viagem no tempo

Entre as teorias de “Stranger Things” há uma que diz que a cidade que vemos na série não é, na verdade, um universo paralelo e sim o mesmo universo, só que no futuro. Essa hipótese sai do campo da mecânica quântica e entra na parte da teoria da relatividade de Einstein. E, pelo menos de acordo com a teoria da viagem no tempo, essa transição entre dois mundos pode fazer mais sentido cientificamente, o que reforçaria a teoria de que a série se trata sobre viagem no tempo e não sobre universo paralelo.

Para criar um buraco de minhoca, seria necessário uma energia (alô, Eleven!) suficientemente grande para caber uma nave espacial ou outro objeto que pudesse passar nesse buraco. Segundo as teorias, é improvável que um buraco de minhoca seja construído, mesmo que por uma civilização muito mais avançada que a atual.

A dobra espacial

A teoria da viagem do tempo pelo buraco de minhoca também é explicada pela dobra espacial — e que é parcialmente explicada no quinto episódio de “Stranger Things”, chamado de “A Pulga e o Acrobata”. No capítulo, o professor de ciência Mr. Clarke dá uma explicação básica de como seria possível acessar o portal: ele conta que nós, humanos, seríamos representados por um acrobata em uma corda e que só poderíamos andar para frente e para trás, enquanto a pulga poderia ir para cima e para baixo.

prato de papel com desenho de pulga e acrobata

“A Pulga e o Acrobata” Foto: Reprodução

Por muitas vezes, o buraco de minhoca é descrito como uma dobra espacial, uma deformação no espaço-tempo que possibilitaria a transição entre tempos diferentes em questão de segundos. Nessa teoria, seria necessário que um objeto massivo aplicasse uma força no universo e pudesse “dobrar” o espaço. Para se ter uma ideia, estima-se que seria necessário um objeto do tamanho de 100 milhões de sóis para fazer tal dobra.

Não entendeu? Imagine uma folha de papel com pontos desenhados nas duas extremidades e uma formiga que precisa ir de um ponto até outro. Para ela, o caminho mais curto é andar de um ponto até outro. Caso existisse uma força que causasse uma dobra no papel, a formiga ainda precisaria andar de um ponto até outro, pois ela não consegue se movimentar para cima. Agora, caso o ser em questão fosse um mosquito, que pode se mover de maneira tridimensional (ao conseguir voar), seria possível acessar um ponto ao outro quase que de maneira instantânea. Aplicando essa ideia em “Stranger Things”, imagine que o monstro e Eleven talvez possam se mover em uma dimensão além das nossas.

As teorias de “Stranger Things” explicadas pela ciência ainda têm muitas pontas soltas. Por exemplo, se só Eleven e o monstro poderiam acessar o mundo invertido, como Jim Hopper e Joyce Byers conseguem entrar nesse portal?

Mas o que teria de ciência em uma série em que a protagonista é uma menina com telecinese e outros poderes? Segundo os irmãos Duffer, criadores de “Stranger Things”, existe um documento de 30 — sim, trinta — páginas que explica o que é o Mundo Invertido. Então, espera-se que tal complexidade deve trazer um pouco de ciência consigo.

Por enquanto, é esperar pela segunda temporada.

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