Entenda a teoria de que vivemos em uma simulação de computador
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Foto: Istock/Getty Images
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Matrix? Entenda a teoria de que vivemos em uma grande simulação de computador

Kaluan Bernardo em 11 de novembro de 2016

Há um famoso debate filosófico que diz que vivemos em uma realidade virtual, controlada por seres muito mais inteligentes que nós e donos de uma tecnologia avançadíssimo. Eu, você, sua família, seus amigos, cada pessoa nesse mundo é um personagem dessa simulação. Estamos em uma grande Matrix ou, se preferir, em um grande jogo de The Sims, enganados por uma fantasia tão poderosa que nos convencemos de que é a realidade.

As principais bases para essa teoria surgiram em 2003 na Universidade de Oxford,  quando o filósofo Nick Bostrom sugeriu que membros de uma sociedade avançada estariam simulando seus ancestrais.

Se há 100 anos alguém aparecesse falando que a realidade é apenas mera simulação de uma sociedade alienígena ou futurística com uma tecnologia computacional avançada, provavelmente ninguém daria ouvidos. Hoje, em um mundo onde os gráficos de videogames avançam em uma velocidade absurda, temos computadores potentes em nossos bolsos e experimentamos dispositivos de realidade virtual e aumentada, a teoria não soa mais tão absurda.

Na verdade, a hipótese é levada cada vez mais em consideração por físicos, filósofos e até notáveis empreendedores, como Elon Musk. “A chance de que nosso mundo seja baseado em uma realidade é de uma em um bilhão”, defende o empreendedor, dono da Tesla Motors, da SpaceX, da SolarCity e outras empresas que querem mudar nosso futuro.

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As implicações de vivermos em uma simulação

Anualmente acontece no Museu Americano de História Natural um evento em memória ao escritor de ficção científica Isaac Asimov. Na edição de 2016 diversos especialistas se reuniram para discutir a possibilidade de vivermos em uma simulação.

A revista Scientific American conta que Neil deGrasse Tyson, célebre astrofísico, era o mediador. Segundo eles, as chances de que nossa realidade seja simulada são de 50%. Ele defende que em algum lugar deve haver uma sociedade muito avançada e que nos faça parecer idiotas. “Se esse for o caso, então é fácil para mim imaginar que nossas vidas são uma criação de algum tipo de entidade para seu entretenimento”, comentou.

Um argumento que dá sentido a essa hipótese da simulação é que quanto mais aprendemos sobre o universo, mais ele parece se basear em leis matemáticas. “Se eu fosse um personagem de um game de computador, em algum momento eu também descobriria que as regras parecem completamente rígidas e matemáticas”, comentou Max Tegmark, um cosmólogo no Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT). “Isso só reflete o código de computador em que tudo foi escrito”, diz.

Tyson acredita que a tendência a associarmos essa possibilidade a tecnologias digitais tem mais a ver com o momento em que vivemos. “Se você for um martelo, todo problema parece com um prego”, metaforiza.

As implicações filosóficas de vivermos em uma simulação

Alguns acreditam que a discussão não importa tanto, já que talvez nunca cheguemos a uma resposta. “Talvez estejamos em uma simulação, talvez não, mas se estivermos, ela não é tão ruim”, diz David Chalmers, professor de filosofia na Universidade de Nova York. “Meu conselho é sair e fazer coisas realmente interessantes. Assim, os simuladores não nos desligarão”, comenta Tegmark.

Mas há impactos filosóficos e que mudam nossa forma de viver, como observa o escritor Joshua Rothman na revista The New Yorker. Ele questiona por que um computador simularia cada átomo em um universo sabendo que nós não estamos olhando para eles?

Há também uma certa melancolia nessa hipótese. Se tudo é uma simulação de seres do nosso futuro, quer dizer que tudo já foi feito. A história já foi trilhada. Cada erro e acerto da raça humana já era esperado. Além disso, se tudo é uma simulação, isso significa que quando nosso corpo morrer poderemos reencarnar? É só começar uma nova simulação ou rodar um novo software?

Tais questionamentos trazem à tona questões teológicas. Se nosso universo é regido por um algoritmo calculado por programadores de sociedades avançadas, seriam eles nossos deuses? E de onde eles vieram? Será que também vivem em uma realidade simulada por outra sociedade anterior? Nesse sentido, nós que vivemos em uma realidade simulada, poderemos evoluir a ponto de também podermos rodar uma nova simulação de outra sociedade? Nessa corrente, o que é real? E quem é Deus, afinal?

“O argumento da simulação é apelativo, em parte porque dá a possibilidade de ateus falarem sobre espiritualidade. A ideia de que vivemos em apenas uma parte da realidade, enquanto o todo está permanentemente além do nosso alcance, pode ser uma fonte de espanto”, comenta Joshua.

É possível que nunca conseguiremos testar a possibilidade de vivermos em uma simulação — afinal, estamos sendo iludidos o tempo todo. Mas se assim for, ainda restam várias perguntas: Por que alguém simularia outra civilização? Seria só por entretenimento? Eles permitiram propositalmente que o mundo tivesse males? É possível que a tecnologia tenha um limite e, assim, nunca conseguiremos chegar ao nível de simular uma realidade? E como fica a possibilidade de a sociedade se destruir antes de chegar nesse nível? Há chances de acontecer algum bug e tudo ir por água abaixo? Aparentemente, nunca saberemos.

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