Como valorizar as bibliotecas de São Paulo
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Como valorizar as bibliotecas de São Paulo

Pedro Katchborian em 22 de agosto de 2016

Um número quase incontável de livros, um ambiente silencioso e sinônimo de acesso ao conhecimento e informação: por centenas de anos, as bibliotecas foram a principal fonte de cultura dos cidadãos.

Em São Paulo, a primeira biblioteca pública surgiu há mais de 90 anos, em 1925, e batizada com o nome do escritor Mário de Andrade. Recentes transformações, como o funcionamento 24h do espaço e uma série de adaptações das outras 52 bibliotecas municipais de São Paulo, tentam reerguer um hábito perdido, mesmo entre os amantes da literatura. Com milhares de livros no acervo e amplos espaços, como revalorizar as bibliotecas de São Paulo?

Em 2015, as 52 bibliotecas municipais de São Paulo reuniram 1.260.418 frequentadores, com 903.433 empréstimos de livros. Desde 2009, o público vem se mantendo entre os 1.200.000 e 1.400.000, sendo que houve queda nos últimos quatro anos, como mostram os números da Secretaria Municipal da Cultura.

Segundo Waltemir Nalles, coordenador do sistema municipal das bibliotecas, o objetivo desses espaços não é ter um alto número de frequentadores. “Elas não vão ter números altos, mas terão o público fiel delas”, explica, lembrando que a Mário de Andrade e a biblioteca do Centro Cultural de São Paulo, espaços que reúnem mais frequentadores, por exemplo, não entram nesses dados. A Mário de Andrade, sozinha, ultrapassou os 150 mil visitantes em 2014.

Para compreender os altos e baixos desses números, é necessário entender a mudança do propósito da biblioteca como um todo. “As bibliotecas antes eram quase escolares”, explica Waltemir, contando que os colégios não tinham acervos atrativos. Com a popularização da internet, pessoas conseguem checar a maioria dessas informações em casa. Agora, o público é mais específico. “As pessoas vão estudar, sim, mas para concurso ou provas específicas. São pessoas que buscam ambientes tranquilos e vão em busca de leitura”, diz.

Como tornar as bibliotecas atrativas?

Em outubro de 2015, a Biblioteca Mário de Andrade anunciou que funcionaria 24 horas por dia, em todos os dias da semana, tanto para empréstimos de livros quanto para as áreas de convivência. Além desse atrativo, outros espaços tentam se modernizar e disponibilizar internet wifi. “Pretendemos abrir um edital para que todas as bibliotecas municipais tenham internet wifi”, conta Waltemir.

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Além do wifi, a ideia é incentivar atividades diferentes nos espaços, entendendo qual é o novo contexto da biblioteca na sociedade. Waltemir explica:

O papel da biblioteca hoje é formar um leitor crítico. Para isso, oferecemos programações variadas. Temos teatro, saraus, exposições e uma série de atividades para dialogar com esse leitor.

Waltemir conta que esse processo de revalorização da biblioteca como espaço público cultural com várias atividades é na verdade uma recuperação do que houve no passado. “Há 80 anos, isso já existia com a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, por exemplo”, diz. O que acontece é que esse movimento ficou sufocado por causa da biblioteca no sentido escolar”, completa.

Outra maneira em que a biblioteca pode ser valorizada atualmente é como um espaço para entender direitos e deveres. “Elas funcionam como pólos de acesso a informações públicas, oferecendo dados para os interessados sobre direitos e a melhor forma de alcançá-los”, explica.

Mudança dos acervos das bibliotecas

Waltemir entende que, apesar dos livros digitais ainda não atingirem o público da mesma maneira do que os impressos, as bibliotecas devem se adaptar o mais rápido possível para acompanhar a tendência. Uma pesquisa feita pelo Ibope mostra que 26% dos brasileiros já leram e-books.

“Estamos fechando parceria com uma instituição e vamos oferecer aos usuários acesso a livros digitais. Primeiro, vamos disponibilizar livros de domínio público”, conta. O coordenador exemplifica com a obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, um livro que raramente está disponível em bibliotecas por cair em vestibulares e ser muito requisitado. “A gente vai oferecer para as pessoas lerem nos tablets ou nos smartphones“, conta.

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