Vale do Silício rouba alunos para inteligência artificial
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Foto: gratisography.com
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O Vale do Silício está roubando alunos para desenvolver inteligência artificial

Diana Assennato em 23 de abril de 2016

Gigantes da tecnologia como Google, Facebook e Microsoft estão “roubando” algumas das mentes mais brilhantes das universidades para desenvolver sistemas de inteligência artificial. E isso traz um problema para a educação.

No passado, esses alunos trabalhavam em centros pesquisa ligados às universidades. Seus esforços eram concentrados em pesquisas de cunho científico, não necessariamente ligados a objetivos privados.

Não há números exatos que mostram a proporção de alunos indo de universidades para empresas, mas de acordo com a empresa de dados Quid, só em 2015, as gigantes do Vale do Silício ofertaram mais de US$ 8,5 bilhões em empregos.

Muitas dessas vagas foram oferecidas a alunos que sequer se formaram. Veja no gráfico abaixo o número de artigos científicos sobre inteligência de pesquisadores independentes caiu, enquanto o de associados a empresas cresce.

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Desenvolver inteligência artificial nas empresas é mais ‘sexy’ que nas universidades

As empresas do Vale têm grande apelo. Além de altos salários e planos de carreira, contam com máquinas modernas, grandes conjuntos de dados, os maiores pesquisadores e ainda estão na vanguarda da tecnologia. É como times de futebol europeu pagando  por jogadores brasileiros.

Além disso, oferecem a chance de ver suas ideias serem transformadas em produtos para o mercado mais rapidamente. Em universidades, muitas das pesquisas giram em torno da teoria e acabam não saindo do papel muito cedo. Em um cenário, onde as bolsas universitárias minguam e os fundos são incertos, os estudantes podem encontrar mais segurança nas empresas.

Veja o caso da inteligência artificial. Segundo a revista Economist, as pesquisas sobre o tema ficaram praticamente congeladas entre a década de 1980 e 1990. O grande boom em torno do assunto veio depois de 2014, quando o Google passou a investir nisso.

Recentemente, o Google conseguiu criar uma máquina, capaz de vencer o campeão mundial de Go, um milenar jogo chinês. A vitória veio uma década antes do que se esperava. Parte disso, vem dos altos investimentos: a empresa mais de US$ 600 milhões no desenvolvimento do sistema. Veja mais sobre essa história aqui.

Como as universidades podem ser prejudicadas?

Em 2015, o Uber recrutou 40 dos 140 funcionários da Centro Nacional de Engenharia Robótica, da Carnegie Mellon University, na Pensivlânia (EUA), para trabalhar em pesquisas sobre carros que dirigem sozinhos.

A atitude da empresa gerou polêmica. Anteriormente, ela havia prometido investir nos fundos da universidade. Mas, no final, preferiu gastar o dinheiro indo direto aos estudantes. E o centro de pesquisa simplesmente perdeu bons pesquisadores.

Resultado: concentração de inteligência artificial no Vale do Silício

Países inteiros podem ser prejudicados com as empresas do Vale “monopolizando” pesquisadores. O Canadá, por exemplo, conhecido pelos seus avanços na inteligência artifical, tem perdido diversos estudantes para empresas dos EUA.

As discussões puramente acadêmicas, pelo menos em teoria, são mais livres do que nas companhias privadas, que buscam principalmente o lucro e com prazos definidos de tempo. É nas reflexões acadêmicas que podem surgir as próximas grandes descobertas que servirão para avanços no futuro, beneficiando a sociedade como um todo.

Nas universidades, há possibilidade de pensar em projetos cujos horizontes estão a décadas de distância. Caso menos alunos se dediquem à academia, o futuro pode ficar comprometido. Além disso, o próprio ambiente da academia é muito próspero. Novas ideias surgem da interação entre alunos de diferentes áreas.

Há, no entanto, grandes empresários indo na contramão. Elon Musk, fundador do PayPal, Tesla e SpaceX, investiu US$ 1 bilhão na OpenAI, uma iniciativa sem fins lucrativos de pesquisas em inteligência artificial. Os resultados dos estudos deverão ser sempre abertos.

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