Werner Herzog apresenta os delírios de um mundo conectado
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Eis Os Delírios de Um Mundo Conectado Foto: Divulgação
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Werner Herzog e os delírios de um mundo conectado em documentário

Pedro Katchborian em 1 de março de 2017

Famoso por seus roteiros, o cineasta Werner Herzog lançou, no final do ano passado, um documentário sobre a internet. Em “Eis Os Delírios de Um Mundo Conectado”, Werzog explora várias fases da rede e propõe diferentes debates. O longa, de pouco mais de uma hora e meia, está disponível na Netflix.

Herzog dividiu o filme em dez capítulos, cada um com um tema diferente. O primeiro, é claro, trata da criação da internet. O cineasta foi à Universidade da Califórnia, onde foi transmitida a primeira mensagem de host para host: LO — que era para ser LOG, mas o computador travou. “É como se fosse Colombo vendo terra à vista”, diz Werner Herzog.

Além de entrevistar Bob Kahn, um dos criadores da internet, o documentarista também vai por outro lado: Ted Nelson, um pioneiro da web que imaginou a internet completamente diferente do que ela é hoje. Até os dias atuais, Nelson defende a sua visão da internet, pensando em links de maneira completamente diferente do que vemos hoje. “Dizem que continuar com a mesma coisa e esperar um resultado diferente é loucura, mas eu prefiro uma visão de que se você não consegue algo, você tenta de novo”, conclui.

No segundo capítulo, o filme fala da glória da rede: todos os aspectos bons da internet, como a criação de um videogame por Adrien Treuille, que acabou ajudando a resolver problemas genéticos que nem cientistas com supercomputadores conseguiram solucionar. “Criamos um jogo e colocamos na rede sem saber o que aconteceria ou se alguém participaria, mas as pessoas chegaram e quebraram os nossos computadores com tantos acessos”, afirma Adrien. “Isso seria impossível antes da internet”, completa Herzog.

Neste trecho, o cineasta aproveita o debate sobre a glória da rede e fala sobre a evolução dos carros autônomos: quando um carro autônomo erra, ele aprende com o erro e passa para todos os outros carros o que houve. Quando uma pessoa erra, só aquela pessoa aprende com o erro — se é que ela aprende. Ao falar de robôs e da RoboCup, um jogo de futebol com robôs, até o Brasil é citado. “Esse time poderia ganhar do Brasil?”, pergunta Herzog. A resposta é direta: até 2050 espera-se que robôs possam vencer os campeões mundiais de futebol.

O terceiro e o quarto capítulo falam sobre dois lados não tão bons na internet: o terceiro começa com uma família lamentando a morte da filha em um acidente de carro. Fotos da menina morta foram divulgadas e espalhadas pela rede.

A mãe aponta a internet como culpada:

A internet é a manifestação do anticristo, do mal em si. É o espírito do mal. Eu acho que afeta todos na Terra e consegue suas vitórias nas pessoas que são do mal.

No quarto capítulo, o assunto tratado é a vida sem internet. Na cidade de Green Bank, na Virginia Ocidental, há um grande telescópio que capta ondas de rádio. Como o objetivo é captar ondas que vêm de outros corpos celestes, não são permitidas torres de celulares em um raio de 16 quilômetros. Isso tornou a cidade um vilarejo para pessoas que alegam ter uma doença em que são afetadas pela radiação. Jennifer Wood, uma das afetadas, afirma que perdeu 23 kg pela doença — e melhorou depois que foi para o local sem sinal do celular.

Depois dos alérgicos a tecnologia, Werner Herzog apresenta os viciados em internet. No Estado de Washington fica a clínica reSTART, para viciados em web que querem curar o seu vício. Tom, um dos pacientes, diz que perdeu empregos, família e tudo de valor que tinha.

A quinta parte do documentário é apocalíptica: e se a rede acabasse? O exemplo dado é com o Evento Carrington, que aconteceu nos anos 1800. O Evento Carrington foi um fenômeno de sinal luminoso do sol que ocasionou uma mudança de brilho e induziu correntes nos cabos dos telégrafos, queimando as máquinas. Especialistas afirmam que, caso esse tipo de evento volte a ocorrer — e irá, eventualmente — toda a internet do planeta seria afetada.

Outro exemplo dado é o do furacão Sandy: a cidade de Nova Iorque ficou sem internet, sem eletricidade, sem TV — um verdadeiro caos. Jonathan Zittrain, especialista em internet de Harvard, afirma, sobre a possibilidade de ficarmos sem internet por algum desastre: “Temos redes de comida que dependem de internet. Não existem depósitos de comida. A civilização está sempre perto da ruína”, completa.

O sexto capítulo é dedicado aos hackers: a conversa é com Kevin Mitnick, um dos hackers mais famosos do mundo. Preso por mais de quatro anos, Kevin fala sobre a falta de segurança nos servidores da internet e os perigos que isso pode ocasionar.

A sétima parte fala sobre o ambicioso plano da SpaceX de levar humanos à Marte — como a internet funcionaria nesse local. “É fácil colocar internet em Marte”, diz Elon Musk, CEO da Space X. “Você só precisaria de quatro satélites para a cobertura, já que não viveríamos em todos os lugares de Marte”, explica.

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Funcionários da Carnegie Mellon explicam que ainda “estamos longe” de um robô que possa entender a causa e efeito do mundo, mas que isso deve mudar nos próximos anos. No oitavo capítulo aparece de novo Elon Musk, que diz que maior risco é que os robôs sigam a vontade dos humanos de maneira torta. “Se não for bem pensada, mesmo que relativamente, isso pode ser um problema”, afirma. Ou seja, caso alguma máquina entenda que, para servir um humano da maneira correta, seria necessário começar uma guerra.

O nono trecho do documentário trata de um conceito ainda pouco disseminado: a Internet do Eu — uma rede especializada para cada pessoa. Imagine entrar em uma sala e o local já compreender como você gosta da luz, se você quer ouvir alguma música ou algo do tipo. Não existirão celulares: o trabalho virá até você, pois será tudo conectado.

O décimo e último capítulo vislumbra um futuro em que os nossos pensamentos poderão ser lidos pela energia de ressonância do cérebro. Para os pesquisadores, o cérebro tem um vocabulário universal e existirão máquinas capazes de ler esse língua. Por fim, Herzog destaca: “a internet é incontrolável: você não sabe para onde vai o futuro”. Corre lá, tem na Netflix!

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