Bikenomics: 4 mitos sobre bicicletas que o livro desconstrói
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Bikenomics: 4 mitos sobre bicicletas que o livro desconstrói

Kaluan Bernardo em 12 de outubro de 2016

Recentemente, a editora Babilônia lançou no Brasil o livro “Bikenomics – Como a Bicicleta Pode Salvar a Economia”. A estadunidense e ativista Elly Blue o publicou em 2011 para mostrar como, diferente do que indica o senso comum, investimento em bicicletas pode ser muito benéfico para a economia. A versão brasileira traz uma série de notas e comentários mostrando que a lógica também se aplica ao país, principalmente em grandes cidades como São Paulo.

O livro ajuda a desmistificar a bicicleta. Em um momento no qual, cada vez mais, as bikes tomam o debate público e nacional, conhecer melhor os verdadeiros efeitos das bicicletas é essencial para uma discussão transparente.

4 mitos desconstruídos em “Bikenomics”

1) “O ciclista não paga para usar a rua”

Sim, ele paga. Na verdade, segundo a autora, o ciclista é essencial para a sustentabilidade financeira das ruas e rodovias. “Se quisermos encontrar um ponto de equilíbrio nos custos de construção e manutenção de vias para carros, precisaremos que 54% de seus usuários circulem nelas tão somente de bicicleta”, escreve no livro.  “A verdade é que dirigir é uma das atividades mais subsidiadas que fazemos diariamente. O carro paga por apenas por metade dos custos da via. Metade. De onde vem o restante do financiamento para todo esse asfalto? Todos pagamos, não importando se dirigimos ou não”, conclui.

Em São Paulo, por exemplo, a situação é semelhante. O livro diz que, em 2015, a Prefeitura arrecadou R$ 964 milhões com multas e mais R$ 65 milhões com Zona Azul. Isso equivale a 22% dos mais de R$ 4,66 bilhões gastos com mobilidade urbana no mesmo ano.

2) As pessoas usam carro porque preferem

Os números que o livro traz também apontam para outro lado. Em Portland, cidade da autora, nos Estados Unidos, 60% das pessoas estão “interessadas com o uso das bicicletas como meio de transporte”.

A obra ainda cita uma pesquisa do Ibope e da Rede Nossa São Paulo, que mostra que 83% dos paulistanos que usam carro deixariam seus automóveis em casa caso houvessem alternativas eficientes de transporte público.

3) Bicicleta é coisa de elite

“Hoje em dia, todos pedalam. Com uma crescente diversidade no ciclismo, crescem também as opções e os interesses. Há, entretanto, ainda uma crença que perdura: a de que pedalar não é para todos. E é impossível desvencilhar-se dela até que se suba numa bicicleta e se apaixone por ela”, defende Elly.

No Brasil, embora tenhamos uma das bicicletas proporcionalmente mais caras do mundo (com 72,2% de impostos sobre a venda), ela é utilizada por diferentes camadas sociais. Entre os ciclistas brasileiros, 30% ganham até dois salários mínimos. Veja em nosso infográfico quem é o verdadeiro ciclista brasileiro.

4) Ciclovias são mais caras do que rodovias

Discussão recorrente quando alguma cidade decide abraçar as bicicletas, Elly Blue destaca que, em comparação a uma rodovia, o custo de uma ciclovia é baixo.

Ela conta, por exemplo, que nos cálculos mais conservadores o custo médio de 1 km de via expressa em Portland sai por mais de US$ 60 milhões. É o mesmo valor que custou, em 2008, toda a infraestrutura cicloviária da cidade.

“O sistema de transporte é quase um monopólio, como resultado de décadas de investimento na expansão horizontal de estradas e em lugares que a apoiam e precisam dela. Como em todas as formas de monopólio, algumas figuras lucram muito, enquanto os consumidores pagam caro por isso”, diz a autora. Ela comenta que, nos últimos anos, as taxas pagas por usuários das rodovias bancaram apenas 51% dos custos das estradas. O resto foi subsidiado.

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