Britânicos compram menos roupas e consomem mais experiências
Woman in a fashion store department
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Britânicos compram menos roupas e consomem mais experiências, mas por que?

Kaluan Bernardo em 6 de novembro de 2016

As vendas de roupas no Reino Unido estão caindo. Entre março e setembro desse ano, a média da queda foi de 4,4%. É a primeira vez que o setor enfrenta queda em 20 anos. A resposta, apontam especialistas, está na mudança de hábitos dos consumidores — que simplesmente estão preferindo gastar a grana em comidas e viagens.

“Os consumidores estão mudando seus gastos de forma que nunca vimos antes, disse Geoff Ruddel, analista de varejo na consultoria Morgan Stanley, ao jornal Financial Times. Exceto em um breve período entre 2011 e 2012, as vendas de roupas só cresciam desde 1999.

A mudança, ao menos no Reino Unido, diz especificamente sobre o desinteresse em vestuário. O Escritório para Estatísticas Nacionais diz que os gastos no varejo cresceram 4% em relação ao mesmo mês do último ano. No entanto, os gastos com roupas caíram na mesma proporção durante o mês. Grandes marcas britânicas, como Mark and Spencer, John Lewis e Primark anunciaram quedas de receita, demissões e preocupação com a queda nas vendas.

As pessoas estão comprando mais experiências do que objetos

Em outro jornal britânico, o The Independent, a articulista Janet Street-Porter diz que as pessoas simplesmente não querem mais comprar roupas o tempo todo. “Há um mundo de diferença entre as estações que os editores de fashion falam, com diferentes estilos oferecidos quatro vezes ao ano, e o mundo real, no qual pessoas colocam camadas de roupas e não veem necessidade de um novo casaco a cada outubro”, comenta.

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Outros acreditam que o desinteresse é específico dos millennials, que estariam mais interessados em experiências que objetos. “Comida parece ser o novo fashion — você vê essas lojas de varejo que podem ser super entediantes, enquanto há vários restaurantes inspiradores e conceitos de alimentos”, comenta Javier Sera, do Boston Consulting Grou, ao Financial Times.

Pesquisa da consultoria Deloitte no Reino Unido aponta para a mesma tendência. Segundo o estudo, durante o terceiro trimestre do ano, os gastos em lazer se mantiveram estáveis ou cresceram.

Os que mais cresceram foram os gastos em restaurantes, pubs e cafés, que subiu 3%. Gastos em cultura e entretenimento subiram 2%. Apesar disso, os consumidores dizem que pretendem gastar menos no último trimestre.

Por que gastar em experiências, não objetos, deixa as pessoas mais felizes

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Não é de agora que especialistas afirmam que gastar o dinheiro em experiências, não objetos, nos torna mais felizes. Em 2015, a revista FastCompany publicou uma reportagem explicando a ciência por trás dessa afirmação. A tese central é que, enquanto um objeto nos dá alegria momentânea, a experiência tende a durar mais. “Nós compramos coisas para nos deixar felizes, e dá certo. Mas só por um tempo. Novas coisas são empolgantes no começo, mas depois nos adaptamos”, comenta Thomas Gilovich, professor de psicologia na Cornell University;

Além disso há a experiência prévia. Quando você vai viajar ou vai a um show, por exemplo, vive um período de empolgação que começa antes mesmo de viver aquilo. Já quando vai comprar algo, fica tenso e ansioso até consumi-lo. “Você pode pensar sobre como é esperar por uma deliciosa refeição em um bom restaurante ou se preparar para as férias. E como é diferente a sensação de esperar por, digamos, seu iPhone pré-reservado chegar”, comenta Amit Kumar, colega de Gilovich, à revista Atlantic, que tem uma reportagem sobre o mesmo tema.

Por fim, há ainda o fato de que experiências compartilhadas nos deixam mais felizes do que consumo compartilhado. Afinal, você pode se sentir mais conectado à alguém com quem você viajou nas últimas férias do que a alguém que comprou uma televisão contigo.  Gilovich resumiu para a FastCompany:

Consumimos experiências com as outras pessoas. E assim que elas se vão, elas são parte das histórias que contaremos aos outros.

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