Como as cidades podem abraçar a Economia Compartilhada
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Como as cidades podem abraçar a Economia Compartilhada

Kaluan Bernardo em 18 de novembro de 2016

A Economia Compartilhada é uma realidade não só para empresa e usuários, mas também para legisladores e políticos interessados em criar uma cidade mais inclusiva. Novas plataformas e ideias de compartilhamento podem melhorar a vida de muita gente. No entanto, sem os cuidados corretos, também podem piorar.

Uma pesquisa da National League of Cities, nos Estados Unidos, revelou que a maioria dos líderes municipais reconhece a importância da Economia Compartilhada, mas também se preocupa com ela.

A pesquisa coletou resposta de agentes de 245 cidades dos EUA em 2015. Enquanto 61% também demonstravam preocupações com segurança pública, falta de garantias e preocupações gerais de segurança, outros 10% se diziam preocupados em proteger serviços e indústrias tradicionais, enquanto 9% também se preocupava com a não concordância com os padrões.

Apesar disso, 71% achavam que os governos devem sim apoiar o crescimento da Economia Compartilhada. Quando questionados sobre os benefícios do modelo, 22% citaram melhorias de serviços; 20% crescimento da atividade econômica; e 16% crescimento da atividade empreendedora.

Nesse cenário, 53% das cidades estadunidenses estão vendo crescimento em serviços de compartilhamento de carros e 46% no compartilhamento de residências.

“As cidades estão trabalhando com esses desafios porque elas querem refletir os desejos e necessidades de seus moradores”, comentaram Brooks Rainwater e Nicole DuPuis, dois executivos da National League of Cities, em artigo no site TechCrunch. “As questões políticas da Economia Compartilhada levarão um tempo para serem completamente resolvidas, mas todos os dias surgirão benefícios e preocupações em relação à Economia Compartilhada. O que aprendemos é que ela oferece grandes promessas para as cidades”, concluem.

O que as cidades podem fazer para abraçar a Economia Compartilhada

Para que as políticas de Economia Compartilhada funcionem é necessário encontrar equilíbrio entre governos, empresas e cidadãos. Em um artigo no site CityMetric, os pesquisadores Peter Baeck e David Altabev, que organizaram um evento sobre o tema, comentam o que é necessário para promover corretamente a Economia Compartilhada nas cidades.

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Antes de tudo, é necessário decidir qual tipo de relação deve ser criada entre a cidade e as plataformas. Peter e David dizem que há duas alternativas. Uma é a relação cidadão-cidade, que inclui a pessoa nas operações centrais municipais, como orçamento e planejamento. Outra opção é a relação cidadão-cidadão, na qual as iniciativas permitem um ajudar ao outro diretamente, mas sem se atrelar às operações públicas da cidade.

“Ter uma visão explícita e publicada sobre como a cidade irá apoiar a Economia Compartilhada, junto com outros indicadores que traçam o sucesso, é um ponto inicial básico”, comentam. É necessário garantir que as regulações estejam atualizadas, sejam flexíveis e consigam acomodar novos modelos que serão disruptivos. “E uma cidade só pode oferecer apoio verdadeiro à aceleração da inovação na Economia Compartilhada — e em outros setores — se oferecer liderança e coordenação em todos os departamentos”, comentam.

Eles citam um exemplo do modelo cidadão-cidade, que consideram bem sucedido, em Paris. Em 2014 a capital francesa abriu uma iniciativa na qual se comprometia a investir 5% do orçamento municipal (€ 426 milhões) até 2020 nas ideias mais bem votadas pelos próprios cidadãos. Conseguiram mais de 58 mil votos em 5 mil ideias diferentes, que foram bem recebidas.

Plataformas de Economia Colaborativa podem ajudar a mobilizar o conhecimento das pessoas, posses do dia a dia e dar tempo para deixar as comunidades mais saudáveis e conectadas.

Eles citam o exemplo de Seul, que em 2012 lançou o programa “Sharing City“, um conjunto de 800 iniciativas para pessoa compartilharem bens, espaços e conhecimentos. A capital coreana criou, por exemplo, centros de ferramentas, onde a população podia pegar emprestado desde martelos a pastas e dividir umas com as outras.

Há outros modelos, nesse esquema cidadão-cidadão, no qual as pessoas dividem sem precisar influir nas decisões públicas da cidade. Eles citam as iniciativas Shareyourmeal e Casserole, que conectam pessoas dispostas a cozinhar um pouco mais a quem precisa se alimentar, mas não tem o que comer ou não tem condições de cozinhar. Muitos dos beneficiados pelas plataformas são idosos, que estavam isolados e solitários.

“Para iniciativas como essas escalarem em ambientes urbanos, líderes da cidade e legisladores governamentais precisam estar a frente”, defendem. Uma saída, segundo David e Peter, é criar uma estrutura formal para que os representantes de diferentes indústrias estejam em diálogo com governos para criar tais projetos. “Tal grupo não só poderia mostrar as barreiras para os legisladores, a indústria de seguros e reguladores; poderia gerar visibilidade ao valor do potencial social que plataformas de Economia Compartilhada podem ter na nossa cidade”, concluem.

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